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O dia do chamado.

Hoje eu sou um Padre. Lembro me com muito gosto o modo gozado como fui conhecer o senhor Cláudio Barradas. E isso denota não um simples fato, mas um dos primordiais acontecimentos no meu traçado pelo mundo. Em um dia Santo, como todo Domingo,o Dia do Senhor, resolvi acordar cedinho, tomar um café da manhã reforçado, aonde morava, na Marambaia, médice. Bairro aconchegante e arborizado, aonde viveram por longo tempo meus avós maternos e ali criaram a família que hoje tenho.

Neyde, minha avó costumeiramente levava os filhos e o marido, sobretudo aos domingos à missa. Hábito severamente cultivado.

Acordo e decido que devo visitar a paróquia pela manhã, e divulgar minhas aulas de música, com desconto para membros da comunidade onde minha avó foi lider social durante tantos anos.

 clau

Sua história de luta abraçava inclusive as classes trabalhadoras, e movimentos sociais de esquerda, como os primeiros anos do PT, e apoio social e de caridade ao MST, e demais…

Pois, fui e pouco esperei até que ouvi barradas soltar umas palavras de baixo calão para  um padre, mas normais para o nosso dia… Mandou que eu entrasse. Tomou e me serviu suco de acerola, e me perguntou o que fazia ali.

Então disse lhe disse tudo. O curioso eh que o Padre Barradas se animou com a  história e revelou seu célebre passado. Me mostrou um libro feito por alunos da Universidade Federal do Pará, com registros de sua história farta como ator de radio, tv e teatro paraense; Praticamente pioneiro na região Norte.

Bem, quando falei que conhecia o padre para outras pessoas, me disseram que ele antes era  uma bichona e que era um porra louca… enfim, isto entra como nota curiosa e nada que difame a real imagem de  um bom padre que ele é.

Ele então me mostrou alguns de seus contos, todos muito curtinhos, geralmente de 3 ou 4 parágrafos, mas de teor apimentado; Um que lembro o conteúdo, era de um jovem que se acostumou a toca noite coçar um pouquinho o pinto, não era masturbação, uma cocerinha no pênis, que toda noite antes de durmir ele fazia que o ajudava a pegar no sono. Cultivou esse hábito ao longo de toda vida, e perdeu o pinto por conta de um cancer, com mais idade. A partir de então ele não mais conseguiu durmir, e passou a procurar outros lugares pra coçar , como o mamilo, por  exemplo.

Mas afinal, perguntou o Padre, o que queres de mim, não me lembro de ter te visto na Missa um só único Domingo.

Sou Neto, de Neyde Araujo Montoril Nunes, imagino como Pároco aqui no Médice 2  o senhor saiba de quem falo. Lógico que sabia. Mas insistiu no fato de eu não ir a missa. Eu respondi; Não tenho religião.  Tu és católico, não fostes batizado ? Não rezas pai nosso no Natal com tua familia ?

Mas Padre, o senhor não está entendendo, eu sou ateu inclusive. O fato de ser ateu faz com que não sejas neto de sua avó ? A base do catolicismo é a Familia, e sem familia não ninguém entra ou sai do catolicismo. A não ser que o senhor faça algo de muito grave, não serás excomungado e morrerá como membro da Santa Igreja.

Só pude depois disso, pedir minha benção e se retirar. Nunca mais vi o Padre Claudio Barradas. Na internet quase nada tem de informação sobre a carreira de ator deste homem. Ele tem um histórico de mais de 40 anos de produções independentes no norte de país, um legítiimo gênio das artes cênicas, que encara agora o último personagem de sua vida. Que nada mais é, o que ele realmente sempre  foi, um Homem de Deus.

claudio

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  1. Jonny
    abril 13, 2011 às 12:31

    ANO – 2010

    …Troppo: Como foi sua transição dos palcos para o sacerdócio?

    Barradas – Vejo o sacerdócio como mais um papel – por sinal um dos mais difíceis, mas, também, um dos mais fascinantes – que me cabe interpretar, no palco da vida. E, como sempre tenho feito no teatro, procuro interpretá-lo o melhor que posso: com toda a alma, com eficiência, criativamente. O teatro me limou, me preparou para o sacerdócio. E o sacerdócio, por sua vez, ilumina e fortifica o teatro que faço…

    …Barradas – “Estou pronto e aberto para tudo. O que vier eu traço”

    “… Troppo: Quais seus projetos para daqui adiante?

    Barradas – Lembrando Fernando Pessoa, que está certíssimo, – ‘Não te programes que não és futuro’. Que projetos pode ter um sujeito como eu, à porta dos oitenta e, portanto, praticamente com o pé na cova, senão não ter projeto algum? Minto, pois tenho um projeto, sim, um só: agarrar, com unhas e dentes, cada hoje meu, que bem pode ser o último, e extrair dele, com o máximo de sofreguidão, até o que ele não tem para me oferecer.”

    http://www.orm.com.br/projetos/oliberal/interna/default.asp?modulo=439&codigo=426067

    Padre Cláudio de Souza Barradas – Vigário episcopal da Região Santa Cruz – Pároco da Paróquia Jesus Ressuscitado – Médici I.
    (Data nascimento: 04/01/1930 – Ordenação: 25/01/1992)

    E-mail: pjrbarradas@ig.com.br
    http://www.arquidiocesedebelem.org.br/interno/paroquias_abrir.php?idparoquia=18

    “… Ele tem um histórico de mais de 40 anos de produções independentes no norte de país, um legítimo gênio das artes cênicas, que encara agora o último personagem de sua vida…”

    Eternidade – Origem: Wikipédia –
    Eternidade é um conceito filosófico que se refere no sentido comum ao tempo infinito; ou ainda algo que não pode ser medido pelo tempo, porquanto transcende o tempo. Se entendermos o tempo como duração com alterações, sucessão de momentos, a Eternidade é uma duração sem alterações ou sucessões.

    “Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?” Friedrich Nietzsche
    “O que você vai dizer quando parar, olhar para trás e se perguntar: que diferença eu fiz?”

    “… Há, em nosso íntimo, algo de superior, de nobre, de divino, que não poderá ser destruído nem terminar no fundo dos sepulcros!… O que é constituído de músculos, de nervos e de ossos, tem duração limitada, está sujeito às contingências da matéria e do aniquilamento: o pensamento, porém, que se irradia do cérebro, sem deixar vestígios, tal qual a luz solar que não possui combustível conhecido, é sempre inesgotável, como o são as mais excelsas aspirações humanas, que ninguém poderá suster nem exterminar!…” (Dor Suprema – Victor Hugo)

    A morte encerra a existência física, palpável e concreta das condições humanas, mas é incapaz de apagar o passado e as realizações. Os ideais de um homem sobrevivem ao tempo, alguns mais e se tornam imortais, outros menos e resguardam-se nas memórias mais próximas.

  2. rodrigonunesouza
    abril 18, 2011 às 17:18

    Salve salve Barradas !

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