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Archive for the ‘Velho Resmungão’ Category

Santos do futebol

dezembro 18, 2011 Deixe um comentário

 

A final de futebol interclubes do mundo – Barcelona versus Santos – serviu mais uma vez pra derrubar essa idéia de que existiria alguma coisa pré determinada na história genética do brasileiro que o levaria a ter o dom com a bola nos pés.

O povo vive procurando um novo herói, um novo Pelé, pensando no dom futebolístico e rezando pra que Deus e todos os Santos sejam realmente brasileiros.

Pra mim, o Barcelona tentou ensinar que: tudo bem, existem alguns “gênios”, mas nada se consegue sem trabalho árduo. Isso se prova pelo fato de que na história do time catalão, houve um incômodo com a derrota de um time de base e a lição que tiraram desde então foi: Vamos estudar um fundamento, o passe.

Claro que os mais imediatistas diriam que o problema é a grana, ou qualquer coisa assim…mas acredito na história e no investimento.

Eu diria ainda que isso não se restringe ao futebol, mas a todos os campos do Brasil que parecem ter como gramado a ideia de que  o Brasil teria alguma coisa especial, que é abençoado, que é maravilhoso, que é do futuro, etc.

Sobre as minhas franquezas

agosto 14, 2011 3 comentários

A vontade como força é variável em tamanho e intensidade, como qualquer outra possível existência. Como submete-se aos caprichos humanos, a pobre vê-se vezes tão pequena que some atrás de lágrimas, vezes grande que se impõe acima dos punhos.

Até o ponto que sei meu corpo é feito de carne e ossos, e até onde creio saber tudo o que se passa pela minha cabeça vêm de uma consciência racional. Somos assim, os humanos, não somos? Esses saquinhos de sangue e fibra com algo que alguns chamam de alma, outros de mente…  Como algo independente de corpo e mente, e até onde posso saber, livre, não posso culpar a ninguém que não seja a mim mesmo quando vejo minha vontade submeter-se aos momentos amargos e desaventurados nos campos que me foram negados conhecer. Talvez maior tenha sido a falta do aconchego de um pai, ou da sobra de um que o tentava substituir. Mas o passado não é mesmo nada que possa modificar o futuro… Talvez sejam os vetores, sim, minha tristeza e meu engano. Talvez eu não precise ter, mas me vejo em prantos precisando ao menos entender o que fiz nos meus tempos inocentes para merecer a saudade de algo que hoje me parece ou fazer falta, ou excesso…

Mais uma vez me vejo desejando um gênio, ou uma garrafa… O que me desse, de forma mais imediata, possíveis segundos de não ser mais quem sou. Humano, fraco, projeto de filho…

A passividade nossa de cada dia

março 17, 2011 3 comentários

Eu não lembro ao certo se já falei sobre isso aqui no blog, mas caso já tenha dito, digo novamente! O assunto é a passividade do ser humano, ou, ao menos, a ideia que temos sobre ela.

Eu e uns amigos estávamos sentados em um bar na cidade baixa (boteco tipo exportação, se não me engane) e a conversa tomou um rumo que nos fez chegar ao assunto de ser bom ou ruim e essas coisas sabem? No mesmo dia eu tinha conversado com um deles sobre, e uns tempos atrás tinha conversado com a amiga que também estava na mesa. O engraçado sobre essa ideia de passividade que muitas pessoas perseguem é que elas nãos e flagram de que é uma via de mão única. Você dá, mas não recebe (até talvez por isso se chame de passividade). As pessoas são generosas, educadas, anfitriãs, humildes e o caralho, mas não notam que são as únicas ao seu redor capazes de tal esforço. Outra coisa bacana é que a pessoa passiva tende a tomar ciência de suas ações e se fazer de coitada, incriminando o mundo como sendo único culpado por todas suas desgraças. O sujeito SE fode, mas joga a culpa nos outros. Mas vejamos bem por que ele se fode: a grande questão de tentar ser bonzinho e decente o tempo todo é que a grande massa nota esse comportamento, e como seres humanos imperfeitos que somos, costumamos tirar vantagem dessas pessoas. Pode ser mínimo, como pedir um copo d’água porque se tem preguiça de buscar, até esforços extremos e completamente desnecessários. Mas a culpa maior, sendo bem sincero com vocês, é do passivo. Na grande maioria das situações cotidianas que eu consigo imaginar, o passivo sempre tem escolha, nunca sendo forçado a fazer algo que vá contra sua vontade. Mas ele sempre acaba engolindo, talvez por educação, talvez por esperar que o mesmo seja feito por ele mais tarde…

O que eu gostaria de deixar claro é que não prego um mundo onde a ignorância e o individualismo sejam bases de toda e qualquer sociedade. Mas acho que já podemos largar esses ideais de educação que não nos cabem mais, não é? Vejam bem… é exatamente como a ideia de saber dar valor às pessoas certas: quando você aprende a guardar rancor e a odiar algumas pessoas, você automaticamente aprende a dar valor às pessoas que valem alguma coisa para você. É como uma reação a uma ação, simples assim. Vejam que ser super educados é como ter um grande imã de aproveitadores de todas as naturezas ao seu redor, você acaba sempre atraindo alguém que lhe enxerga como otário.

Minha solução, para você que costuma ser muito gentil e não consegue se imaginar praticando o mal para alguém, é que passe a se imaginar =) Mas falando sério, pessoal. É bom gritar quando se sente injustiçado, é bom jogar na cara de alguém sua ignorância, é revigorante ver que você pode causar desconforto para alguém… só assim você poderá morrer conhecendo todas as máscaras escondidas por baixo de seus doces “bom dias” e sorrisos de escritório.

DEIXEM DE DAR, E PASSEM A COMER!!! (vocês não acreditaram que fiquei o texto inteiro falando “passivo” sem imaginar alguém dando o cu, né?)

 

Mais um texto Psicografado.

Quatro informações úteis não divulgadas! Principalmente a QUARTA…

1. Quem quiser tirar uma cópia da certidão de nascimento, ou de casamento, não precisa mais ir até um cartório, pegar senha e esperar um tempão na fila.
O cartório eletrônico, já está no ar! www.cartorio24horas.com.br

Nele você resolve essas (e outras) burocracias, 24 horas por dia, on-line. Cópias de certidões de óbitos, imóveis, e protestos também podem ser solicitados pela internet.
Para pagar é preciso imprimir um boleto bancário. Depois, o documento chega por Sedex.

Passe para todo mundo, que este é um serviço da maior importância.


2. DIVULGUE. É IMPORTANTE: AUXÍLIO À LISTA
Telefone 102… não!
Agora é: 08002800102
Vejam só como não somos avisados das coisas que realmente são
importantes……
NA CONSULTA AO 102, PAGAMOS R$ 1,20 PELO SERVIÇO.
SÓ QUE A TELEFÔNICA NÃO AVISA QUE EXISTE UM SERVIÇO
VERDADEIRAMENTE GRATUITO.

Não custa divulgar para mais gente ficar sabendo.

3. Importante: Documentos roubados – BO (boletim de occorrência) dá gratuidade – Lei 3.051/98 – VOCÊ SABIA???

Acho que grande parte da população não sabe, é que a Lei 3.051/98 que nos dá o direito de em caso de roubo ou furto (mediante a apresentação do Boletim de Ocorrência), gratuidade na emissão da 2ª via de tais documentos como:
Habilitação (R$ 42,97);
Identidade (R$ 32,65);
Licenciamento Anual de Veículo (R$ 34,11)..

Para conseguir a gratuidade, basta levar uma cópia (não precisa ser autenticada) do Boletim de Ocorrência e o original ao Detran p/ Habilitação e Licenciamento e outra cópia à um posto do IFP..

4) MULTA DE TRANSITO : essa você não sabia
No caso de multa por infração leve ou média, se você não foi multado pelo mesmo motivo nos últimos 12 meses, não precisa pagar multa. É só ir ao DETRAN e pedir o formulário para converter a infração em advertência com base no Art. 267 do CTB. Levar Xerox da carteira de motorista e a notificação da multa.. Em 30 dias você recebe pelo correio a advertência por escrito. Perde os pontos, mas não paga nada.

Código de Trânsito Brasileiro
Art. 267 – Poderá ser imposta a penalidade de advertência por escrito à infração de natureza leve ou média, passível de ser punida com multa, não sendo reincidente o infrator, na mesma infração, nos últimos doze meses, quando a autoridade, considerando o prontuário do infrator, entender esta providência como mais educativa.

DIVULGUEM PARA O MAIOR NÚMERO DE PESSOAS POSSÍVEL. VAMOS ACABAR COM A INDÚSTRIA DA MULTA!!!!

Gostaria, se possível, que cada um não guardasse a informação só para si

O privado e a privada

março 7, 2011 6 comentários

Falou o velho rabugento no balcão do bar:

– Morre mais gente no trânsito do que na guerra, tem mais tiro aqui do que no Iraque… Por outro lado, tem muita coisa boa acontecendo: eleições democráticas, convivência entre os diferentes… alguns… mas eu não entendo o porquê de ficarem falando desses programas que os caras passam tempos presos, sem sair, convivendo com outras pessoas e várias câmeras ligadas pra mostrar um pouco da privada vida de cada um. Cada um conquista seu próprio reino e o centro do castelo é seu próprio umbigo. Quem é que vai se importar com a vida lá fora se cá, na privada, todos estão a salvos? A salvos? Eu diria melhor: todos estão privados como a merda que desce ao esgoto, pois assim, o cheiro tenta ser camuflado, jogado pra debaixo da terra! Ah, mas sempre volta alguma coisa… há de voltar!

– Ei rapá! Tu ta falando daqueles programas da TV? Ou daquela história dos mineiros? (Disse o balconista).

– Eu dizia que cada um está sentado na sua própria privada. O desconforto é tão grande por não se ter ninguém por perto e não saber o que o resto da humanidade faz, que todos sentem um desejo enorme de saber se o privado de cada um fede tanto quanto o seu. Privados estão de viver e não sabem por quê. Tentador é achar um culpado pra matá-lo, engoli-lo e jogá-lo no ralo, mas esse culpado ninguém vê. Nenhum olho enxerga sua própria retina.

Quando muita se fala e pouco se faz

fevereiro 9, 2011 2 comentários

Apesar do título, este texto não tem por objetivo angariar odes de horror contra a hipocrisia básica daquelas pessoas que falam, falam mas que não agem.

Acontece que, em Porto Alegre, aumentaram o valor da passagem urbana de R$ 2,45 para R$ 2,70. Acontece que fizeram passeatas por causa disso e acontece que está chovendo e o ócio come meus órgãos…

Uma coisa que me deixa curioso sobre essas passeatas de protesto é que as pessoas me deixam claro que elas ainda acreditam que passeatas adiantam de algo… Vocês já perceberam? As tentativas, falhas umas atrás das outras, ainda não as ensinaram que até mesmo o poder público brasileiro já desistiu de aplicar mudanças de maneira plana e branda. Nossa última lei aplicada ao trânsito: Lei Seca. Ela é simples e clara: pegou sujeito mamado? vai preso! (o.k. sabemos que a teoria é linda e a prática é torta, mas o que quero deixar claro aqui é a pretensão). O poder público está nos deixando claro que, até para eles, a tolerância tem que ser ZERO.

Tolerância para que? No final das contas, a tolerância te deixa com a cara que você já tem: um povo acomodado que não faz. E quando faz, não muda nada! É um ciclo vicioso que, se vocês ainda não perceberam, só os puxa cada vez mais para baixo. Mas porque ser contra a tolerância? não é assim que nos tornarmos bárbaros? não seria com o fim da tolerância o começo do caos público? pois é que seria! mas do que a ordem tem vos adiantado?

A alguns tempos atrás, a Carris (nossa querida empresa de transporte público porto-alegrense) alegava que não existia possibilidade de aumentar a frota de ônibus do bairro Restinga, em Porto Alegre. E vocês sabem que bastaram dois ônibus queimados para que eles aumentassem a frota consideravelmente? A acomodação da empresa, sentada em seu trono de monopólio, não faz mais do que o correto para seus negócios: aumentam os preços e mantém a “qualidade” do que já tem, afim de cobrir um suposto aumento de gastos e um possível aumento nos lucros. Não podemos culpá-la por tomar uma decisão que faz bem aos negócios. Isso seria como esperar que você não possa vender seu carro por que você dá carona a um colega de emprego. O interesse maior é do dono, o carona e sua vida não fazem parte dos problemas do proprietário, como a vida dos usuários não faz parte dos problemas da vida dos donos da Carris. Não sejamos TÃO hipócritas: vamos aceitar que eles tem o direito de tomar decisões que julguem o melhor para seus negócios.

Por que a partir do momento que admitimos sua liberdade de aumentar os preços das passagens, podemos admitir nossa liberdade de fazermos o que bem entendermos nas ruas. Se quisermos queimar um ônibus ou dois, só para lembrá-los que se pretendem aumentar os preços, que ao menos nos ofereçam um serviço de maior qualidade ou nos justifiquem de outros meios o aumento das passagens!

A verdade é que hoje em dia temos discursos tão inflados sobre amor, paz e sociedade, que esquecemos que todos nós temos um médico e um monstro dentro de nós. Tentamos cada dia mais trancafiar um monstro quando, na verdade, deveríamos doutriná-lo para que possa ser usado para o nosso bem-querer. Acho que já podemos parar de fingir que somos civilizados quando sabemos que nossa civilidade só o que faz é arriar nossas calças para meter os punhos no nosso cu, né?

Mas no final, não esperem de mim a iniciativa para nos erguermos e queimarmos algo. Não faço isso e não é assim que eu coopero para que um dia vocês deixem de ser a merda que vocês são. O meu trabalho, o que eu faço para cooperar com a causa de uma sociedade com a qual eu minimamente me importo, é escrever. Na esperança de despertar em vocês algo que eu tenho desperto em mim, e que a mim faz muito bem. Libertem seus demônios e usem sua fúria para fazer algo mais do que falar e ver suas opiniões sendo destroçadas no momento que um prefeito sansiona uma lei.

Como já dizia o sábio V: não é o povo que deve temer seu governo, é o governo que deve temer seu povo.

“Você sabe com quem está falando?”

fevereiro 7, 2011 1 comentário

Não me interesso por “sobre nomes”, o que viria acima do nome. Vivo, e insisto em viver em uma democracia, embora o sistema monárquico pareça sobreviver em alguns discursos, em algumas pessoas.

Julgo que quem necessita de algo acima de si mesmo, (um “sobre”, uma profissão, um contra-cheque, um carro, etc.) precisa preencher seus buracos, colar suas partes. E por isso julgo sendo igual mim, pois sou incompleto. Todos somos.

Somos todos iguais por possuir fraquezas, mas somos diferentes no que fazemos com elas – e necessita coragem para encará-las. Você sabe quais as suas?

A pergunta é pertinente, pois me causou um rebuliço assistir a uma situação na rua na qual um homem pergunta ao outro com um tom grosseiro: “você sabe com quem está falando?”

Hierarquias presentes numa “democracia” controversa na qual o povo renuncia ao poder e o relega às “autoridades”, ao governo, aos governantes. Estes, por sua vez, (como todo mundo deve saber) para estar no poder, forçam alianças com quem tem dinheiro em troca de benefícios. Resumindo: Poder em troca de poder.

Assim, na rua, é preciso saber quem é que está falando.

É preciso saber quem está falando?