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Archive for the ‘Que porra é essa?’ Category

Estou com preguiça, só copiei e colei um trabalho para a cadeira de filosofia…

Bruno Dorneles da Silva

Introdução a Filosofia A – 2011/01

Profº Eros de Carvalho

 

 

O homem amoral, o psicopata, o desinteresse e a moralidade

                Para que não haja nenhum desentendimento entre os conceitos, se faz necessário analisarmos o que Thomas Hobbes entende e como ele diferencia o homem amoral do homem desinteressado pela lógica moralista.

Para o filósofo, o homem amoral seria aquele cuja existência não passa perto do círculo moral, cuja pessoa tem interesse em cultivar apenas seus próprios interesses, desconsiderando a existência do interesse alheio, e cujos fins certamente justifiquem os meios para a obtenção do que se quer. O homem amoral deve viver basicamente sem fazer juízos morais. Assim como não deve se sentir culpado, não deve culpar (ou sentir mágoa de) ninguém por nada. Além disso, ainda, o homem amoral não se considera melhor do que ninguém, já que entende que ser melhor o faria chegar a conclusão de que certas disposições e atitudes são mais valiosas ou saudáveis à sociedade. Já o homem desinteressado moralmente está mais próximo daquele que responde “Dê-me uma razão para fazer alguma coisa; nada tem sentido”, cuja existência não representa nenhum perigo para as bases racionais da moral e de quem apenas podemos esperar falas e atitudes que demonstram desesperança e a necessidade de ajuda.

Como personagem ausente do círculo moral, o verdadeiro problema imposto pela simples existência do homem amoral seria a natureza da escolha. Como se não houvessem, naturalmente, um sistema moral que independe da sociedade e da criação do ser humano. Se comprovadamente existisse, o homem amoral seria capaz de mostrar aos outros que a moral é uma escolha, e não uma regra sem exceções.  Como um parasita, o homem amoral porta máscaras que o auxiliam a viver em um mundo moral, de onde ele tira seu sustento e seus prazeres. Ele vive e reconhece o sistema moral, entende que a universalização de seu hábito tornaria a sociedade insuportável e de sobrevivência mais difícil. Como desenvolvimento máximo de sua idéia, Hobbes alega que o homem amoral seria aquele que não se importa com o bem-estar dos outros e, se isso for levado até suas últimas conseqüências, estaríamos muito próximos da imagem do serial killer. E diante deste personagem, a tentativa de trazê-lo para o círculo moral seria descabida. Alegando então a existência de outro personagem cujas ações poderiam ser consideradas amoralistas e cuja imagem estaria minimamente distante do serial killer, o filósofo chega ao gângster. Na sua imagem, Hobbes projeta o que ele acredita ser a base da moralidade, quando surgida “do nada”:

 

“Pois ele tem a noção de fazer algo por alguém, e de fazê-lo movido pelo fato de essa pessoa precisar de ajuda. Na verdade, ele trabalha com essa noção somente quando esta com vontade; mas ela não é em si mesma a noção de estar com vontade. Mesmo que ele ajude essas pessoas somente porque quer, ou porque gosta delas, e por nenhuma outra razão (não que essas excelentes razões precisem ser corrigidas), o que ele quer é ajudá-las em suas necessidades; o pensamento que lhe vem quando age assim é ‘eles precisam de ajuda’ e não ‘eu gosto deles e eles precisam de ajuda’. Essa é uma questão central: tal homem é capaz de pensas nos interesses alheios, e só não consegue ser um sujeito (parcialmente) moral porque apenas esporádica e caprichosamente se dispõe a sê-lo”

Thomas Hobbes. O homem amoral, p. 15-16.

                Mesmo entendendo uma suposta decisão quase moral do gângster, Hobbes afirma que despertar a compaixão e estendê-la para os desconhecidos não faria da imagem amoral um exemplo de moralidade, e sim apenas um domínio precário. Para o filósofo apenas a compaixão e o entendimento das necessidades do próximo não seriam suficientes para fazer que alguém adentre o campo da moralidade, mas que este modelo se presta a sugerir que, tendo compaixão, não é necessário atribuir ao personagem nenhum tipo fundamentalmente novo de pensamento ou experiência.

Chegando ao escopo de uma possível solução ao homem amoral, Hobbes argumenta que as concepções morais mais fundamentais fazem parte de uma esfera humana tão densa e enraizada que está fora do alcance humano manipulá-las ou expurgá-las em quais quer circunstâncias. Para Hobbes, a raiz da questão moral pode ser traduzida como uma teoria psicológica. Fazendo parte da natureza humana, a moralidade estaria intrinsecamente entrelaçada no futuro e nas decisões dos homens, como uma forma de controle previsto em função daqueles capazes de entendê-las.

 

Bibliografia utilizada:

 

O homem amoral – Hobbes, Thomas

O básico da filosofia – Warburton, Nigel

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Coringa, a figura do maldito

     A Sociedade, enquanto um único indivíduo, rege uma série de conceitos que refletem no indivíduo singular, célula do corpo regente. Como resultado de um padrão tecido pela maioria, em uma lógica de natureza democrática, a massa passa a responder de forma similar entre seus iguais, formulando assim uma cadeia de comportamentos que são distribuídos entre seus habitantes para que cada célula cumpra um determinado papel dentro do todo. Muitos cumprem papeis comuns e alguns até chegam a cumprir papeis de subversão. Mas são os mais afortunados (e, por assim dizer, amaldiçoados) que sobram papeis cuja função é a de questionar o sistema de funções. E uma teoria que pode parecer com uma incitação a qualquer tipo de radicalização socialista ou anarquista, se transporta a uma realidade cuja regra máxima de valor deriva da palavra “indiferença”, pois apenas aqueles capazes de serem alheios a qualquer tipo de ideologias, aqueles capazes de optar pelo estado pleno do meio, que enxergam o mundo através de um véu de mediocridade, são capazes de fazer quaisquer perguntas que carreguem em si a ínfima chance de receber uma resposta cuja essência derive de qualquer verdade. Quase como servindo de exemplo, Jostein Gaarden² elabora a figura do nosso maldito: a figura do Coringa. Dentre tantas cartas QUASE iguais, entre rainhas e copas e reis quase iguais, existe em todo o baralho apenas um coringa. Apenas uma carta destinada ao papel do personagem que consegue ser o salvo-conduto de todo o barulho, a peça que carrega consigo a habilidade de reavaliar decisões e remedir chances de vitória. Por fim, o único papel capaz de virar o jogo, a favor de quem? Não sabemos…

     Como bônus ao cumprimento de seu papel, o Coringa é aquele a quem foi reservado o direito de ser indivíduo (individual). A quem foi prenotada a liberdade de construção de um lugar incomum à cidade da massa. E sob a vista de ninguém, nem mesmo a de Deus, ele o faz. Constrói para si, usando o conhecimento coletivo, uma cidade que apenas ele reconhece. Um exercício comodista e apático, características obrigatórias para a construção de uma cidade cujas ruas convergem em apenas um fim: o sentido dado pelo criador. Um exercício onde o homem se faz capaz de experimentar o verdadeiro poder da onipotência divina.

Quem precisa de um Tiririca quando temos o Jair Bolsonaro?!

maio 7, 2011 3 comentários

O deputado federal Jair Bolsonaro do Partido Progressista do Rio de Janeiro, diz que o próximo passo do STF será a legalização da pedofilia. Ele afirma isso como crítica à decisão do STF de ter reconhecido a união estável entre homossexuais.

Interessante não? Colocar a escolha de um parceiro sexual diferente da lógica “homem/mulher” ao lado da pedofilia.

O que mais esperar de uma pessoa que diz publicamente ser a favor da tortura “pro cara abrir o bico” e pensa que somos seres instintuais – pois quem acredita que o “núcleo familiar” deve ser composto unicamente por um homem e uma mulher, só pode estar vinculado a um posicionamento biologizante, ou então à idéias aristotélicas acerca da incompletude feminina, que esperaria a “bondade” de um homem para se ver “perfeita”.

Talvez eu esteja superestimando nosso caro político ao considerar que ele reflita sobre essas coisas. Então, acho simplesmente que deve haver um posicionamento militar: leia-se regido por regras inquestionáveis que eu não sei de onde vêm.
Sim, ele próprio é adepto de um regime militar no Brasil. Grande! Aplausos! É uma verdadeira PIADA!
Afinal de contas, quem precisa do palhaço tiririca quando temos o bolsonaro?

A passividade nossa de cada dia

março 17, 2011 3 comentários

Eu não lembro ao certo se já falei sobre isso aqui no blog, mas caso já tenha dito, digo novamente! O assunto é a passividade do ser humano, ou, ao menos, a ideia que temos sobre ela.

Eu e uns amigos estávamos sentados em um bar na cidade baixa (boteco tipo exportação, se não me engane) e a conversa tomou um rumo que nos fez chegar ao assunto de ser bom ou ruim e essas coisas sabem? No mesmo dia eu tinha conversado com um deles sobre, e uns tempos atrás tinha conversado com a amiga que também estava na mesa. O engraçado sobre essa ideia de passividade que muitas pessoas perseguem é que elas nãos e flagram de que é uma via de mão única. Você dá, mas não recebe (até talvez por isso se chame de passividade). As pessoas são generosas, educadas, anfitriãs, humildes e o caralho, mas não notam que são as únicas ao seu redor capazes de tal esforço. Outra coisa bacana é que a pessoa passiva tende a tomar ciência de suas ações e se fazer de coitada, incriminando o mundo como sendo único culpado por todas suas desgraças. O sujeito SE fode, mas joga a culpa nos outros. Mas vejamos bem por que ele se fode: a grande questão de tentar ser bonzinho e decente o tempo todo é que a grande massa nota esse comportamento, e como seres humanos imperfeitos que somos, costumamos tirar vantagem dessas pessoas. Pode ser mínimo, como pedir um copo d’água porque se tem preguiça de buscar, até esforços extremos e completamente desnecessários. Mas a culpa maior, sendo bem sincero com vocês, é do passivo. Na grande maioria das situações cotidianas que eu consigo imaginar, o passivo sempre tem escolha, nunca sendo forçado a fazer algo que vá contra sua vontade. Mas ele sempre acaba engolindo, talvez por educação, talvez por esperar que o mesmo seja feito por ele mais tarde…

O que eu gostaria de deixar claro é que não prego um mundo onde a ignorância e o individualismo sejam bases de toda e qualquer sociedade. Mas acho que já podemos largar esses ideais de educação que não nos cabem mais, não é? Vejam bem… é exatamente como a ideia de saber dar valor às pessoas certas: quando você aprende a guardar rancor e a odiar algumas pessoas, você automaticamente aprende a dar valor às pessoas que valem alguma coisa para você. É como uma reação a uma ação, simples assim. Vejam que ser super educados é como ter um grande imã de aproveitadores de todas as naturezas ao seu redor, você acaba sempre atraindo alguém que lhe enxerga como otário.

Minha solução, para você que costuma ser muito gentil e não consegue se imaginar praticando o mal para alguém, é que passe a se imaginar =) Mas falando sério, pessoal. É bom gritar quando se sente injustiçado, é bom jogar na cara de alguém sua ignorância, é revigorante ver que você pode causar desconforto para alguém… só assim você poderá morrer conhecendo todas as máscaras escondidas por baixo de seus doces “bom dias” e sorrisos de escritório.

DEIXEM DE DAR, E PASSEM A COMER!!! (vocês não acreditaram que fiquei o texto inteiro falando “passivo” sem imaginar alguém dando o cu, né?)

 

A voz implacável de Toninho Malvadeza

Momentos da história do nosso país.

Minha opinião sobre a Massa Crítica Portoalegrense

Em um status de facebook, deixei clara minha opinião sobre a Massa Crítica, e em poucas palavras. Somando a este fato a falta de um texto meu no blog, decidi copiar e colar.

 

Sobre o termo “massa crítica”: Realmente, o conceito coloquial de “massa” em si já explicita uma mentira: eles não são, nem de longe, uma maioria. E criticidade, sempre acreditei na crítica como uma maneira prudente de argumentar, e não pegar panelas, apitos e gritar no meio da rua…

 

Sobre a tal massa em si: O fato mais triste, e por que não o mais pobre, de toda situação, é notar que no final das contas tanto se fala e tanto se tenta fazer apenas por que a notícia tomou proporções nacionais. De forma corriqueira se fala sobre acidentes fatais com motoboys nas grandes cidades e de responsabilidade no trânsito. Ao invés de “lutarem” por isso, vejo pessoas que expõe cartazes onde um carro é signo de uma arma de fogo e onde o extremismo se faz presente, como qualquer outra forma de “protesto” que tem como lastro um pouco de revolva socialista e muitas, mas muitas, falácias e problemas diversos de lógica.

 

No final, vejo os mesmos problemas ideológicos de sempre. Casos isolados que queimam feito pólvora e torna irrelevante cada atitude tomada, por que tudo vira cinza sem deixar nada de útil para ser estudado. A urgência do extremismo só torna óbvia sua prepotência e sua incompetência. Só espero que não entendam que sou contra qualquer tipo de passeata e que desejo o mesmo mau para todos os metidos a rebeldes que atrapalham as ruas de Porto Alegre… Se mudanças são necessárias, usem as mesmas armas que apontam para vocês, só assim se tem uma luta justa. Virar a mesa e falar mais alto nunca adiantou, não adianta e nunca vai adiantar… você continuará perdendo na cabeça do vencedor.

“Você sabe com quem está falando?”

fevereiro 7, 2011 1 comentário

Não me interesso por “sobre nomes”, o que viria acima do nome. Vivo, e insisto em viver em uma democracia, embora o sistema monárquico pareça sobreviver em alguns discursos, em algumas pessoas.

Julgo que quem necessita de algo acima de si mesmo, (um “sobre”, uma profissão, um contra-cheque, um carro, etc.) precisa preencher seus buracos, colar suas partes. E por isso julgo sendo igual mim, pois sou incompleto. Todos somos.

Somos todos iguais por possuir fraquezas, mas somos diferentes no que fazemos com elas – e necessita coragem para encará-las. Você sabe quais as suas?

A pergunta é pertinente, pois me causou um rebuliço assistir a uma situação na rua na qual um homem pergunta ao outro com um tom grosseiro: “você sabe com quem está falando?”

Hierarquias presentes numa “democracia” controversa na qual o povo renuncia ao poder e o relega às “autoridades”, ao governo, aos governantes. Estes, por sua vez, (como todo mundo deve saber) para estar no poder, forçam alianças com quem tem dinheiro em troca de benefícios. Resumindo: Poder em troca de poder.

Assim, na rua, é preciso saber quem é que está falando.

É preciso saber quem está falando?