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Sobre a Wikipedia.

Um de meus preferidos escritores é o italiano Umberto Eco, e descobri, através da Wikipedia, que o meu querido tem uma coluna na UOL.

Ao certo é uma coluna que é quase um telefone sem fio, tal quais as primeiras obras de Dostoiévski que tanto me fizeram odiar precocemente tão genial autor.

Trata-se da tradução da tradução que sempre elimina pormenores malícias que só o idioma permite permear em um diálogo.

Umberto Eco escreve para o L´espresso, que por sua vez tem sua coluna traduzida para o New York Times, e por fim, traduzido para o nosso UOL.

Não sei por que diabos o UOL não paga um tradutor italiano, mas deixemos isso de lado, e lembremos que por muitos anos, os leitores de Dostoiévski e da literatura russa em língua portuguesa padeciam de péssimas traduções vindas do francês ou do inglês.

Lembro a primeira vez que li o Crime e Castigo, de uma tradução dessas de Pocket Book e a merda que achei do livro, desistindo antes das 10 primeiras páginas. Não vem ao caso.

O ideal é ir direto à fonte.

Umberto Eco escreveu dentre vários de seus artigos, e todos maravilhosos, um sobre a Wikipédia, o que me incentivou igualmente a dar o meu parecer.

O artigo traduzido em português se encontra no seguinte Link, e menciona a posição de Eco sobre a Wikipédia e a origem das informações da internet em geral.

Concordo em boa parte do que diz Eco, mas acho que ele se omitiu em dizer que a wikipedia possui artigos com fontes e sem fontes, e basta desacreditarmos o que não possui fontes.

Isto é, se uma declaração parece polemica, basta que vejamos de onde essa declaração foi retirada, se ela não indica a origem, naturalmente temos uma declaração de origem duvidosa.

E se o texto escrito então não é sequer do Umberto Eco ? Por acaso a culpa seria toda da UOL, ou do NY Times ou em Última Instância do L´espresso.Caberia ainda, se nenhuma dessas fontes fosse culpada de tal absurda hipótese apontar o próprio Eco, ou sua editora, da culpa, pagam um qualquer que escreve os textos e Eco apenas os corrige.

Sabemos que tal teoria conspiratória é completamente inútil, pois é Eco quem se pronuncia e se de fato o site fosse tão falho como aponta o artigo em suas possibilidades, não constaria na integra a opinião do próprio autor, mesmo que parcialmente negativa sobre a enciclopédia.

Ao certo, o autor comenta sobre ridículos boatos sobre sua vida pessoa serem falsos, mas ele esquece dizer que esses boatos carecem de fontes.

A Wikipedia muito mais útil é em nos indicar boas fontes do que em si servir de uma voz da verdade, e é isso que parece que não só o erudito se confunde.

Em outro artigo seu, embora declaradamente cético, informa sobre a utilidade das aulas de religião nas escolas, quando não centradas unicamente em doutrinar uma única corrente, mas sim que ensinam a diversidade histórica das religiões e os costumes dos povos. Concordo.

Ele mesmo é de uma geração que estudou aprendendo sobre a tradição religiosa cristã, e de certa forma, se aprofundou nessa temática. O que lhe faz atualmente um dos maiores intelectuais e escritores do mundo. No entando o que Eco esquece, é que uma formação DIACRÔNICA (histórica, aprendendo os fatos pela linearidade cronológica dos acontecimentos, isto é, da história para o presente) não resulta isoladamente o mesmo proveito de uma formação SINCRÔNICA(Analisarmos os eventos atuais de nossa cultura).

Se o que o diferencia dos demais intelectuais, é justamente a presença de Eco entre os jovens no meio virtual, deveria ele saber que assim como um jovem no mundo erudito que desconhece o porque que um Deus com cara de Elefante é menos ou igualmente ridículo à um Deus representado em forma de Pomba, o mesmo se dá pra um intelectual que não foi educado em diferenciar um Hard Core de um Death Metal, ou alguém que não sabe diferenciar EMOS de Grunges.

A cultura do passado e da tradição é de valor inestimável, e as diversas bifurcações dessas artes no nosso presente, embora lamentavelmente em proporções ridículas, fazem com que conclua o seu artigo como se essa medida da wikipedia e da internet fossem um problema sem solução.

Assim termina o seu artigo; “Então temos um sério problema que, por enquanto, não tem solução.”

Não vem ao caso, a solução são as fontes. A mídia impressa de mesmo modo poderia inventar infinitas versões, e as enciclopédias de papel poderiam naturalmente se contradizer sobre um mesmo tema ou serem infundadas, se não tivessem alguem se responsabilizando.

Devemos dar crédito tal na internet como em qualquer outro meio de comunicação naturalmente para o que tem crédito. Damos crédito ao texto de Eco para as fontes que as publicam e se houver alguma irregularidade saberemos qual foi a causa.
Se publicaram na wikipedia que Eco foi casado com alguem com quem nunca se casou, e não possuimos fontes para tal, é o mesmo que a revista Caras fazer o mesmo. E as revistas de fofoca costumam fantasiar muito a realidade da vida de celebridades em foco.

O caso é um preconceito ingenuo ou mesmo uma falta de cultura sincrônica nesse universo que talvez pra ele, não seja tão familiar quanto para meu sobrinho de 9 anos.

Sabemos astutos distinguir na internet o que é legítimo do que não é do mesmo modo que em qualquer outro meio de comunicação. No entanto temos uma vantagem.

Se atualmente a wikipédia possui muitos erros, esses erros são bem menores do que há 5 anos atrás, e igualmente, daqui a 5 anos teremos uma enciclopédia virtual muito melhor construída, independente do apelo à autoridade, como sugere como solução em um dos artigos.

A solução é simples, deixe que publiquem o lixo como lixo, e que publiquem o que é válido com fontes adequadas.

De tal forma, é muito proveitoso para o mundo virtual que uma erudição tão refinada venha ajudar a contruir nossa rede, e o próprio Umberto Eco poderia dedicar suas horas de ócio contribuindo para que a humanidade tivesse um acervo melhor elaborado no mundo virtual.

O problema, é que muitose escreve e pouco se aproveita, e provavelmente quase ninguém lerá meu artigo, e muito menos o nobre senhor Umberto Eco, de quem adoraria ouvir uma resposta, tal como adoro ler os seus livros.

Baudolino por sinal, é um dos melhores livros que tive em mãos na vida.

Esse artigo carece de fontes confiáveis.

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