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Plantão Médico – o dia em que fiz xixi no papagaio

Como eu havia dito, não publicaria no blog por causa de um pós-operatório devido … bom, devido uma cirurgia não? Tudo bem que também não postei nada no blog no sábado que passou, mas isso fica entre nós O.K.?
A moral de toda a coisa é que faz algum tempo que estava sofrendo de seguidos e dolorosos ataques de amidalite (eu sempre chamei de “dor-de-garganta” mas foi assim que todo mundo se referia a minha doença… é tipo como AIDS, ninguém diz “ai, eu tenho AIDS…”, quem tem AIDS diz “Sou soro-positivo” por que assim você vai pensar duas vezes antes de dividir um copo com essa pessoa). Fui ao médico e ele disse que minha garganta não tinha mais conserto, a única solução era mesmo passar o bisturi na minha guéla, e arrancar minhas bolas pela boca (huaaaaaaaa! punk ele não?), e então aproveitaríamos e também abriríamos um buraco maior no meu nariz por que eu sofria de desvio do septo (dentro do nariz, um buraco era menor que o outro, o que fazia eu roncar e falar anasalado). Resumindo, depois de discutir com a Golden Cross e meio que obriga-los a me darem a senha para confirmar minha internação, a cirurgia foi marcada no hospital que mais parece um hotel: Mãe de Deus, de Porto Alegre (que, posteriormente, eu descobriria ter a frase ‘para ajudar os enfermos e os pobres de nosso mundo’ como slogan quando foi fundado, por uma freira e que, hoje em dia, só serve aos ricos e pessoas que tenham um bom plano de saúde … também acho que a freira se revira no túmulo em que está, só o que lamento é que sou as pessoas que tem um bom plano de saúde, e não os ricos).
Quando cheguei no hospital, fui para a sala de espera, onde minha mãe ainda estava comigo, veio a primeira preocupação na minha cabeça: eu vou ficar de bunda de fora? mas para meu alívio (e alívio também das pessoas que olhariam para ela) o hospital disponibilizava uns shots junto com os jalecos, os sapatinhos e a touca. Uma parte que eu já tinha ouvido falar, e que realmente fiquei intrigado, foi com a anestesia. A anestesista colocou o acesso no meu braço, colocaram aqueles eletrodos e tal, e ela fincou um remédio na minha veia, depois veio com uma máscara no meu rosto:

– E então Bruno, estuda? trabalha?
– Trabalho e estou estudando pro vestibular.
– Aé? que legal, vai prestar vestibular para que?

E então eu dormi.
Quando eu acordei me lembro vagamente de umas pessoas me pedindo para deitar em uma maca que estava do meu lado e me lembro de engolir um pouco de saliva, o que me fez dar um pulo de dor da maca, enquanto minha saliva grossa escorregava e machucava toda minha garganta cauterizada (também fiquei impressionado, eles atearam fogo na minha garganta e nariz, são locais que não existe pontos, só cauterização). Eles me empurraram por um corredor e eu escutei o médico falando com minha mãe e meu padrasto, que eu estava bem, que a cirurgia tinha sido um sucesso (sério, ele falou bem assim, como nos seriados médicos… “a cirurgia foi um sucesso!”). Me levaram para a sala de recuperação, onde eu ficaria a noite, por causa de maior disponibilidade de enfermeiros e etc, e eu fiquei de frente para toda a sala, que, até aquela hora, ainda estava iluminada e haviam uns dez enfermeiros e enfermeiras indo de um paciente para outro. Não havia uma TV, nem um rádio AM nem nada, o jeito foi me acostumar com o tédio e pedir a enfermeira que me trouxesse um copo de água, que foi servido com um canudinho já que eu estava deitado. Depois de um tempo, quase todos enfermeiros foram embora e ficaram duas que estavam fazendo plantão. Lá pelas duas da manhã, eu acho, depois de ter tomado água e três caixinhas de suco, minha bexiga estava estourando. Foi quando eu, inocentemente, chamei uma enfermeira:

– quero ir banheiro. (eu sentia muita dor quando falava, então coisas como “e”, “de”, “para” deixaram de existir no meu vocabulário)
– Ah sim! – e ela virou as costas e saiu.

Depois que eu pensei que ela era louca, vi ela vindo em minha direção, saída de uma salinha, carregando na mão direita … carregando na mãe direita uma coisa de ferro que mais parecia com um tanque de gasolina:

– Aqui – ela colocou no meio das minhas pernas – pode fazer.

Realmente ela só podia ser louca, mas devido a naturalidade com que ela falou aquilo, eu pensei duas vezes e analisei melhor o aparelho. Havia um bocal largo e um tanque embaixo do bocal. Inclusive, não pude deixar de notar o QUANTO o bocal era largo … sério, cabia facilmente uma maça ali dentro, e então eu fiquei pensando se existia um sujeito que houvesse reclamado que o pau dele não entrava no troço … bah!. Ela pelo menos teve a sensibilidade de me deixar a sós com o papagaio (ah sim! o nome disso é papagaio … por isso o nome do texto). O problema é que eu me virei, coloquei o troço dentro daquele troço e nada de urina. E ela passava por mim o tempo TODO! quase disse para ela me deixar em paz! Até que uma hora ela foi para o canto esquerdo da sala, fechou metade de uma porta sanfonada e ficou comendo um iogurte que devia ser servido aos pacientes (te peguei sua vagabunda!), foi quando fiz força e o xixi saiu, e sério, dói pra caramba fazer força pra urinar. É realmente bem incomodo.
Com a bexiga vazia e depois de ter tomado outro suco, a única coisa que tinha para fazer era reclamar de dor, pedir mais remédio na veia e acabei dormindo, o que me poupou de sentir mais dor e mais tédio. Acordei com um homem muito bem apresentado dizendo que cuidaria de mim durante a manhã (o que me deixou um pouco incômodo), e logo depois o meu cirurgião veio me dar alta do hospital, onde eu fiquei até minha mãe chegar para me buscar. Até saí de cadeira-de-rodas, por que quando me ergui na cama minha pressão baixou, eu suei feito porco e fiquei com frio, então para evitar alguma outra queda de pressão ou bixisse qualquer, me colocaram sentado e um rapaz, de quem eu fiquei com pena, foi me empurrando na cadeira até a saída do hospital (eu notei que, quando saíamos do elevador, o pobre teve que fazer uma puta força pra pegar embalo huoeheuohe).

ps. Esqueci de dizer, a enfermeira me trouxe o papagaio por que eu não podia me levantar, já que certamente a cauterização ainda não estava 100% e eu poderia ter uma hemorragia. Vocês não acharam que eu não protestei quando ela veio com aquele troço pra cima de mim?

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  1. DAIANE DE OLIVEIRA
    agosto 25, 2009 às 07:45

    Nossa, estou precisando urgent de uma cirurgia dessa
    mas agora me deu foi medo, parabéns pela sua coragem….

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