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A passividade nossa de cada dia

Eu não lembro ao certo se já falei sobre isso aqui no blog, mas caso já tenha dito, digo novamente! O assunto é a passividade do ser humano, ou, ao menos, a ideia que temos sobre ela.

Eu e uns amigos estávamos sentados em um bar na cidade baixa (boteco tipo exportação, se não me engane) e a conversa tomou um rumo que nos fez chegar ao assunto de ser bom ou ruim e essas coisas sabem? No mesmo dia eu tinha conversado com um deles sobre, e uns tempos atrás tinha conversado com a amiga que também estava na mesa. O engraçado sobre essa ideia de passividade que muitas pessoas perseguem é que elas nãos e flagram de que é uma via de mão única. Você dá, mas não recebe (até talvez por isso se chame de passividade). As pessoas são generosas, educadas, anfitriãs, humildes e o caralho, mas não notam que são as únicas ao seu redor capazes de tal esforço. Outra coisa bacana é que a pessoa passiva tende a tomar ciência de suas ações e se fazer de coitada, incriminando o mundo como sendo único culpado por todas suas desgraças. O sujeito SE fode, mas joga a culpa nos outros. Mas vejamos bem por que ele se fode: a grande questão de tentar ser bonzinho e decente o tempo todo é que a grande massa nota esse comportamento, e como seres humanos imperfeitos que somos, costumamos tirar vantagem dessas pessoas. Pode ser mínimo, como pedir um copo d’água porque se tem preguiça de buscar, até esforços extremos e completamente desnecessários. Mas a culpa maior, sendo bem sincero com vocês, é do passivo. Na grande maioria das situações cotidianas que eu consigo imaginar, o passivo sempre tem escolha, nunca sendo forçado a fazer algo que vá contra sua vontade. Mas ele sempre acaba engolindo, talvez por educação, talvez por esperar que o mesmo seja feito por ele mais tarde…

O que eu gostaria de deixar claro é que não prego um mundo onde a ignorância e o individualismo sejam bases de toda e qualquer sociedade. Mas acho que já podemos largar esses ideais de educação que não nos cabem mais, não é? Vejam bem… é exatamente como a ideia de saber dar valor às pessoas certas: quando você aprende a guardar rancor e a odiar algumas pessoas, você automaticamente aprende a dar valor às pessoas que valem alguma coisa para você. É como uma reação a uma ação, simples assim. Vejam que ser super educados é como ter um grande imã de aproveitadores de todas as naturezas ao seu redor, você acaba sempre atraindo alguém que lhe enxerga como otário.

Minha solução, para você que costuma ser muito gentil e não consegue se imaginar praticando o mal para alguém, é que passe a se imaginar =) Mas falando sério, pessoal. É bom gritar quando se sente injustiçado, é bom jogar na cara de alguém sua ignorância, é revigorante ver que você pode causar desconforto para alguém… só assim você poderá morrer conhecendo todas as máscaras escondidas por baixo de seus doces “bom dias” e sorrisos de escritório.

DEIXEM DE DAR, E PASSEM A COMER!!! (vocês não acreditaram que fiquei o texto inteiro falando “passivo” sem imaginar alguém dando o cu, né?)

 

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  1. Jonny
    março 22, 2011 às 17:52

    “… Mas vejamos bem por que ele se fode: a grande questão de tentar ser bonzinho e decente o tempo todo é que a grande massa nota esse comportamento, e como seres humanos imperfeitos que somos, costumamos tirar vantagem dessas pessoas. Pode ser mínimo, como pedir um copo d’água porque se tem preguiça de buscar, até esforços extremos e completamente desnecessários. Mas a culpa maior, sendo bem sincero com vocês, é do passivo…”

    ________________________________________________________________________

    Existem pessoas despreparadas para viver bem a vida e que são sobrecarregadas pelos outros por ingenuidade e ignorância e não sabem realmente dizer não. É aí que a coisa fica mais complicada quando esse tipo de gente ouve um simples não… É encrenca na certa!

    Devemos também ficar mais cautelosos com outro tipo de gente que age com toda essa “bondade”, por mera falsidade, um teatro para esconder um temperamento totalmente oposto ao que demonstram socialmente, pois são racionais e calculistas. É uma forma fácil que eles usam para conquistar a confiança de todos facilmente, pois não têm nenhum tipo de sentimento bom para com os outros. Gostam deles mesmos, não sabem o que é amar, não sentem dó, não são humildes, nem generosos, muito menos carinhosos e afetuosos. Quando demonstram sentimentos bons, é só mais uma forma de manipular para conseguir algo com isso.

    Outro sintoma desses seres “bonzinhos” que muita gente não percebe é a inveja. Na maioria das vezes dizem que não invejam nada nem ninguém, ou que apenas sentem uma “inveja boa”. Na verdade desejam sempre o mal às outras pessoas traçando planos para arruinar a vida delas. São egocêntricos e vaidosos e mentem para atingir os seus objetivos.

    Eu estou sempre atenta a esses sinais, desconfio e analiso todas as pessoas que demonstram ser muito educadas, muito bondosas e muito inofensivas. Eu prefiro desprezar quem tem essa capacidade para convencer que são assim. Eu tenho por hábito dizer que essas criaturas são literalmente perigosas na vida de muitas pessoas desavisadas.

    Lamentavelmente muitas pessoas não entendem ou ainda não aprenderam que é só através do nosso posicionamento sincero expondo nossos sentimentos é que seremos respeitados. Eu sei dizer não, logo eu tenho dignidade. Dizer não é o nosso limite. O que eu sinto é importante. É fundamental que a gente possa decidir o que é bom e ruim para nós e o que a gente quer e o que a gente não quer fazer. Quando eu não quero alguma coisa, é muito fácil eu dizer não, e da mesma forma que eu aprendi a dizer não para várias pessoas, eu também sei ouvir um não com a mesma calma.

    Enquanto vivermos vários desafios vão surgir, e ouvir um não faz parte da vida. Pode ser desagradável, mas o importante é saber lidar com esse sentimento de rejeição, e se a gente não souber viver a vida certamente ela não vai fluir. A vida é muito mais leve quando a gente se propõe a estar sempre do nosso lado. Eu estou sempre me dando forças para eu continuar a ser o que eu sou. Eu acredito que só podemos sentir felicidade quando levamos a nossa vida a sério.

  2. Jonny
    março 22, 2011 às 18:07

    “… DEIXEM DE DAR, E PASSEM A COMER!!! (vocês não acreditaram que fiquei o texto inteiro falando “passivo” sem imaginar alguém dando o cu, né?)”

    ______________________________________________________________________

    “… Os romanos antigos também cultuavam o gosto pela virilidade, expressão livre da sexualidade, e nutriam ódio em relação à passividade que correspondia a servidão, papel que caberia unicamente a escravos (DOVER, 1994; CATONNÉ, 2001)…”

    “…Os papéis ativo/passivo consistem num aspecto problemático que, geralmente, angustia os homens que se aventuram nos limites que separam a homossexualidade da heterossexualidade. A intactabilidade do ânus se traduz por macheza e, por conseguinte, no critério que diferencia os homens ativos dos homossexuais passivos. Logo, o sujeito que, na relação sexual com outro, se permite passivo, é tido como desvirilizado e passa a ser desqualificado enquanto cidadão…”

    “…Todavia, a depender do ângulo de percepção, essas condutas se confundem, pois, falar em comportamentos passivos ou ativos é semelhante a decidir se um copo com água até a metade está meio cheio ou meio vazio (SCHAFER apud GRANÃ, 1996). Assim, considerada a observação acima citada, daqui em diante, quando se fizer necessário, os termos ativo e passivo deveriam ser aspados…”

    “…No mundo contemporâneo, Parker (1991: 88) entende que “… o homem é capaz de preservar sua identidade masculina, devido ao seu desempenho do papel ativo […] assim como o viado sacrifica sua identidade masculina adotando o papel sexual passivo”. Nessa perspectiva, Cáceres (1999) diz que a relação sexual entre dois homens é entendida como impossível sem que um deles cruze os limites do simbólico que possibilita esse contato, e, assim, não perca sua condição de varão…”

    “…Estas afirmativas reforçam a noção do poder de hierarquização do “ativo” sobre o “passivo”. Entretanto, esses parâmetros não parecem seguros para analisar a conduta homoerótica. Pode-se questionar o porquê de se considerar que apenas um dos parceiros cruza esse limite do simbólico? Então seria a relação sexual um fenômeno unilateral? Uma vez que os homossexuais passivos nem sempre abrem mão das características masculinas. Sendo assim, parece mais coerente admitir que ambos os parceiros homoeróticos rompem a barreira que separa o heterossexual do homossexual. Daí, é irrelevante querer saber quem, nessa interação, se coloca “passivo” ou “ativo”… ”

    “…Nesta sociedade e em algumas outras, o homoerotismo ainda suscita um ranço de anormalidade, em especial em relação ao “passivo”, uma vez que repudia o papel sexual e, às vezes, até a conduta social prescrita a pessoas do seu sexo biológico. Apesar disso, ele não abandona sua identidade masculina como acredita Parker. Nem mesmo o travesti deixa de ter consciência de que é um homem. Ele apenas faz de conta, da melhor maneira possível, de que é mulher. A identidade de gênero, entre outros, somente está em “desacordo” no transexualismo. Nesse sentido, Stoller (1982) afirma que o transexual não tem relação sexual com o sexo oposto, assim como não se interessa pelo seu genital, seja como símbolo masculino ou expressão erótica. Do contrário, o homossexual seja ou não travesti gosta de ter seu pênis e não o quer perder em hipótese alguma…”

    “…Parker (1991) salienta que na cultura brasileira quando o sujeito não consegue corresponder ao ideal masculino, é tratado de forma depreciativa, em oposição à imagem do machão e do pai, considerados “verdadeiros homens”. Assim, diante das exigências da sociedade, resta ao homossexual assumir o que sobra, isto é, no entender de Costa (1992), a figura do homem manque (do francês: incompleto, em falta e outros). Ainda na opinião de Parker, ao passivo se atribui o estatuto de meio-homem, conhecido como bicha (literalmente verme) ou viado, e esta expressão foi associada ao animal veado por ser mais frágil e delicado. Porém, de acordo com a Cartilha ABC dos Gays (1996), é somente no Brasil que se faz esta conversão…”

    “…No continente europeu, o veado representa a masculinidade e é símbolo de alguns países. Da mesma forma que o termo gay, surgido em 1960, nos Estados Unidos e na Europa, para substituir o vocábulo “homossexual”, por estar ligada ao crime e à doença etc, aqui também adquiriu conotação pejorativa…”

    “…As sociedades, em geral, esperam do indivíduo “normal”, do sexo biológico masculino que desempenhe o papel do seu gênero. Por conseguinte, “…será considerado patológico ou perverso o desejo sexual dirigido a outro objeto que não seja o corpo da mulher” (VILLELA, 1999: 201). No entanto, se for “ativo” e/ou provedor de prole, não deixa de pertencer ao grupo dos machos. Como diz Badinter (1992), ninguém ousa zombar de quem faz o papel ativo. Para esse imaginário, o sujeito passivo é incapaz da ereção e/ou da penetração, principalmente em relação ao sexo oposto. Na opinião de Costa (1994), de fato isso ocorre, mas quando se trata de homossexual heterofóbico…”

    Considerações Finais

    “…A maneira depreciativa de encarar a conduta homoerótica “passiva”, seja qual for a sua nomeação, tem perpassado os séculos. Dos gregos antigos aos dias atuais, se atribui poder hierárquico à dicotomia “ativo”/“passivo”, e uma suposta superioridade a quem desempenha o papel “ativo” (RIVERS apud PERLONGHER, 1987; Parker, 1991; Damatta, 1997; Bourdieu, 1998)…”

    “…As sanções recaem sobre aquele que se permite “passivo”. Desse modo, o bissexual ou homossexual “ativo”, da mesma forma que o homossexual “passivo” sem a “visibilidade do estigma”, não se tornam alvos diretos da discriminação. Portanto, a questão não é exatamente a “passividade”, mas, uma vez que adote essa postura, que não a torne visível. Do contrário, será submetido a perseguições explicitas ou veladas do seu meio social…”

    “…Os sujeitos de atitude e/ou conduta sexual ativa/passivo parecem confirmar o postulado freudiano da condição bissexual inata e da natureza plástica da sexualidade humana defendida por Cucchiari (1996), Berger & Luckmann (1997)…”

    “…Finalmente, durante milhares de anos, o homossexual “passivo” foi vítima da falta de hospitalidade devido à interpretação errônea da história de Sodoma e Gomorra, no entanto, o verdadeiro crime continua se repetindo diariamente (McNEILL apud FORCANO, 1996). Assim sendo, na “invisibilidade” do teatro subterrâneo em que o homoerotismo, geralmente fortuito e clandestino, se manifesta os ditos “passivos”, com os quais os “ativos” contracenam, deixam de existir, por vezes em definitivo, enquanto as cortinas dos objetivos michês, devido à complacência social, não fecham…”

  3. Jonny
    março 22, 2011 às 18:13

    NOTA

    Costa (1992) prefere o vocábulo homoerotismo que é, segundo ele, mais flexível e parece descrever melhor a pluralidade das práticas, além de excluir toda e qualquer alusão à doença, desvio, anormalidade, perversão etc., que a palavra “homossexual” denota.

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