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A importância do erro para o aprendizado.

A obsessão pela perfeição é um vício. A busca pela perfeição por outro lado é algo virtuoso. Até porque entre vícios e virtudes, temos a obsessão e a busca como duas medidas de valores.

Aquilo que se busca é aquilo que não se tem. Não buscamos os nossos olhos, porque estão conosco, mas buscamos uma visão mais profunda das coisas que não temos. Embora muitos optem pela cegueira ou por ignorar o que vêem. Não buscamos nossas pernas, pois fazem parte de nossos corpos, mas buscamos percorrer melhores caminhos. Embora muitos optem por andar em vão. Não buscamos o que está em nosso interior, buscamos sempre algo além. Embora muitos busquem em si toda a fonte da verdade.

Aos que buscam o que já possuem vivem uma falsa busca; Os que vivem sem nada buscar vivem uma vida pela metade.

Os obcecados por outro lado não sabem o que buscam; Alimentam suas ilusões e cultivam a infinita insatisfação.

Aprender é caracterizado por vários autores da pedagogia contemporânea como a mudança de comportamento. De um comportamento inábil e incompetente em determinado assunto, o oposto; Habilidade e Competência.

O acerto nessas buscas é o resultado final do trabalho de aprendizado. Antes de acertarmos temos de muitas vezes nos deparar com o erro, com nossas fraquezas, e diante delas vem possivelmente o maior dos desafios, o de encará-las como vencedores.
Tão difícil quanto saber vencer é saber perder. Tão difícil quanto saber acertar é saber como errar. Reconhecer o erro é o primeiro passo.
Quem muito me tem ensinado sobre isso é meu grande mestre Itiberê Zwarg, e meus alunos. Aprendo com as crianças tanto quanto aprendo com os sábios senhores.

O erro em muitas doutrinas é visto como um bicho que é condenável, mas a condenação do erro vindo de fora é inútil. Parece que estamos sendo alvo de perseguição.

Se alguém diz que faço algo errado, que estou me comportando mal, que sou incompetente ou inábil para determinada atividade, isso não surte o mesmo efeito de uma crítica interna. Quando percebo o ponto exato de minha fraqueza, pois só eu mesmo, ou o indivíduo em si, podemos saber o que se passa conosco.

O psicólogo não nos diz o que fazer, ele nos pergunta qual nosso problema. Não é com respostas que chegaremos ao resultado de nossas buscas, mas com questionamentos.

Errar é algo digno e humano. Repetir o erro conforme o ditado popular é burrice. A burrice é algo digno e humano e a consciência da burrice é de uma sabedoria socrática.

Errar é preciso para aprender, mas se não reconhecemos nossos erros, não haverá chances para que o vençamos. Perder é preciso.
Muitas vezes precisamos perder o que temos para que demos o devido valor. Muitas vezes precisamos pensar em nosso passado para que nos arrependamos sinceramente de nossos atos mal feitos. Se não fazemos isso, se nos tornamos obcecados em nós mesmos, estamos cavando um abismo de insatisfação, um labirinto sem destino. Estaremos condenados a vagar na solidão.

Não devemos portanto ter vergonha de nossos erros, devemos ter vergonha de nossa ignorância, de nossa insensibilidade, de nosso egoísmo, de nosso despreparo, mas de nosso erro, devemos ter consciência.

Devemos saber nossas limitações, internamente, para que não seja necessária a irresponsabilidade de nossos atos, e a conseqüência deles sobre inocentes.

Errei muito em minha vida, e continuo errando, por isso tenho aprendido tanto. Muito tenho ainda que errar, e muito terei ainda que aprender.

Proibir o erro, muitas vezes limita o acerto. Aprender com o erro é algo que faz surgir o novo. O malabarista um dia tentou levantar quatro bolas; Depois cinco, e em seguida seis, até que no sétimo; errou.
Caiu uma bola e a multidão se inquietou; E um barulho de reprovação ecoou por sobre a platéia e o picadeiro ficou desapontado. Quando no auge de seu erro, o malabarista levantou a bola com o pé e continuou o espetáculo. Ovacionado pelo erro e pela maneira que transformou isso num acerto.
Atualmente, ensinam-se nas técnicas de malabarismo a como se levantar com o pé as bolas.
Pois é assim que funciona, o erro leva ao novo. Ao acerto.
Nossa vida pode ser encarada, metaforicamente falando, como uma festa que damos; Numa festa muitos convidados entram, e entram também alguns penetras. Quando perceber que um penetra entrou, fiscalize se sua presença é necessária ou se ele está desequilibrando a estabilidade da festa.
Deste modo, mande os penetras embora, marque suas faces e lembre-se de nunca mais deixar que entrem em suas festas.
Assim é o erro em nossas vidas. Devemos errar para poder não errar de novo, com consciência. A razão e a lógica muito são eficientes em questões sociais, mas na vida, no improviso que pede o momento, devemos estar preparados pra lidar com erros e os transformá-los em acertos.
Peço à todos desculpas por ser tão chato, e errar tanto como escritor, e prometo que isso é para um dia me tornar melhor pessoa e escrever coisas que levem mais prazer e boas mensagens ao meu público leitor.
Aos meus amigos, só quero ensinar que muito tenho a aprender com vocês, com seus acertos e erros.

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