Fragilidade Humana.

Christian Boltanski preparou uma exposição inédita que questiona a natureza e o sentido da humanidade. Além da instalação, que conta com um muro de armários enferrujados e roupas abandonadas em alinhamento simétrico, Boltanski prossegue com o projeto Les Archives du Coeur. Cada visitante poderá registrar as pulsações do seu próprio coração e, assim, fazer parte da imensa coleção permanente que o artista vem montando há mais de 5 anos.

Muita onda de fato, comparando nossa fragilidade às roupas, e as pilhas acabam nos lembrando ao holocausto. Arte contemporânea é uma maluquice muito doida mesmo, isso é indiscutível, há quem não goste, e há quem não entenda.

A arte não foi feita nesse caso nem para ser gostada, muito menos pra ser entendida, devemos apenas sentir a sensação que nos provoca tal catárse. Pilhas de roupas sendo jogadas ao ar, enfileiradas.

Descobri-me como artista quando percebi que dentro de mim abrigava um defunto, um morto. Quando me tornei um adulto, percebi que morava em mim uma antiga criança morta, de tal maneira, passamos a conviver com defuntos internos, de quando em vez, minha alma ressuscita ou imcorpora defuntos que já fui e em muitas outras se esquece de vez.

De tal forma, fica meu texto como uma modesta admiração à arte contemporânea, diante de um mundo que carece de arte. Coexistir com a cultura Pop de massa é uma tarefa árdua ao verdadeiro artista.

E eis que consigo um gancho de algo com algo que quero chegar. Quanto vale uma vida ?

Pois sim, responder o valor de uma vida humana, é responder o valor da humilhação, da falta de dignidade.

Outro dia fiquei sabendo de que amigos músicos meus foram abordados por policiais militares no centro do Rio de Janeiro, aonde algumas favelas estão recebendo obras do PAC, e por conta disso, tiveram o seu tráfico de drogas interrompido.

A abordagem, como de costume rotineiro no rio, é dada de maneira muito teatral e intimidadora, muito semelhante como os gangsters faziam para conseguirem cobrar uma taxa de proteção de suas vítimas, com fuzis apontados para a cara dos cidadãos, questionavam.
– Cadê o pó ? Vocês vieram aqui comprar droga que eu sei !

Bem, tapa na cara do jovem, revista e humilhação, e no fim, apenas sairam com 60 reais que eles tinham na carteira.
Saudades do tempo do ladrão de galinha, que roubava para matar a fome. Estes policiais que não são raridade nas cidades brasileiras, protegidos no anonimato de seus abusos de poder autoritário, sem maiores motivos abusam da honra dos cidadões inocentes. Nem um dos dois amigos meus, estavam irregulares ou fora da lei, ou sequer portavam qualquer tipo de droga.

O que fazer em um caso como esse ? Como podemos lavar essa roupa suja ? Nossa vida parece vítima de azares que o acaso pode nos pregar, e ainda devemos ouvir coisas como; Mas também, andando de noite por esses bairros era de se esperar.

Frases como essas, nos fazem aceitar o como é normal ser um simples pedaço de carne e não pessoas com vida e direitos.

Os policiais, que vivem basicamente de propina dos traficantes, não tendo mais trafico por conta das obras do PAC, ficam sem receber sua propina, então precisam cobrar dos traunsentes o dinheiro que não mais recebem.

Enquanto isso, os parisienses se deprimem com o sofrimento alheio, e criam para si um sofrimento próprio. Depressão parece ser doença de rico, porque o pobre não sofre desse mal.

O abuso de poder autoritário é algo tão comum entre os homens, que podemos exemplificar como playboys saem por ai surrando aleatoriamente pessoas em paradas de ônibus, em geral trabalhadores.

Os jovens que queimaram o índio estão todos presos, mas pelo que parece um deles, passou em um concurso público e ganha mais de 10 mil por mes dentro da cadeia.

“No meu tempo sair para queimar um era só fumar um baseado.” Disse sobre o senador Cristovão Buarque, que antes trabalhava no colégio Objetivo em Brasília, local do incidente. Não sei a legitimidade da declaração mas soa com sentido.

A vida humana não tem tanto valor na prática, parecemos roupas lançadas ao ar, e o melhor que fazemos é tentar ser felizes apesar dos pesares.

O que podemos fazer além de esperar a alegria de um gol para melhorar nossos dias ? Mas mesmo assim, o juiz nos rouba descaradamente os títulos que parecem em nossas mãos.

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  1. melina
    fevereiro 5, 2010 às 11:18

    n acredito na confiabilidade de nada que seja virtual, mal, mal as edições anteriores da Veja! rs

  2. melina
    fevereiro 5, 2010 às 11:20

    Gostei de ler esse texto de baixo pra cima!

  3. rodrigonunesouza
    fevereiro 5, 2010 às 13:55

    É impressão minha ou o comentário é pro texto de cima ? auhauhauahuahau

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