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Archive for the ‘Do que diabos gostamos’ Category

Santos do futebol

dezembro 18, 2011 1 comentário

 

A final de futebol interclubes do mundo – Barcelona versus Santos – serviu mais uma vez pra derrubar essa idéia de que existiria alguma coisa pré determinada na história genética do brasileiro que o levaria a ter o dom com a bola nos pés.

O povo vive procurando um novo herói, um novo Pelé, pensando no dom futebolístico e rezando pra que Deus e todos os Santos sejam realmente brasileiros.

Pra mim, o Barcelona tentou ensinar que: tudo bem, existem alguns “gênios”, mas nada se consegue sem trabalho árduo. Isso se prova pelo fato de que na história do time catalão, houve um incômodo com a derrota de um time de base e a lição que tiraram desde então foi: Vamos estudar um fundamento, o passe.

Claro que os mais imediatistas diriam que o problema é a grana, ou qualquer coisa assim…mas acredito na história e no investimento.

Eu diria ainda que isso não se restringe ao futebol, mas a todos os campos do Brasil que parecem ter como gramado a ideia de que  o Brasil teria alguma coisa especial, que é abençoado, que é maravilhoso, que é do futuro, etc.

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O Verdadeiro Hino Nacional

UHUUUUUUUUUUUULLLLLLL

O famoso trecho de Hamlet.

Ato III

Cena 1Comentário

(…)

POLÔNIO

Você fica aqui, Ofélia. (Ao Rei.) E se apraz

A Vossa Graça, nos escondemos ali.

(Pra Ofélia.) Você lê este breviário

Pra que o exercício espiritual

Dê algum colorido à tua solidão.

Vamos ser acusados de coisa já tão provada;

Com um rosto devoto e alguns gestos beatos,

Açucaramos até o demônio.

REI

(À parte.) Oh, como isso é verdade!

que ardente chicotada em minha consciência é esse discurso.

A face da rameira, embelezada por cosméticos,

Não é mais feia para a tinta que a ajuda

Do que meu feito pra minha palavra mais ornamentada.

Oh, fardo esmagador!

POLÔNIO

Ele vem vindo. Vamos nos retirar, senhor.

(Saem Polónio e o Rei.)

HAMLET

Ser ou não ser eis a questão.

Será mais nobre sofrer na alma

Pedradas e flechadas do destino feroz

Ou pegar em armas contra o mar de angústias –

E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;

Só isso. E com o sono – dizem – extinguir

Dores do coração e as mil mazelas naturais

A que a carne é sujeita; eis uma consumação

Ardentemente desejável. Morrer – dormir –

Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!

Os sonhos que hão de vir no sono da morte

Quando tivermos escapado ao tumulto vital

Nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão

Que dá à desventura uma vida tão longa.

Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,

A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,

As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,

A prepotência do mando, e o achincalho

Que o mérito paciente recebe dos inúteis,

Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso

Com um simples punhal? Quem agüentaria fardos,

Gemendo e suando numa vida servil,

Senão porque o terror de alguma coisa após a morte –

O país não descoberto, de cujos confins

Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,

Nos faz preferir e suportar os males que já temos,

A fugirmos pra outros que desconhecemos?

E assim a reflexão faz todos nós covardes.

E assim o matiz natural da decisão

Se transforma no doentio pálido do pensamento.

E empreitadas de vigor e coragem,

Refletidas demais, saem de seu caminho

Perdem o nome de ação. (Vê Ofélia rezando.)

Mas, devagar, agora!

A bela Ofélia!

(Para Ofélia.) Ninfa, em tuas orações

Sejam lembrados todos os meus pecados.

OFÉLIA

Meu bom senhor, como tem passado todos esses dias?

HAMLET

Lhe agradeço humildemente. Bem, bem, bem.

OFÉLIA

Meu senhor, tenho comigo umas lembranças suas

Que desejava muito lhe restituir.

Rogo que as aceite agora.

HAMLET

Não, eu não;

Nunca lhe dei coisa alguma.

OFÉLIA

Respeitável senhor, sabe muito bem que deu;

E acompanhadas por palavras de hálito tão doce

Que as tornaram muito mais preciosas. Perdido o perfume,

Aceite-as de volta; pois, pra almas nobres,

Os presentes ricos ficam pobres

Quando o doador se faz cruel.

Eis aqui, meu senhor. (Dá os presentes a ele.)

HAMLET

Ah, ah! Você é honesta?

OFÉLIA

Meu senhor?!

HAMLET

Você é bonita?

OFÉLIA

O que quer dizer Vossa Senhoria?

HAMLET

Que se você é honesta e bonita, sua honestidade não deveria admitir qualquer intimidade com a beleza.

OFÉLIA

Senhor, com quem a beleza poderia ter melhor comércio do que com a virtude?

HAMLET

O poder da beleza transforma a honestidade em meretriz mais depressa do que a força da honestidade faz a beleza se assemelhar a ela. Antigamente isso

era um paradoxo, mas no tempo atual se fez verdade. Eu te amei, um dia.

OFÉLIA

Realmente, senhor, cheguei a acreditar.

HAMLET

Pois não devia. A virtude não pode ser enxertada em tronco velho sem pegar seu cheiro. Eu não te amei.

OFÉLIA

Tanto maior meu engano.

HAMLET

Vai prum convento. Ou preferes ser geratriz de pecadores? Eu também sou razoavelmente virtuoso. Ainda assim, posso acusar a mim mesmo de tais coisas que talvez fosse melhor m

era um paradoxo, mas no tempo atual se fez verdade. Eu te amei, um dia.

OFÉLIA

Realmente, senhor, cheguei a acreditar.

HAMLET

Pois não devia. A virtude não pode ser enxertada em tronco velho sem pegar seu cheiro. Eu não te amei.

OFÉLIA

Tanto maior meu engano.

HAMLET

Vai prum convento. Ou preferes ser geratriz de pecadores? Eu também sou razoavelmente virtuoso. Ainda assim, posso acusar a mim mesmo de tais coisas que talvez fosse melhor minha mãe não me ter dado à luz. Sou arrogante, vingativo, ambicioso; com

mais crimes na consciência do que pensamentos para concebê-los, imaginação para desenvolvê-los, tempo para executá-los. Que fazem indivíduos como eu rastejando entre o céu e a terra? Somos todos rematados canalhas, todos! Não acredite em nenhum de nós. Vai, segue pro convento. Onde está teu pai?

OFÉLIA

Em casa, meu senhor.

HAMLET

Então que todas as portas se fechem sobre ele, pra que fique sendo idiota só em casa. Adeus.

OFÉLIA

(À parte.) Oh, céu clemente, ajudai-o!

HAMLET

Se você se casar,

minha mãe não me ter dado à luz. Sou arrogante, vingativo, ambicioso; com

mais crimes na consciência do que pensamentos para concebê-los, imaginação para desenvolvê-los, tempo para executá-los. Que fazem indivíduos como eu rastejando entre o céu e a terra? Somos todos rematados canalhas, todos! Não acredite em nenhum de nós. Vai, segue pro convento. Onde está teu pai?

OFÉLIA

Em casa, meu senhor.

HAMLET

Então que todas as portas se fechem sobre ele, pra que fique sendo idiota só em casa. Adeus.

OFÉLIA

(À parte.) Oh, céu clemente, ajudai-o!

HAMLET

Se você se casar,

leva esta praga como dote:

Embora casta como o gelo, e pura como a neve, não escaparás

À calúnia. Vai pro teu convento, vai. Ou,

Se precisa mesmo casar, casa com um imbecil. Os espertos sabem muito bem em que monstros vocês os transformam. Vai prum conventilho, um bordel: vai – vai depressa! Adeus.

OFÉLIA

Ó, poderes celestiais, curai-o!

HAMLET

Já ouvi falar também, e muito, de como você se pinta. Deus te deu uma cara e você faz outra. E você ondula, você meneia, você cicia, põe apelidos nas criaturas de Deus, e procura fazer passar por inocência a sua volúpia. Vai embora – chega –

foi isso que me enlouqueceu.

Afirmo que não haverá mais casamentos. Os que já estão casados continuarão todos vivos – exceto um. Os outros ficam como estão. Prum bordel – vai! (Sai.)

OFÉLIA

Ó, ver tão nobre espírito assim tão transtornado!

O olho, a língua, a espada do cortesão, soldado, sábio,

Rosa e esperança deste belo reino,

Espelho do gosto e modelo dos costumes,

Admirado pelos admiráveis – caído assim, assim destruído!

E eu, a mais aflita e infeliz das mulheres,

Que suguei o mel musical de suas promessas,

Vejo agora essa razão nobre e soberana,

Descompassada e estridula como um sino rachado e rouco.

E coisa consagrada:

A loucura dos grandes deve ser vigiada.

(Saem.)

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Alguem ainda não tinha lido esse clássico ? Se não entenderam algum trecho só perguntar que eu ajudo. Abs.

Fala meu mestre !

Elo

março 25, 2011 2 comentários

 

Eu sabia que deveria ter fechado os olhos, mas não pude

Ela bem que deveria ter apagado as luzes, e não apagou

Pareceu premeditado, um crime programado, como se tivesse pensando:

-Vai ficar tudo entranhado nessa pobre alma.

Assim, tirá-la de mim é impossível

Mas não é ela, não pode ser!

Há uma nuvem opaca, revertida por contornos que doem a alma a cada curva!

Cada detalhe tem um gosto, cada gesto tem uma cor, um corpo.

Ela sou eu quando não estou em mim, querendo estar acordado e nunca conseguindo.

Eu sou ela quando não vejo,

“Ela”, escuridão clara, ofuscante.

Homus Economicus

março 22, 2011 7 comentários

Se você é uma pessoa que gosta de curtir a vida e sair com os amigos de vez em quando, como eu, pode se assustar com essa conta que pensei outro dia e que tem até me ajudado a parar de fumar. 
A última coisa que quero aqui é entrar em méritos morais sobre como cada pessoa leva sua vida. O que pretendo mesmo é pensar financeiramente, pois pode ser útil. Também não sou nenhum matemático, então pensei em uma conta relativamente baixa e simples:

– Todo mundo merece sair ao menos uma vez na semana e ir a algum lugar – esses geralmente cobram entrada. Nesse lugar, você ainda bebe. Então, pensemos que se você sair apenas uma vez na semana, pagar 10 reais para entrar e consumir umas 4 a 5 cervejas, você gasta em média RS 40,00 (conheço gente que gasta R$ 100,00 por noite e mais de uma vez na semana);

-Se você é um cara que fuma, como eu, pensemos numa carteira de 4 reais por dia (visto que você pode fumar menos, mas pode escolher uma carteira mais cara, ou então, no fim de semana, um monte de amigos fumam do seu cigarro).

Só isso! Quero me ater somente nessas três coisas: entrada de festa (10 reais é barato hein), cigarro (cigarro mais ou menos) e cerveja (sem incluir outras bebidas).

Por mês, você irá gastar R$ 120,00 em cigarro e R$ 160,00 em cerveja e entradas. Somando dá: R$ 280,00. Barato? Acho que não.

Multiplicando por 12 meses a conta sobe para R$ 3.160,00 por ano. Em 5 anos, você pode comprar um carro (R$ 15.800,00)! Melhor do que isso, se esse dinheiro for investido em bolsa de valores, pode aumentar exponencialmente.

Pensemos assim: ninguém vai ficar 5 anos sem dar umas saídas, mas quando não o fizer poderia se recompensar se dando essa grana não gasta, não é?

Isso tudo pode significar um grande prazer, condordo, mas estive pensando seriamente em testar essa economia. Enfim, a questão aqui é só compartilhar o óbvio que a gente não vê. No final das contas, isso é o que Bourdieu chama de poder simbólico: uma reprodução sem conhecimento, ou nas suas próprias palavras, “restituir à doxa seu caráter paradoxal”.