Início > Defeito Colateral, Que porra é essa? > Liberdade, Parte 01 de 03

Liberdade, Parte 01 de 03

Sei que detestamos isso, textos super extensos que falam em uma linguagem maçante e arrastada, chata de ler e um pé no saco para aqueles que, diante da filosofia, gesticulam com clareza, são objetivos e deixam explicita sua opinião, mas … bom, eu sempre tive vontade de escrever algumas coisas sobre a liberdade, e esse assunto é um tanto quanto difícil ser tratado com pouco polimento e em poucas palavras, por isso estou dividindo esse texto em três partes, e vocês sabem que eu, talvez, nem termine ele, já que esse não seria o primeiro texto que eu não finalizo aqui no blog (ah! Fuck!).
Cecília Meirelles tem uma frase sobre a liberdade que eu tenho certeza que jamais vou ter o prazer de ler algo igual ou semelhante (melhor que ela só o que Oscar Wilde fala sobre a música: música é o barulho que pensa!): “Liberdade. Palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda”. Sobre essa frase que vamos conversar na primeira parte do texto. E não só sobre essa frase, e sim sobre o lugar em que a escutei pela primeira vez: ilha das flores.
Não quero ser pretensioso e dizer: há, liberdade é tal coisa seus idiotas, aceitem, engulam e vão chupar um limão. Mas estou falando sério, essa talvez seja a palavra MAIS difícil de se definir em palavras. Ela é dotada não de vários significados, mas sim de vários exemplos, esse que é o mais foda de tudo, é que liberdade não é apenas o direito de escolher entre comprar um melão ou um programa com uma menor de idade, não é ter de tomar a decisão de vender drogas para comprar um tênis, ou apenas roubá-los dos pés de alguém. Estamos também falando em pessoas que nasceram sem liberdade (sei que isso vai totalmente contra o que Sartre diz sobre liberdade, mas chego lá depois), falo de pessoas que precisam decidir entre viver e morrer … a grande merda de tudo isso senhoras e senhores, é que liberdade é o que “o sonho humano alimenta” e apenas isso, ter liberdade não é simplesmente escolher, é decidir que rumo sua vida ou a interrupção dela vão tomar. Tem pessoas que tem uma maior facilidade para escolher entre viver e morrer, mas vamos nos reservar a apenas falar daquelas que tem medo da morte e amor pela vida, como a grande maioria O.K.?

Em comemoração à revolução de Julho de 1830

Em comemoração à revolução de Julho de 1830

Em “ilha das flores”, curta-documentário (inclusive, o melhor produzido neste país tupiniquim até o momento) de Jorge Furtado, nos deparamos com uma situação no mínimo conturbada: em uma ilhota nos arredores de Porto Alegre, com o nome do documentário, existe um tipo de doação de alimento que os donos de porcos, criados na região, fazem aos moradores não-afortunados de lá. O grande incômodo disso é que, as pessoas são organizadas de cinco em cinco para entrar no chiqueiro e pegar o que os capatazes do dono dos porcos julgaram inapropriado para a alimentação dos animais. “Mas o que eu tenho com isso Bruno? Tu é idiota? Acha que me importo?” no fundo eu também não me importo, apesar de ter ficado um pouco chocado no momento, mas o que eu quero que vocês notem nisso tudo é simplesmente uma coisa: Você quer comer? Então ou você precisar ter dinheiro, ou precisa ter um dono. Ou seja, sem os dois, você esta abaixo dos PORCOS na cadeia alimentar … justo? Fazer o que não é? E onde diabos entra a liberdade nessa história? as pessoas que optaram por serem pobres e não terem um dono? Elas escolheram serem livres e comerem os restos dos porcos? Mas então por que elas não se rebelião, matam o dono dos porcos e comem os animais? Parece simples? Para pessoas que não tem amor pela vida, sim! Mas eles sabem que se eles fizerem isso, vão saciar sua fome por uma semana, e sem porcos ou donos, eles não terão mais restos, ou seja, além de ficarem sem dinheiro e sem dono, ficarão sem donos de porcos também. Esta parecendo meio gay demais esse troço de amor pela vida, mas vocês estão entendo o que quero dizer com isso não? quero dizer apreço pela vida, vontade de viver. A vida é uma merda, e além de merda essas pessoas dependem de chiqueiros … a vida realmente é uma merda.
Talvez essa tenha sido a mensagem mais marcante que o documentário tenha me passado: para se alimentar, para suprir uma necessidade básica da vida, você depende de ter uma coisa entre duas: dinheiro ou dono.  E a pergunta que eu fico me perguntando é: onde se escondeu a liberdade dessas pessoas? Onde estavam a liberdade de escolha dos escravos? Nisso Sartre peca, e na minha opinião, peca feio. Não sei se ele nunca parou para pensar, mas existem pessoas, inclusive, existiam muito mais antigamente, que nascem sem opção de liberdade, que suas decisões são tomadas contra sua verdadeira vontade ou natureza apenas por sobrevivência, que lhes é imposto escolher algo se querem continuar com o pouco que ainda os resta … chamo isso de falsa-liberdade, porque nada mais é do que uma liberdade totalmente induzida por fatores externos enraizados na pura necessidade que uma pessoa tem em continuar viva.
“… Que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda”… acho que vamos deixar para repassar essa frase depois de mais alguns parágrafos. Por enquanto é só macacadinha medonha.

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: