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Archive for the ‘Defeito Colateral’ Category

Santos do futebol

dezembro 18, 2011 Deixe um comentário

 

A final de futebol interclubes do mundo – Barcelona versus Santos – serviu mais uma vez pra derrubar essa idéia de que existiria alguma coisa pré determinada na história genética do brasileiro que o levaria a ter o dom com a bola nos pés.

O povo vive procurando um novo herói, um novo Pelé, pensando no dom futebolístico e rezando pra que Deus e todos os Santos sejam realmente brasileiros.

Pra mim, o Barcelona tentou ensinar que: tudo bem, existem alguns “gênios”, mas nada se consegue sem trabalho árduo. Isso se prova pelo fato de que na história do time catalão, houve um incômodo com a derrota de um time de base e a lição que tiraram desde então foi: Vamos estudar um fundamento, o passe.

Claro que os mais imediatistas diriam que o problema é a grana, ou qualquer coisa assim…mas acredito na história e no investimento.

Eu diria ainda que isso não se restringe ao futebol, mas a todos os campos do Brasil que parecem ter como gramado a ideia de que  o Brasil teria alguma coisa especial, que é abençoado, que é maravilhoso, que é do futuro, etc.

Samba da minha terra.

setembro 28, 2011 2 comentários

Quem nao gosta de samba bom sujeito nao é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé. O preconceito musical ataca toda forma de vanguarda ao mesmo tempo que o povo abraça e eterniza sua forma de expressão.

Meu Julgamento do caso Zeca Camargo e o Panico na TV .

setembro 19, 2011 1 comentário

A principio, quero dizer que sou a favor do programa Pânico na tv de ter o direito de fazer esses tipos de brincadeiras, e acho-as mais profundas do que parece.
Muito vejo, em compararem o Pânico e CQC, sempre rotulando o Pânico de qualidade inferior culturalmente, como se o CQC fosse mais culto, inteligente, e erudito. Bem, eles usam aqueles ternos copiados dos argentinos, e isso não muda nada.

O CQC é uma fórmula de humor muito boa, e o seu elenco realiza um trabalho ímpar, e a comparação com o pânico alem de incoerente, é infundada, Melhor seria comparar com o Caceta e Planeta, por exemplo, que eh no estilo Humor em formato jornalístico, com cunho político e comportamental de um determinado nível social.
O programa Pânico eh uma especie de catarse social contra a mídia. Eh uma forma de aversão a todos os padrões estabelecidos pela comunicação e seus principais alvos são falsa celebridades, estrelinhas, pessoas egoístas e excêntricas, que muito se importam com sua imagem e aparência e com o que os outros vão pensar. Geralmente, essas vitimas, julgam-se extremamente inteligentes, e de certa forma aos olhos de quem repara os zoons, um certo desprezo, nao pelo programa em si, mas por todos que assistem e gostam daquilo, isto eh, nos.
Na verdade, o castelo de areia da mídia vai por água a baixo quando um tipo de humor como o Pânico, invade a privacidade alheia, e provoca a ira dos seus participantes, justamente pare vendo-os irados, ter o seu destaque.
Mas com que finalidade querem irritar as falsas celebridades ? Porque pegaram no pé do Zeca e nao de qualquer outro qualquer la da globo, que acaba aposentando la pra record mesmo. A verdade é que essa gente é fingida, hipøcrita e esnobe, e quando a verdade é mostrada as duras caras vemos como são as pessoas.
Parece uma comparação idiota, para quem não atenta ao sermão da sexagenária do padre A.V. —- E justamente ao final de o Auto da compadecida, quando um Jesus se disfarça de mendigo pra pedir e medir assim a caridade do coração de um homem.
Nisso consiste as brincadeiras sem noção do Panico, que faz o mesmo papel de cristo, está ali para ser crucificado, porque, sinceramente, ali eles são entre eles mesmos mais avacalhados do que eles avacalham qualquer um. Se eles brincam sujo, permitem também que sejam respondidos a mesma altura.

Por exemplo, a mais genial resposta ao Pânico, ao senhor vesgo, foi da Gloriosa Dercy Gonçalves, que simplesmente respondeu sobre um comentário de maracujá de gaveta, simplesmente o que ela tinha vontade, e não o que um protocolo de comportamento social pré-estabelecido, mandou ele se fuder e cheirar o cu da mae dele pra ver se n tava mais azedo.
O apresentador Milton Neves em seu Twitter, manifestou que é inutil brigar com o Panico, na verdade, o que o Panico quer, é a briga.
O Zeca Camargo, acaba por alimentar a fome de sadismo desse publico.
é preciso humildade, deixar de ser esnobe, e brincar com os cara. No seu video de resposta, Zeca Camaro mostra algumas pessoas apoiando ele no momento, o que naturalmente acontece, afinal ele é uma celebridade, enquanto o rapaz, um anônimo pago pelo programa com a simples missão de irritar, difamar e denegrir.
Precisamos que o Fantástico, e Zeca Camargo, mostrem aos Domingos, um show de cultura POP, viagens pelos cantos do mundo, entrevistas com personalidades diversas, muito bom humor alegria, maquiagem e a pancinha escondidinha. Acho ainda, neste julgamento, que o CQC tenha o seu valor, aqui, na Argentina e em outros países, e que vá mesmo causar constrangimento a quem merece, a quem está a prejudicar o próximo. Só acho, que no caso de todos de mídia, não mexem na corrupção privada, não falam dos banqueiros, e das corrupçoes do mercado financeiro, escondem as tramóias das multinacionais, nem do Ricardo Teixeira mal se fala no Fantástico.
Eu acredito na transparéncia. E acho transparente vermos egos como o do Zeca Camargo, explodindo de ira, e mostrando sua verdadeira face, seu verdadeiro gênio, e como deixar escapar essa ? A sua verdadeira Pança.

O programa ainda, sugere, que escolhamos quem deve engordar até o peso de Zeca, dentre os participantes do elenco, e medir a circunferencia abdominal pra estipularem uma média do valor real do abdomen de Zeca Camargo, o que evidentemente é uma forma de mostrar como nós o público, somos crueis, estamos aqui para matar Van Goghs de Fome, queremos ver a casa pegando fogo. Quando o Zeca diz que o humor do Panico é sem criatividade, burro, ele nao ataca ao programa, mas ao Público, que em boa parte fica trocando de canal entre as emissoras, pois ninguem assiste a um só programa. De qualquer forma, aqui fica meu julgamento, e vou torcer muito pra essa polemica render muito ainda, e o Zeca continuar ae pagando micos.

Eis alguns depoimentos muito votados no youtube com positivos… dos quais apoio igualmente;

isso representa como os famosos são 2 caras,na TV eles são simpaticos e tal mas chega alguma otra pessoa na real e ele na realidade é todo grosso! po zeca aprende a brincar e come um docinhoooow :*o*

129az129 1 dia atrás 8 

Sobre as minhas franquezas

agosto 14, 2011 3 comentários

A vontade como força é variável em tamanho e intensidade, como qualquer outra possível existência. Como submete-se aos caprichos humanos, a pobre vê-se vezes tão pequena que some atrás de lágrimas, vezes grande que se impõe acima dos punhos.

Até o ponto que sei meu corpo é feito de carne e ossos, e até onde creio saber tudo o que se passa pela minha cabeça vêm de uma consciência racional. Somos assim, os humanos, não somos? Esses saquinhos de sangue e fibra com algo que alguns chamam de alma, outros de mente…  Como algo independente de corpo e mente, e até onde posso saber, livre, não posso culpar a ninguém que não seja a mim mesmo quando vejo minha vontade submeter-se aos momentos amargos e desaventurados nos campos que me foram negados conhecer. Talvez maior tenha sido a falta do aconchego de um pai, ou da sobra de um que o tentava substituir. Mas o passado não é mesmo nada que possa modificar o futuro… Talvez sejam os vetores, sim, minha tristeza e meu engano. Talvez eu não precise ter, mas me vejo em prantos precisando ao menos entender o que fiz nos meus tempos inocentes para merecer a saudade de algo que hoje me parece ou fazer falta, ou excesso…

Mais uma vez me vejo desejando um gênio, ou uma garrafa… O que me desse, de forma mais imediata, possíveis segundos de não ser mais quem sou. Humano, fraco, projeto de filho…

Existe Deus?

agosto 6, 2011 27 comentários

Recentemente tive a oportunidade de viver um sonho infantil de andar de “montanha russa” em um parque de São Paulo que ficou conhecido há algum tempo por algumas tragédias resultantes de falta de reparos na estrutura dos brinquedos.

No entanto, mesmo com toda essa má fama, o parque estava tão lotado que a fila para chegar ao “meu brinquedo querido” demoraria mais de uma hora, segundo indicava uma placa.

Com isso, tive tempo para devanear, como de costume quando me vejo em: viagem, ônibus, lavando louça, escutando música… e o tema? Existe Deus?

Fique pensando sobre meus temores e dúvidas que preenchem minha cabeça desde que eu tinha meus 5 anos e chorava quando não conseguia acreditar no que minha mãe dizia: “Você vai pro céu, meu filho, existe algo além”. Pois é, eu já duvidava disso.

Pensei, pensei e tentava não pensar, pois nunca chego a uma explicação que acalente minha desconfiança. Deus seria uma força? Uma energia presente desde os átomos? Seria uma invenção para fazer as crianças – e os adultos – não entrarem em desespero? Um enigma contra o caos na sociedade? O resultado de uma marca constituinte dos primórdios da civilização?

Enfim eu me vejo, depois da fila enorme, subindo na montanha e ainda pensando sobre isso. Quando finalmente chega a hora em que o brinquedo está a um instante de descer a toda velocidade, as seguintes palavras saem da minha boca: “Ai meu Deus do céu!!!!!!!”

Estou com preguiça, só copiei e colei um trabalho para a cadeira de filosofia…

Bruno Dorneles da Silva

Introdução a Filosofia A – 2011/01

Profº Eros de Carvalho

 

 

O homem amoral, o psicopata, o desinteresse e a moralidade

                Para que não haja nenhum desentendimento entre os conceitos, se faz necessário analisarmos o que Thomas Hobbes entende e como ele diferencia o homem amoral do homem desinteressado pela lógica moralista.

Para o filósofo, o homem amoral seria aquele cuja existência não passa perto do círculo moral, cuja pessoa tem interesse em cultivar apenas seus próprios interesses, desconsiderando a existência do interesse alheio, e cujos fins certamente justifiquem os meios para a obtenção do que se quer. O homem amoral deve viver basicamente sem fazer juízos morais. Assim como não deve se sentir culpado, não deve culpar (ou sentir mágoa de) ninguém por nada. Além disso, ainda, o homem amoral não se considera melhor do que ninguém, já que entende que ser melhor o faria chegar a conclusão de que certas disposições e atitudes são mais valiosas ou saudáveis à sociedade. Já o homem desinteressado moralmente está mais próximo daquele que responde “Dê-me uma razão para fazer alguma coisa; nada tem sentido”, cuja existência não representa nenhum perigo para as bases racionais da moral e de quem apenas podemos esperar falas e atitudes que demonstram desesperança e a necessidade de ajuda.

Como personagem ausente do círculo moral, o verdadeiro problema imposto pela simples existência do homem amoral seria a natureza da escolha. Como se não houvessem, naturalmente, um sistema moral que independe da sociedade e da criação do ser humano. Se comprovadamente existisse, o homem amoral seria capaz de mostrar aos outros que a moral é uma escolha, e não uma regra sem exceções.  Como um parasita, o homem amoral porta máscaras que o auxiliam a viver em um mundo moral, de onde ele tira seu sustento e seus prazeres. Ele vive e reconhece o sistema moral, entende que a universalização de seu hábito tornaria a sociedade insuportável e de sobrevivência mais difícil. Como desenvolvimento máximo de sua idéia, Hobbes alega que o homem amoral seria aquele que não se importa com o bem-estar dos outros e, se isso for levado até suas últimas conseqüências, estaríamos muito próximos da imagem do serial killer. E diante deste personagem, a tentativa de trazê-lo para o círculo moral seria descabida. Alegando então a existência de outro personagem cujas ações poderiam ser consideradas amoralistas e cuja imagem estaria minimamente distante do serial killer, o filósofo chega ao gângster. Na sua imagem, Hobbes projeta o que ele acredita ser a base da moralidade, quando surgida “do nada”:

 

“Pois ele tem a noção de fazer algo por alguém, e de fazê-lo movido pelo fato de essa pessoa precisar de ajuda. Na verdade, ele trabalha com essa noção somente quando esta com vontade; mas ela não é em si mesma a noção de estar com vontade. Mesmo que ele ajude essas pessoas somente porque quer, ou porque gosta delas, e por nenhuma outra razão (não que essas excelentes razões precisem ser corrigidas), o que ele quer é ajudá-las em suas necessidades; o pensamento que lhe vem quando age assim é ‘eles precisam de ajuda’ e não ‘eu gosto deles e eles precisam de ajuda’. Essa é uma questão central: tal homem é capaz de pensas nos interesses alheios, e só não consegue ser um sujeito (parcialmente) moral porque apenas esporádica e caprichosamente se dispõe a sê-lo”

Thomas Hobbes. O homem amoral, p. 15-16.

                Mesmo entendendo uma suposta decisão quase moral do gângster, Hobbes afirma que despertar a compaixão e estendê-la para os desconhecidos não faria da imagem amoral um exemplo de moralidade, e sim apenas um domínio precário. Para o filósofo apenas a compaixão e o entendimento das necessidades do próximo não seriam suficientes para fazer que alguém adentre o campo da moralidade, mas que este modelo se presta a sugerir que, tendo compaixão, não é necessário atribuir ao personagem nenhum tipo fundamentalmente novo de pensamento ou experiência.

Chegando ao escopo de uma possível solução ao homem amoral, Hobbes argumenta que as concepções morais mais fundamentais fazem parte de uma esfera humana tão densa e enraizada que está fora do alcance humano manipulá-las ou expurgá-las em quais quer circunstâncias. Para Hobbes, a raiz da questão moral pode ser traduzida como uma teoria psicológica. Fazendo parte da natureza humana, a moralidade estaria intrinsecamente entrelaçada no futuro e nas decisões dos homens, como uma forma de controle previsto em função daqueles capazes de entendê-las.

 

Bibliografia utilizada:

 

O homem amoral – Hobbes, Thomas

O básico da filosofia – Warburton, Nigel

Novo codigo florestal.

Quanto tempo. Sou o Zé, seu colega de ginásio, que chegava sempre atrasado, pois a Kombi que eu pegava no ponto perto do sítio atrasava um pouco. Lembra, né? O Zé do sapato sujo. A professora nunca entendeu que eu tinha de caminhar 4 km até o ponto da Kombi, na ida e na volta, e o sapato sujava.
Lembra? Se não, sou o Zé com sono… hehe. A Kombi parava às onze da noite no ponto de volta, e com a caminhada, eu ia dormir lá pela uma, e o pai precisava de ajuda para ordenhar as vacas às 5h30, toda manhã. Dava um sono. Agora lembra, né, Luís?
Pois é. Tô pensando em mudar aí com você.
Não que seja ruim o sítio, aqui é uma maravilha. Muito mato, passarinho, ar bom. Só que acho que tô estragando a vida de você, Luís, e de teus amigos aí na cidade. Tô vendo todo mundo falar que nós, da agricultura, estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio do pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a meia hora aí da Capital, e, depois dos 4 km a pé, só 10 minutos da sede do município. Mas, continuo sem luz porque os postes não podem passar por uma tal de APPA que criaram aqui. A água vem do poço, uma maravilha, mas um homem veio e falou que tenho que fazer uma outorga e pagar uma taxa de uso, porque a água vai acabar. Se falou, deve ser verdade.
Pra ajudar com as 12 vacas de leite (o pai foi, né …), contratei o Juca, filho do vizinho, carteira assinada, salário mínimo, morava no fundo de casa, comia com a gente, tudo de bão. Mas, também veio outro homem aqui, e falou que se o Juca fosse ordenhar as 5:30 tinha que receber mais, e não podia trabalhar sábado e domingo (mas, as vacas não param de fazer leite no fim de semana). Também visitou a casinha dele, e disse que o beliche tava 2 cm menor do que devia, e a lâmpada (tenho gerador, não te contei !) que estava em cima do fogão era do tipo que se esquentasse podia explodir (não entendi… ?). A comida que nós fazíamos juntos, tinha que fazer parte do salário dele. Bom, Luís, tive que pedir pro Juca voltar pra casa, desempregado, mas protegido agora pelo tal homem. Só que acho que não deu certo, soube que foi preso na cidade roubando comida. Do tal homem que veio proteger ele, não sei se tava junto.
Na Capital também é assim, né, Luís? Tua empregada vai pra uma casa boa toda noite, de carro, tranqüila. Você não deixa ela morar na tal favela, ou beira de rio, porque senão te multam ou o homem vai aí mandar você dar casa boa, e um montão de outras coisas. É tudo igual aí, né?
Mas agora, eu e a Maria (lembra dela? casei) fazemos a ordenha as 5:30, levamos o leite de carroça até onde era o ponto da Kombi, e a cooperativa pega todo dia, se não chove. Se chove, perco o leite e dou pros porcos.
Até que o Juca fez economia pra nós, pois antes me sobrava só um salário por mês, e agora, eu e Maria temos de sobra dois salários por mês. Melhorou. Os porcos, não. Pois também veio outro homem e disse que a distância da pocilga até o Rio não podia ser 20 metros e tinha que derrubar tudo e fazer a 30 metros. Também tinha que colocar umas coisa pra proteger o Rio. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, e, sozinho, ia demorar uns trinta dias, só que, mesmo assim, ele me multou, e pra pagar, vendi os porcos e a pocilga, fiquei só com as vacas. O promotor disse que, desta vez, por este crime, não vai me prender, e fez eu dar cesta básica pro orfanato.
Ô, Luís, aí, quando vocês sujam o Rio, também pagam multa, né?
Agora, a água do poço posso pagar, mas tô preocupado com a água do Rio. Todo ele aqui deve ser como na tua cidade, Luís, protegido, tem mato dos dois lados, as vacas não chegam nele, não tem erosão, a pocilga acabou…. Só que algo tá errado, pois ele fede e a água é preta e já subi o Rio até a divisa da Capital, e ele vem todo sujo e fedendo aí da tua terra.
Mas, vocês não fazem isto, né, Luís? Pois, aqui, a multa é grande e dá prisão.
Cortar árvores, então, vige. Tinha uma árvore grande que murchou e ia morrer, então, pedi pra eu tirar, aproveitar a madeira, pois até podia cair em cima da casa. Como ninguém respondeu aí do escritório que fui, pedi na Capital (não tem aqui não), depois de uns 8 meses, quando a árvore morreu e tava apodrecendo, resolvi tirar, e veja, Luís, no outro dia já tinha um fiscal aqui e levei uma multa. Acho que desta vez me prendem.
Tô preocupado, Luís, pois no rádio deu que a nova Lei vai dar multa de R$ 500,00 a R$ 20.000,00, por hectare e por dia!, da propriedade que tenha algo errado por aqui. Calculei por R$ 500,00 e vi que perco o sítio em uma semana. Então, é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia, pois não tem multa aí. Tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei das coisas por ter certeza que a Lei é pra todos nós.
E vou morar com você, Luís. Mas, fique tranqüilo, vou usar o dinheiro primeiro pra comprar aquela coisa branca, a geladeira, que aqui no sítio eu encho com tudo que produzo na roça, no pomar, com as vaquinhas, e aí na cidade, diz que é fácil, é só abrir e a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisar de nós, os criminosos aqui da roça.
Até, Luís.
Ah, desculpe, Luís, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas não conte pra ninguém até eu vender o sítio.
Nota: todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.