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Santos do futebol

dezembro 18, 2011 Deixe um comentário

 

A final de futebol interclubes do mundo – Barcelona versus Santos – serviu mais uma vez pra derrubar essa idéia de que existiria alguma coisa pré determinada na história genética do brasileiro que o levaria a ter o dom com a bola nos pés.

O povo vive procurando um novo herói, um novo Pelé, pensando no dom futebolístico e rezando pra que Deus e todos os Santos sejam realmente brasileiros.

Pra mim, o Barcelona tentou ensinar que: tudo bem, existem alguns “gênios”, mas nada se consegue sem trabalho árduo. Isso se prova pelo fato de que na história do time catalão, houve um incômodo com a derrota de um time de base e a lição que tiraram desde então foi: Vamos estudar um fundamento, o passe.

Claro que os mais imediatistas diriam que o problema é a grana, ou qualquer coisa assim…mas acredito na história e no investimento.

Eu diria ainda que isso não se restringe ao futebol, mas a todos os campos do Brasil que parecem ter como gramado a ideia de que  o Brasil teria alguma coisa especial, que é abençoado, que é maravilhoso, que é do futuro, etc.

Existe Deus?

agosto 6, 2011 27 comentários

Recentemente tive a oportunidade de viver um sonho infantil de andar de “montanha russa” em um parque de São Paulo que ficou conhecido há algum tempo por algumas tragédias resultantes de falta de reparos na estrutura dos brinquedos.

No entanto, mesmo com toda essa má fama, o parque estava tão lotado que a fila para chegar ao “meu brinquedo querido” demoraria mais de uma hora, segundo indicava uma placa.

Com isso, tive tempo para devanear, como de costume quando me vejo em: viagem, ônibus, lavando louça, escutando música… e o tema? Existe Deus?

Fique pensando sobre meus temores e dúvidas que preenchem minha cabeça desde que eu tinha meus 5 anos e chorava quando não conseguia acreditar no que minha mãe dizia: “Você vai pro céu, meu filho, existe algo além”. Pois é, eu já duvidava disso.

Pensei, pensei e tentava não pensar, pois nunca chego a uma explicação que acalente minha desconfiança. Deus seria uma força? Uma energia presente desde os átomos? Seria uma invenção para fazer as crianças – e os adultos – não entrarem em desespero? Um enigma contra o caos na sociedade? O resultado de uma marca constituinte dos primórdios da civilização?

Enfim eu me vejo, depois da fila enorme, subindo na montanha e ainda pensando sobre isso. Quando finalmente chega a hora em que o brinquedo está a um instante de descer a toda velocidade, as seguintes palavras saem da minha boca: “Ai meu Deus do céu!!!!!!!”

O homem de palha

junho 7, 2011 2 comentários

Vestimo-nos de palhaço ao menos uma vez na vida.

Há quem faça disso uma profissão, um prazer, uma caridade. É o desejo de ver o outro se divertir ao olhar para os malabarismos, tropeços, vestidos grotescos e gracejos.

Existe um dom nisso: não é fácil fazer o outro sorrir! Isso é tão verdade que não raro, as crianças têm é medo do palhaço. É fácil cogitar o porquê quando imaginamos uma cena em que um adulto está pintado de cores gritantes e um pó branco borrado, falando e rindo alto, com um nariz vermelho como se estivesse inflamado a ponto de explodir, além de ter comportamentos bizarros e espantosos!

Realmente, não é fácil ser palhaço. Ser um personagem que lembra um “homem de palha” a espantar os pássaros da lavoura – isso parece com o palhaço espantando crianças que voltam correndo pro colo dos pais – tornando-se engraçado por ser geralmente mal feito ou então por não servir a função alguma: os pássaros deixam de ter medo e passam a bicá-lo até que ele se destrua, ou então, dormem eu seu braço mortalmente estendido.

Ri-se de um palhaço por saber que as bobagens que ele comete poderiam ser cometidas, ou já foram, por nós e nos aliviamos prazerosamente ao não estarmos naquele papel. Ri-se do erro cotidiano, da falha que estamos sempre aptos a cometer. Ri-se de si mesmo.

Mas rir não é a única saída: pode-se chorar nesse erro, pois parece que cada vez mais o erro não é uma saída. Então estaria aí a função do palhaço? Ele permitiria um espaço para que nós pudéssemos rir, quando não podemos mais? Ou então, ele seria um reflexo do nosso maior temor?

O que parece permanecer intacto é o fato de que todos nós já nos vestimos de palhaço e ainda vamos nos vestir. Vamos rir ou chorar?

Categorias:Crônicas da vida

Quem precisa de um Tiririca quando temos o Jair Bolsonaro?!

maio 7, 2011 3 comentários

O deputado federal Jair Bolsonaro do Partido Progressista do Rio de Janeiro, diz que o próximo passo do STF será a legalização da pedofilia. Ele afirma isso como crítica à decisão do STF de ter reconhecido a união estável entre homossexuais.

Interessante não? Colocar a escolha de um parceiro sexual diferente da lógica “homem/mulher” ao lado da pedofilia.

O que mais esperar de uma pessoa que diz publicamente ser a favor da tortura “pro cara abrir o bico” e pensa que somos seres instintuais – pois quem acredita que o “núcleo familiar” deve ser composto unicamente por um homem e uma mulher, só pode estar vinculado a um posicionamento biologizante, ou então à idéias aristotélicas acerca da incompletude feminina, que esperaria a “bondade” de um homem para se ver “perfeita”.

Talvez eu esteja superestimando nosso caro político ao considerar que ele reflita sobre essas coisas. Então, acho simplesmente que deve haver um posicionamento militar: leia-se regido por regras inquestionáveis que eu não sei de onde vêm.
Sim, ele próprio é adepto de um regime militar no Brasil. Grande! Aplausos! É uma verdadeira PIADA!
Afinal de contas, quem precisa do palhaço tiririca quando temos o bolsonaro?

“Onde estará o meu amor”?

 

Em última análise, nossa tentativa foi um elogio de ambas as partes

Pois, reconhecemos o valor do outro

O problema é que o amor parece precisar de alguma coisa inapreensível,

De uma imagem! Esta, que é muito, mas muito rara!

É ela que dá energia pra superar tudo: “não importam as diferenças, nós nos amamos”!

… e duas pessoas de ressaca, amor cansado…

Acredito que estávamos com os olhos turvos, não só de lágrimas

E isso deixa tudo mais difícil.

No fim, nem toda a razão disponível conseguiu focar o que deveria estar em foco:

uma imagem, a imagem que toca em algum lugar da alma e sabe Deus o Porquê.

 

 

Elo

março 25, 2011 2 comentários

 

Eu sabia que deveria ter fechado os olhos, mas não pude

Ela bem que deveria ter apagado as luzes, e não apagou

Pareceu premeditado, um crime programado, como se tivesse pensando:

-Vai ficar tudo entranhado nessa pobre alma.

Assim, tirá-la de mim é impossível

Mas não é ela, não pode ser!

Há uma nuvem opaca, revertida por contornos que doem a alma a cada curva!

Cada detalhe tem um gosto, cada gesto tem uma cor, um corpo.

Ela sou eu quando não estou em mim, querendo estar acordado e nunca conseguindo.

Eu sou ela quando não vejo,

“Ela”, escuridão clara, ofuscante.

Homus Economicus

março 22, 2011 7 comentários

Se você é uma pessoa que gosta de curtir a vida e sair com os amigos de vez em quando, como eu, pode se assustar com essa conta que pensei outro dia e que tem até me ajudado a parar de fumar. 
A última coisa que quero aqui é entrar em méritos morais sobre como cada pessoa leva sua vida. O que pretendo mesmo é pensar financeiramente, pois pode ser útil. Também não sou nenhum matemático, então pensei em uma conta relativamente baixa e simples:

– Todo mundo merece sair ao menos uma vez na semana e ir a algum lugar – esses geralmente cobram entrada. Nesse lugar, você ainda bebe. Então, pensemos que se você sair apenas uma vez na semana, pagar 10 reais para entrar e consumir umas 4 a 5 cervejas, você gasta em média RS 40,00 (conheço gente que gasta R$ 100,00 por noite e mais de uma vez na semana);

-Se você é um cara que fuma, como eu, pensemos numa carteira de 4 reais por dia (visto que você pode fumar menos, mas pode escolher uma carteira mais cara, ou então, no fim de semana, um monte de amigos fumam do seu cigarro).

Só isso! Quero me ater somente nessas três coisas: entrada de festa (10 reais é barato hein), cigarro (cigarro mais ou menos) e cerveja (sem incluir outras bebidas).

Por mês, você irá gastar R$ 120,00 em cigarro e R$ 160,00 em cerveja e entradas. Somando dá: R$ 280,00. Barato? Acho que não.

Multiplicando por 12 meses a conta sobe para R$ 3.160,00 por ano. Em 5 anos, você pode comprar um carro (R$ 15.800,00)! Melhor do que isso, se esse dinheiro for investido em bolsa de valores, pode aumentar exponencialmente.

Pensemos assim: ninguém vai ficar 5 anos sem dar umas saídas, mas quando não o fizer poderia se recompensar se dando essa grana não gasta, não é?

Isso tudo pode significar um grande prazer, condordo, mas estive pensando seriamente em testar essa economia. Enfim, a questão aqui é só compartilhar o óbvio que a gente não vê. No final das contas, isso é o que Bourdieu chama de poder simbólico: uma reprodução sem conhecimento, ou nas suas próprias palavras, “restituir à doxa seu caráter paradoxal”.