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Sobre as minhas franquezas

agosto 14, 2011 3 comentários

A vontade como força é variável em tamanho e intensidade, como qualquer outra possível existência. Como submete-se aos caprichos humanos, a pobre vê-se vezes tão pequena que some atrás de lágrimas, vezes grande que se impõe acima dos punhos.

Até o ponto que sei meu corpo é feito de carne e ossos, e até onde creio saber tudo o que se passa pela minha cabeça vêm de uma consciência racional. Somos assim, os humanos, não somos? Esses saquinhos de sangue e fibra com algo que alguns chamam de alma, outros de mente…  Como algo independente de corpo e mente, e até onde posso saber, livre, não posso culpar a ninguém que não seja a mim mesmo quando vejo minha vontade submeter-se aos momentos amargos e desaventurados nos campos que me foram negados conhecer. Talvez maior tenha sido a falta do aconchego de um pai, ou da sobra de um que o tentava substituir. Mas o passado não é mesmo nada que possa modificar o futuro… Talvez sejam os vetores, sim, minha tristeza e meu engano. Talvez eu não precise ter, mas me vejo em prantos precisando ao menos entender o que fiz nos meus tempos inocentes para merecer a saudade de algo que hoje me parece ou fazer falta, ou excesso…

Mais uma vez me vejo desejando um gênio, ou uma garrafa… O que me desse, de forma mais imediata, possíveis segundos de não ser mais quem sou. Humano, fraco, projeto de filho…

Estou com preguiça, só copiei e colei um trabalho para a cadeira de filosofia…

Bruno Dorneles da Silva

Introdução a Filosofia A – 2011/01

Profº Eros de Carvalho

 

 

O homem amoral, o psicopata, o desinteresse e a moralidade

                Para que não haja nenhum desentendimento entre os conceitos, se faz necessário analisarmos o que Thomas Hobbes entende e como ele diferencia o homem amoral do homem desinteressado pela lógica moralista.

Para o filósofo, o homem amoral seria aquele cuja existência não passa perto do círculo moral, cuja pessoa tem interesse em cultivar apenas seus próprios interesses, desconsiderando a existência do interesse alheio, e cujos fins certamente justifiquem os meios para a obtenção do que se quer. O homem amoral deve viver basicamente sem fazer juízos morais. Assim como não deve se sentir culpado, não deve culpar (ou sentir mágoa de) ninguém por nada. Além disso, ainda, o homem amoral não se considera melhor do que ninguém, já que entende que ser melhor o faria chegar a conclusão de que certas disposições e atitudes são mais valiosas ou saudáveis à sociedade. Já o homem desinteressado moralmente está mais próximo daquele que responde “Dê-me uma razão para fazer alguma coisa; nada tem sentido”, cuja existência não representa nenhum perigo para as bases racionais da moral e de quem apenas podemos esperar falas e atitudes que demonstram desesperança e a necessidade de ajuda.

Como personagem ausente do círculo moral, o verdadeiro problema imposto pela simples existência do homem amoral seria a natureza da escolha. Como se não houvessem, naturalmente, um sistema moral que independe da sociedade e da criação do ser humano. Se comprovadamente existisse, o homem amoral seria capaz de mostrar aos outros que a moral é uma escolha, e não uma regra sem exceções.  Como um parasita, o homem amoral porta máscaras que o auxiliam a viver em um mundo moral, de onde ele tira seu sustento e seus prazeres. Ele vive e reconhece o sistema moral, entende que a universalização de seu hábito tornaria a sociedade insuportável e de sobrevivência mais difícil. Como desenvolvimento máximo de sua idéia, Hobbes alega que o homem amoral seria aquele que não se importa com o bem-estar dos outros e, se isso for levado até suas últimas conseqüências, estaríamos muito próximos da imagem do serial killer. E diante deste personagem, a tentativa de trazê-lo para o círculo moral seria descabida. Alegando então a existência de outro personagem cujas ações poderiam ser consideradas amoralistas e cuja imagem estaria minimamente distante do serial killer, o filósofo chega ao gângster. Na sua imagem, Hobbes projeta o que ele acredita ser a base da moralidade, quando surgida “do nada”:

 

“Pois ele tem a noção de fazer algo por alguém, e de fazê-lo movido pelo fato de essa pessoa precisar de ajuda. Na verdade, ele trabalha com essa noção somente quando esta com vontade; mas ela não é em si mesma a noção de estar com vontade. Mesmo que ele ajude essas pessoas somente porque quer, ou porque gosta delas, e por nenhuma outra razão (não que essas excelentes razões precisem ser corrigidas), o que ele quer é ajudá-las em suas necessidades; o pensamento que lhe vem quando age assim é ‘eles precisam de ajuda’ e não ‘eu gosto deles e eles precisam de ajuda’. Essa é uma questão central: tal homem é capaz de pensas nos interesses alheios, e só não consegue ser um sujeito (parcialmente) moral porque apenas esporádica e caprichosamente se dispõe a sê-lo”

Thomas Hobbes. O homem amoral, p. 15-16.

                Mesmo entendendo uma suposta decisão quase moral do gângster, Hobbes afirma que despertar a compaixão e estendê-la para os desconhecidos não faria da imagem amoral um exemplo de moralidade, e sim apenas um domínio precário. Para o filósofo apenas a compaixão e o entendimento das necessidades do próximo não seriam suficientes para fazer que alguém adentre o campo da moralidade, mas que este modelo se presta a sugerir que, tendo compaixão, não é necessário atribuir ao personagem nenhum tipo fundamentalmente novo de pensamento ou experiência.

Chegando ao escopo de uma possível solução ao homem amoral, Hobbes argumenta que as concepções morais mais fundamentais fazem parte de uma esfera humana tão densa e enraizada que está fora do alcance humano manipulá-las ou expurgá-las em quais quer circunstâncias. Para Hobbes, a raiz da questão moral pode ser traduzida como uma teoria psicológica. Fazendo parte da natureza humana, a moralidade estaria intrinsecamente entrelaçada no futuro e nas decisões dos homens, como uma forma de controle previsto em função daqueles capazes de entendê-las.

 

Bibliografia utilizada:

 

O homem amoral – Hobbes, Thomas

O básico da filosofia – Warburton, Nigel

Coringa, a figura do maldito

     A Sociedade, enquanto um único indivíduo, rege uma série de conceitos que refletem no indivíduo singular, célula do corpo regente. Como resultado de um padrão tecido pela maioria, em uma lógica de natureza democrática, a massa passa a responder de forma similar entre seus iguais, formulando assim uma cadeia de comportamentos que são distribuídos entre seus habitantes para que cada célula cumpra um determinado papel dentro do todo. Muitos cumprem papeis comuns e alguns até chegam a cumprir papeis de subversão. Mas são os mais afortunados (e, por assim dizer, amaldiçoados) que sobram papeis cuja função é a de questionar o sistema de funções. E uma teoria que pode parecer com uma incitação a qualquer tipo de radicalização socialista ou anarquista, se transporta a uma realidade cuja regra máxima de valor deriva da palavra “indiferença”, pois apenas aqueles capazes de serem alheios a qualquer tipo de ideologias, aqueles capazes de optar pelo estado pleno do meio, que enxergam o mundo através de um véu de mediocridade, são capazes de fazer quaisquer perguntas que carreguem em si a ínfima chance de receber uma resposta cuja essência derive de qualquer verdade. Quase como servindo de exemplo, Jostein Gaarden² elabora a figura do nosso maldito: a figura do Coringa. Dentre tantas cartas QUASE iguais, entre rainhas e copas e reis quase iguais, existe em todo o baralho apenas um coringa. Apenas uma carta destinada ao papel do personagem que consegue ser o salvo-conduto de todo o barulho, a peça que carrega consigo a habilidade de reavaliar decisões e remedir chances de vitória. Por fim, o único papel capaz de virar o jogo, a favor de quem? Não sabemos…

     Como bônus ao cumprimento de seu papel, o Coringa é aquele a quem foi reservado o direito de ser indivíduo (individual). A quem foi prenotada a liberdade de construção de um lugar incomum à cidade da massa. E sob a vista de ninguém, nem mesmo a de Deus, ele o faz. Constrói para si, usando o conhecimento coletivo, uma cidade que apenas ele reconhece. Um exercício comodista e apático, características obrigatórias para a construção de uma cidade cujas ruas convergem em apenas um fim: o sentido dado pelo criador. Um exercício onde o homem se faz capaz de experimentar o verdadeiro poder da onipotência divina.

Sobre a liberdade de expressão e o princípio do dano

Sexta-feira dia 1º de Abril (de 2011!) estive em um pequeno debate sobre o deputado estadual Jair Bolsonaro (eleito pelo PP do Rio de Janeiro), o filho da puta preconceituoso indivíduo que andou dando declarações para lá de, se não escandalosas, indiscretas… a verdade é que a discussão teve alguns momentos ímpares, mas no geral foi tão saudável quanto fazer vinte minutos de esteira por dia… Depois da discussão, repensei o assunto e decidi escrever um e-mail para os outros dois participantes, afim de esclarecer que eu também sou contra o Jair Bolsonaro, por que isso pode não ter ficado tão claro quanto eu supus no fim da discussão, e que, por mim, ele que vá para a forca tomar no cu =)
Bom, vamos ao e-mail… 

Vejam bem que eu acordei hoje com a nossa discussão de ontem na cabeça, então decidi jogar algumas coisas no google. Gostaria de começar este e-mail com a campanha política do Bolsonaro, mas não achei =/ e o site dele é uma porcaria (mas está aqui: http://www.bolsonaro.com.br/jair/bolsonaro2011.htm). Então decidi que o mais sensato a fazer não é descobrir a origem do problema, e sim falar sobre ele, já que não é preciso provar nenhum tipo de maus princípios para admitirmos que ele seja um crápula.Como eu disse a vocês repetidas vezes, infelizmente ele se agarra a um direito garantido em constituição. Para informar, achei primeiramente a constituição Portuguesa sobre liberdade de expressão, mas só fui perceber que era de Portugal depois de ver que ela estava bem redigida demais, e o endereço era “.com.pt”. Então procurei a constituição brasileira e a achei aqui:

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Infelizmente está inteira, então recortei as parte que fala sobre liberdade de expressão e imprensa. A partir de agora copio e colo:
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TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO IDOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; 

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

CAPÍTULO V
DA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.
§ 3º – Compete à lei federal:
I – regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada;
II – estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
§ 4º – A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.
§ 5º – Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.
§ 6º – A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade.
Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Existem duas coisas importantes para se notar aqui: 1º a lei divide o conceito de “liberdade” em “de expressão” e “de imprensa”, assegurando força ao argumento do Lucidio que disse que ele não poderia falar isso por ser um homem público. De fato ele TERIA o direito assegurado de pensar e até falar o que bem entendesse, mas deveria apresentar um decoro em certas situações, como as de imprensa. A 2ª é o problema do “TERIA”. Não fica claro na nossa constituição qualquer alusão a separação de liberdade de expressão  a não ser em sua divisão textual. Pois vejam bem o artigo 4º e 9º dos “DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS”… eles asseguram, sob quaisquer circunstâncias, o direito de se manifestar. Porém, a mesma lei que garante ao indivíduo seu direito de falar, esclarece as conseqüências que isso pode vir a implicar, vide artigo 5º e 10º dos mesmos direitos. Resumindo, o que eu falei ontem: nossa constituição fede e é mal escrita =) (de acordo com vários filósofos brasileiros, a constituição serve de prova à importância da filosofia gramatical)

Agora eu gostaria de propor uma explicação sobre o que falávamos ontem, sobre o claro exemplo do André de que liberdade nem sempre pode ser aplicada, tendo de ser contextualizada. Existe um filósofo chamado Stuart Mill que escreveu “O Princípio do Dano”. Stuart foi um dos liberalistas ingleses mais famosos do século 19 e esse seu escrito (o princípio do dano) serviu de base para muitas leis sobre liberdade de expressão. Resumidamente, e ponha resumidamente nisso, a idéia é a seguinte:

«o objectivo deste ensaio é asseverar um princípio muito simples, que se destina a reger em absoluto a interacção da sociedade com o indivíduo no que diz respeito à coacção e controlo, quer os meios usados sejam a força física, na forma de punições legais, quer a coerção moral da opinião pública. é o princípio de que o único fim para o qual as pessoas têm justificação, individual ou colectivamente, para interferir na liberdade de acção de outro, é a autoprotecção. é o princípio de que o único fim em função do qual o poder pode ser correctamente exercido sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra a sua vontade, é o de prevenir dano a outros. o seu próprio bem, quer físico, quer moral, não é justificação suficiente. uma pessoa não pode correctamente ser forçada a fazer ou a deixar de fazer algo porque será melhor para ela que o faça, porque a fará feliz, ou porque, na opinião de outros, fazê-lo seria sensato, ou até correcto. estas são boas razões para a criticar, para debater com ela, para a persuadir, ou para a exortar, mas não para a forçar, ou para lhe causar algum mal caso ela aja de outro modo. para justificar tal coisa, é necessário que se preveja que a conduta de que se deseja demovê-la cause um mal a outra pessoa. a única parte da conduta de qualquer pessoa pela qual ela responde perante a sociedade, é a que diz respeito aos outros. na parte da sua conduta que apenas diz respeito a si, a sua independência é, por direito, absoluta. sobre si, sobre o seu próprio corpo e a sua própria mente, o indivíduo é soberano.»
[john stuart mill, “on liberty”].
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Ou seja, Mill diz claramente o que nós três concordamos: a liberdade de um deve ir até a liberdade do outro! Pena que os constituintes brasileiros parecem não conhecer Mill, preferindo, ao invés de proibir a coesão, simplesmente dizer que ela pode ser punida. Sobre o princípio do dano e a liberdade de expressão, recomendo a leitura, ao menos o começo dela, deste texto: http://criticanarede.com/html/ed109.html é em um site de filosofia MUITO BOM, e ali ele expressa até mesmo os problemas e equívocos de algumas partes d”O princípio do dano”.
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Para finalizar um e-mail chato que pode não ser levado a sério, nem ao menos lido, trago boas notícias: http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/03/29/oab-rj-quer-cassacao-de-bolsonaro-por-quebra-de-decoro-parlamentar-no-caso-dos-gays-e-negros/ e indico este vídeo, o mais inteligente que vi falando sobre Bolsonaro: http://www.youtube.com/watch?v=5UbKujKHg2s
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Eu fico imaginando a vida do assessor de imprensa do Bolsonaro… coitado…
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Um enorme abraço para vocês. Agradeço pela discussão que me foi muito útil, e que me fez perceber o pouco valor que deve ser dado à lei em alguns casos.
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Att.
Bruno Dorneles da Silva
Categorias:Defeito Colateral

A passividade nossa de cada dia

março 17, 2011 3 comentários

Eu não lembro ao certo se já falei sobre isso aqui no blog, mas caso já tenha dito, digo novamente! O assunto é a passividade do ser humano, ou, ao menos, a ideia que temos sobre ela.

Eu e uns amigos estávamos sentados em um bar na cidade baixa (boteco tipo exportação, se não me engane) e a conversa tomou um rumo que nos fez chegar ao assunto de ser bom ou ruim e essas coisas sabem? No mesmo dia eu tinha conversado com um deles sobre, e uns tempos atrás tinha conversado com a amiga que também estava na mesa. O engraçado sobre essa ideia de passividade que muitas pessoas perseguem é que elas nãos e flagram de que é uma via de mão única. Você dá, mas não recebe (até talvez por isso se chame de passividade). As pessoas são generosas, educadas, anfitriãs, humildes e o caralho, mas não notam que são as únicas ao seu redor capazes de tal esforço. Outra coisa bacana é que a pessoa passiva tende a tomar ciência de suas ações e se fazer de coitada, incriminando o mundo como sendo único culpado por todas suas desgraças. O sujeito SE fode, mas joga a culpa nos outros. Mas vejamos bem por que ele se fode: a grande questão de tentar ser bonzinho e decente o tempo todo é que a grande massa nota esse comportamento, e como seres humanos imperfeitos que somos, costumamos tirar vantagem dessas pessoas. Pode ser mínimo, como pedir um copo d’água porque se tem preguiça de buscar, até esforços extremos e completamente desnecessários. Mas a culpa maior, sendo bem sincero com vocês, é do passivo. Na grande maioria das situações cotidianas que eu consigo imaginar, o passivo sempre tem escolha, nunca sendo forçado a fazer algo que vá contra sua vontade. Mas ele sempre acaba engolindo, talvez por educação, talvez por esperar que o mesmo seja feito por ele mais tarde…

O que eu gostaria de deixar claro é que não prego um mundo onde a ignorância e o individualismo sejam bases de toda e qualquer sociedade. Mas acho que já podemos largar esses ideais de educação que não nos cabem mais, não é? Vejam bem… é exatamente como a ideia de saber dar valor às pessoas certas: quando você aprende a guardar rancor e a odiar algumas pessoas, você automaticamente aprende a dar valor às pessoas que valem alguma coisa para você. É como uma reação a uma ação, simples assim. Vejam que ser super educados é como ter um grande imã de aproveitadores de todas as naturezas ao seu redor, você acaba sempre atraindo alguém que lhe enxerga como otário.

Minha solução, para você que costuma ser muito gentil e não consegue se imaginar praticando o mal para alguém, é que passe a se imaginar =) Mas falando sério, pessoal. É bom gritar quando se sente injustiçado, é bom jogar na cara de alguém sua ignorância, é revigorante ver que você pode causar desconforto para alguém… só assim você poderá morrer conhecendo todas as máscaras escondidas por baixo de seus doces “bom dias” e sorrisos de escritório.

DEIXEM DE DAR, E PASSEM A COMER!!! (vocês não acreditaram que fiquei o texto inteiro falando “passivo” sem imaginar alguém dando o cu, né?)

 

Minha opinião sobre a Massa Crítica Portoalegrense

Em um status de facebook, deixei clara minha opinião sobre a Massa Crítica, e em poucas palavras. Somando a este fato a falta de um texto meu no blog, decidi copiar e colar.

 

Sobre o termo “massa crítica”: Realmente, o conceito coloquial de “massa” em si já explicita uma mentira: eles não são, nem de longe, uma maioria. E criticidade, sempre acreditei na crítica como uma maneira prudente de argumentar, e não pegar panelas, apitos e gritar no meio da rua…

 

Sobre a tal massa em si: O fato mais triste, e por que não o mais pobre, de toda situação, é notar que no final das contas tanto se fala e tanto se tenta fazer apenas por que a notícia tomou proporções nacionais. De forma corriqueira se fala sobre acidentes fatais com motoboys nas grandes cidades e de responsabilidade no trânsito. Ao invés de “lutarem” por isso, vejo pessoas que expõe cartazes onde um carro é signo de uma arma de fogo e onde o extremismo se faz presente, como qualquer outra forma de “protesto” que tem como lastro um pouco de revolva socialista e muitas, mas muitas, falácias e problemas diversos de lógica.

 

No final, vejo os mesmos problemas ideológicos de sempre. Casos isolados que queimam feito pólvora e torna irrelevante cada atitude tomada, por que tudo vira cinza sem deixar nada de útil para ser estudado. A urgência do extremismo só torna óbvia sua prepotência e sua incompetência. Só espero que não entendam que sou contra qualquer tipo de passeata e que desejo o mesmo mau para todos os metidos a rebeldes que atrapalham as ruas de Porto Alegre… Se mudanças são necessárias, usem as mesmas armas que apontam para vocês, só assim se tem uma luta justa. Virar a mesa e falar mais alto nunca adiantou, não adianta e nunca vai adiantar… você continuará perdendo na cabeça do vencedor.

Quando muita se fala e pouco se faz

fevereiro 9, 2011 2 comentários

Apesar do título, este texto não tem por objetivo angariar odes de horror contra a hipocrisia básica daquelas pessoas que falam, falam mas que não agem.

Acontece que, em Porto Alegre, aumentaram o valor da passagem urbana de R$ 2,45 para R$ 2,70. Acontece que fizeram passeatas por causa disso e acontece que está chovendo e o ócio come meus órgãos…

Uma coisa que me deixa curioso sobre essas passeatas de protesto é que as pessoas me deixam claro que elas ainda acreditam que passeatas adiantam de algo… Vocês já perceberam? As tentativas, falhas umas atrás das outras, ainda não as ensinaram que até mesmo o poder público brasileiro já desistiu de aplicar mudanças de maneira plana e branda. Nossa última lei aplicada ao trânsito: Lei Seca. Ela é simples e clara: pegou sujeito mamado? vai preso! (o.k. sabemos que a teoria é linda e a prática é torta, mas o que quero deixar claro aqui é a pretensão). O poder público está nos deixando claro que, até para eles, a tolerância tem que ser ZERO.

Tolerância para que? No final das contas, a tolerância te deixa com a cara que você já tem: um povo acomodado que não faz. E quando faz, não muda nada! É um ciclo vicioso que, se vocês ainda não perceberam, só os puxa cada vez mais para baixo. Mas porque ser contra a tolerância? não é assim que nos tornarmos bárbaros? não seria com o fim da tolerância o começo do caos público? pois é que seria! mas do que a ordem tem vos adiantado?

A alguns tempos atrás, a Carris (nossa querida empresa de transporte público porto-alegrense) alegava que não existia possibilidade de aumentar a frota de ônibus do bairro Restinga, em Porto Alegre. E vocês sabem que bastaram dois ônibus queimados para que eles aumentassem a frota consideravelmente? A acomodação da empresa, sentada em seu trono de monopólio, não faz mais do que o correto para seus negócios: aumentam os preços e mantém a “qualidade” do que já tem, afim de cobrir um suposto aumento de gastos e um possível aumento nos lucros. Não podemos culpá-la por tomar uma decisão que faz bem aos negócios. Isso seria como esperar que você não possa vender seu carro por que você dá carona a um colega de emprego. O interesse maior é do dono, o carona e sua vida não fazem parte dos problemas do proprietário, como a vida dos usuários não faz parte dos problemas da vida dos donos da Carris. Não sejamos TÃO hipócritas: vamos aceitar que eles tem o direito de tomar decisões que julguem o melhor para seus negócios.

Por que a partir do momento que admitimos sua liberdade de aumentar os preços das passagens, podemos admitir nossa liberdade de fazermos o que bem entendermos nas ruas. Se quisermos queimar um ônibus ou dois, só para lembrá-los que se pretendem aumentar os preços, que ao menos nos ofereçam um serviço de maior qualidade ou nos justifiquem de outros meios o aumento das passagens!

A verdade é que hoje em dia temos discursos tão inflados sobre amor, paz e sociedade, que esquecemos que todos nós temos um médico e um monstro dentro de nós. Tentamos cada dia mais trancafiar um monstro quando, na verdade, deveríamos doutriná-lo para que possa ser usado para o nosso bem-querer. Acho que já podemos parar de fingir que somos civilizados quando sabemos que nossa civilidade só o que faz é arriar nossas calças para meter os punhos no nosso cu, né?

Mas no final, não esperem de mim a iniciativa para nos erguermos e queimarmos algo. Não faço isso e não é assim que eu coopero para que um dia vocês deixem de ser a merda que vocês são. O meu trabalho, o que eu faço para cooperar com a causa de uma sociedade com a qual eu minimamente me importo, é escrever. Na esperança de despertar em vocês algo que eu tenho desperto em mim, e que a mim faz muito bem. Libertem seus demônios e usem sua fúria para fazer algo mais do que falar e ver suas opiniões sendo destroçadas no momento que um prefeito sansiona uma lei.

Como já dizia o sábio V: não é o povo que deve temer seu governo, é o governo que deve temer seu povo.