A Verdade.

O homem sempre chega mais tarde às verdades mais simples, como diria Johann W. Goethe;”A verdade é um facho terrível todos experimentamos aproximarmos-nos dela, mas com enorme receio de queimar-nos.

Ta bom, qual a verdade sobre a existencia na bucha? Eu não posso dizer. Mas Bundinguinha pode.
QUEM ?

Bundinguinha du bacabal, que mora no Alto do Curvelo ali no Morro do Macaco. Pois acuma é que pode, meu rei, a sabedoria decidir morar em um corpo tão completo de vícios. O aluno que queria se impor ao professor na disputa teológica, sugeriu que fossem redarguir a verdade então com o tal. Vamos até o bundinguinha, se o senhor diz professor que a verdade está com ele.

Subiram todos os alunos então em um ônibus, em um dia de busca ao tal Bundinguinha, que afinal, era o filosofo maior de todos os tempos. Bundinguinha du bacabal, era mais do que um simples filosofo, era, filologo, linguista, jurista, e um poliglota. Muito admirado em todo meio internacional acadêmico, escritor de mais de 1350 obras traduzidas em 320 idiomas. Vencedor do Premio Nobel de Literatura, pelo romance “Lençois Limpos”. Os alunos o seguiam e o caçavam de lapis em punho e o professor bradava;- Cacem o urso polar !

Bundinguinha apareceu e disse, respondo tudo na bucha, pergunte e é papo reto. Não perca meu pouco tempo.

– O que é a verdade Mestre Bundinguinha ?

– A verdade é uma palavra com significado tão variado como qualquer palavra. Qual o tipo de significado específico esperas que saia da minha boca nobre infantil ?

– ÓÓÓÓÓÓÓÓHHHH ! — Quero que me digas a verdade, sobre nossas vidas.

– A verdade sobre suas vidas é que as desperdiçam com tolices. a VERDADE É O COQUEIRO.

O coqueiro que balançava no horizonte de luz impressionista, um purpura e um laranja, uns pontilhados tortos de luz natural, e o coqueiro era a verdade da existencia e a água de coco o maná divino. Bungundinha disse, vou dar um mergulho.

Bungundinha tirou a camisa e pulou de calção de banho na água do mar. Brincava com seu corpo pelas ondas, e os alunos de caderno na mão e uniforme suado, entreolhavam-se não entendendo. É isso professor que é a verdade ?

E aonde estava a verdade era que o professor estava já na água, os outros alunos não se contiveram e sem uma reunião formal se atiraram todos na água. Bungundinha mergulhou e só subiu depois de 3 minutos, impressionando a todos.

O aluno, o único que sobrou esperava com os olhos cheios de ira, e o lapis agarrado ao punho. Bungundinha, você não tem pra onde fugir ! Eu exijo sua resposta.

Qual a razão da existencia ?

– MOLEQUE ! NÃO ENCHO O SACO ! –

Tomado de fúria Bungundinha flutuou sobre as águas e um vento forte em forma de redemoínho o elevou aos ares e todos ficaram muito impressionados.

– ÓÓÓÓÓÓÓÓHHHH !

– Catedráticos de plantão solenidade em nome de Jupter e Vênus, para pronunciar a verdade sagrada devo eu proferir um ritual sagrado, miraculoso, divino, superaltoastral e du caralho.

“A VERDADE É O COQUEIRO ! ”

No mesmo momento ele disse ACORDA ! e bateu palmas, o aluno voltou à realidade.
Estava bungundinha na sua frente, dizendo que tudo é passivel de doutrinação de comportamento. Acabei, eu, o mestre maior Bundinguinha transformando você meu aluno em um fantoche hipnotizado, como você pode acreditar que eu estava nas nuvens em cima de um redemoinho ? Isso não teria pé nem cabeça nessa história menino juvenil.

ESCUTA ENTÃO CARALHO ;-

ÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓh – ele falou um palavrão !

E dái caralho ? Bundinguinha é a voz da sabedoria e tem de exigir o respeito, se vocês são uns animais querem ser tratados como civilizados ? Cala o caralho da boca aluno juvenil e agora escuta que vou soletrar a verdade;

A verdade segundo Bundinguinha :

Sejamos atentos à primeira propriedade da verdade, que é ser infinita. Tendo isso em vista podemos pensar como homem tem vivíssima necessidade da verdade que lhe é tão preciosa como o ar. Quando ouve mentiras , ofende-se, e quando as diz ofende e é ofendido.
Ninguém tem o monopólio da verdade, e ninguém tem a exclusividade do êrro.
Assustamos-nos com o fato de saber com a verdade é pouco usada no mundo.
A verdade não é linguagem de cortesão, Só se ouve nos lábios de quem nada espera do poder alheio e o não teme.

A VERDADE É FEIA. POR ISSO NÃO POSSÚI UMA MULTIDÃO DE ADORADORES.

Não podemos ocultar a verdade, simular é perder tempo, proteladores queridos.
Ah ! Se fosse possível descobrir a verdade tão facilmente como se descobre a mentira !
A linguagem da verdade é simples. ——–

Durante o pronunciamento algo muito estranho ocorreu. O corpo de Bundinguinha começou a manifestar um espírito que em bom Galego-Português anunciou–se:

Aqui quem está se pronunciando dos anais da imortalidade é a alma de RUI BARBOSA !

– Professor, não entendi ? o que são anais da imortalidade ?
– O cu de Deus, aluno.
– Pois sim alma ! Pronuncie o que tens a dizer sobre a verdade.

Bundinguinha é um palhaço, um plagiador, um homem canalha sem ideias, um charlatão de meia tigela que quer enganar vocês meninos com truques de ilusionistas de terceira categoria. Tudo o que ele diz não passa de um amontoado de opiniões que não lhes pertencem mas das quais se doutrinou em leituras eventuais.
Escutem minha palavra, com a autoridade que tenho, e lhes pronunciarei ;
– A paixão das verdades semelha, por vêzes, às cachoeiras das serras. Aqueles borbotões de água, que rebentam e espadanam, marulhando, eram, pouco atrás, o regato que serpeia, cantando, pela encosta, e vão ser, daí a pouco, o fio de prata que se desdobra, sussurrando,na esplanada. corria murmuroso e descuidado; encontrou o obstáculo; cersceu, afrontou-o , envolveu-o, cobriu-o, e, afinal, o transpõe desfazendo-se em pedaços de cristal e flocos de espuma. A convicção do bem, quando contrariada do erro, do sofisma ou DO CRIME, é como essas catadupas das montanhas.

Vinha deslizando quando topou na barreira, que se lhe atravessa no caminho. Então redemoinhou arrebatada, ferveu, avultando, empinou-se e agora brame na voz do orador, arrebata-lhe em rajadas a palavra, sacode, estremece a tribuna e despenha-se-lhe em torno, borbulhando.

Mas o que ela contém, e a impele, e a revolta não é a cólera, não é a destruição, não é a maldade; É O PODER DO PENSAMENTO, a vibração da fé, a energia motriz das almas, Esse fluido impalpavel que se transporta nas ondas invisiveis do ambiente e vai, por outras regiões, arder nos espíritos, fulgurar nas trevas humanas, abalar vontades, agitar individuos e povos, reanimados ao seu contato.

Bungundinhaaaaaaaa—– atingiu o nirvana !

Os alunos já não estavam mais lá, antes da metade do discurso do morto esquecido pela humanidade, os alunos já estavam procurando videos de pornografia na rede mundial de computadores entediadoS com um texto com linguagem tão enfadonha e com poucas piadas que dem motivo pra bom riso.

Alunos são assim.

E bungundinha ficou louco, não disse mais coisa com coisa. — O professor, envergonhado diante de tudo, resolveu confessar-se um dito de Camões;

AGORA, OU SE HÁ DE VIVER NO MUNDO COM VERDADE, OU COM VERDADE SEM MUNDO.

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  1. rodrigonunesouza
    setembro 18, 2009 às 02:44

    Estou contista esses dias, esse um pouco mais fantasioso que o primeiro. Peguei pesado mas foi de propósito. O texto ta cheio de aforismos que pesquei em tudo que é lugar possível. Esse texto é como um dj que mixa sons que existem, pois misturei em texto várias frases que existem. Um quebra cabeça de idéias.

  2. raphaelzaratustro
    outubro 28, 2009 às 12:22

    Ilário Bode. “Bundunguinha du Bacabal” é sacanagem! Só esse nome já me mata!

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