O culto popular

Devido a crise mundial e a antiga greve dos roteiristas, os colaboradores deste blog estão sem o que escrever, e pelo visto nem estão se esforçando muito para dar um jeito na situação (heuheuhe), então aqui está o meu texto de todo-santo-sábado.

Uma coisa que já me aconteceu diversar vezes até hoje, e algumas vezes aqui mesmo no blog, com os comentários do meu colega Rodrigo, é me corrigirem por eu não me referir à algumas coisas usando termos técnicos, pois então vamos às explicações, e também à um texto onde vamos falar de: linguagem culta e suas implicações na sociedade analfabeta-funcional que vivemos.
A diferença é óbvia, se vocês lerem um texto meu e um do Rodrigo, vão achar uma coisa em comum: ambos são ótimos textos (huoahaouhauoah) e uma coisa bem oposta: as maneiras de linguagem. Enquanto eu tomo a pose de uma pessoa que escreve para qualquer alfabetizado entender, ele leva as rédeas para uma linguagem mais culta e elaborada, com termos técnicos que terminam em “ismo” e coisas do tipo. O que estou dizendo não é que ele esta errado e eu certo, só estou querendo mostrar a diferença óbvia entre nossos textos. Diferença observada? Certo, próximo passo.
Se alguém que lê isso estuda Artes, então sabe que vivemos em um momento muito turbulento no mundo das plásticas. Hoje em dia, você pode conseguir um lugar em uma boa exposição com apenas UMA coisa de boa qualidade: uma boa desculpa. Você nem precisa ter um trabalho bom, basta você ter uma boa lábia e convencer o curador com uma boa desculpa, de por quê você decidiu amontanhar um monte de lixo e direcionar um holofote nele para fazer um contorno de montanha, para então você explicar que é como se as montanhas fossem a sombra dos lixões de milênios … enfim, parece absurdo, mas tem cada coisas nas exposições hoje em dia … simplesmente broxante. Um dos fatores culpados pela situação da Arte, não só no Brasil como no mundo todo, é o patamar onde a colocaram. Decidiram dizer que Arte é coisa de uma minoria, de um povo culto, com pensamentos críticos e autosuficientes. E depois disso ainda perguntam por que ninguém vai mais em museus. Se vocês querem incentivar a cultura, se querem espalhar todos tipos de artes e expressão, começem por algo bem básico: parem de falar outra língua. Não estou dizendo para os curadores irem até as cohabs vestidos de rappers e falarem “yo!”, estou dizendo é que, se vocês querem melhorar a educação e o ensino das Artes no país, faça com que pelo menos as pessoas entendam o que você quer ensinar. Querem um exemplo básico? procurem na internet uma citação de um texto de E. H. Gombrich, do livro “a história da arte”, e logo depois procurem uma citação de Ferreira Gullar e seu “conversações contra a morte da arte”. Um você entende, você digere facilmente, o outro você mastiga, mastiga, mastiga e engole, a grande moral é: Para que complicar? Eu não sou um idiota, mas por que diabos complicar? É como se quisessem reclamar que ninguém dá bola para cultura, e reclamassem de uma maneira que nem as pessoas entendem que eles estão reclamando delas, aquela coisa simples de falar, falar, falar e acabar não dizendo nada entendem?
Por que será que as pessoas tendem a acreditar que uma pessoa é culta apenas por que fala/escreve de uma maneira culta? Simplesmente por acabar não entendo, daí ficam naquela: nossa, o fulano realmente é culto, eu não entendi nada que ele quis dizer!
Eu, particularmente, almejo minha realização profissional, e quero muito me tornar professor de Artes, mas o que quero é ensinar o quanto Arte pode ser algo que nos ensine a sermos críticos e elaboradores de nossas próprias opiniões. Não quero que algum aluno pense ser superior por fazer algo que poucas pessoas fazem, espero é que ele pense em ensinar cada vez mais pessoas de que a Arte esta ao alcançe das mãos de todos, e de uma forma simples.
Acredito que a elitização sirva apenas para deixar os embromadores mais ricos, e os sinceros mais pobres. Se expressar é uma necessidade do ser humano, já que é coletivo e precisa conviver em sociedade. Sou a favor do libertarismo da fala, sou a favor do maneirismo literário e de tudo que faça com que cada vez mais pessoas sejam atingidas pelo conhecimento, pois assim vamos acabar com um dos grandes males da humanidade: a ignorância.
Não sou a favor da linguagem culta por que ela implica nessa elitização, ela exige uma coisa das pessoas que uma pequena fatia tem: o hábito de ler e um bom vocabulário. Não sei se o fato é este, mas acho que os escritores deviam todos estudar ao menos um ano em uma escola pública, e tomar conhecimento de como se aprende português por lá. E nem é questão de colocar a culpa na falta de incentivo à leitura e etc. Acho que alguns escritores de pesquisas científicas deviam conviver mais com pessoas menos cultas que, muitas vezes, esperam por um conhecimento óbvio que poderia chegar até elas se não fosse a vontade que alguns tem de querer parecerem melhores ou mais “letrados” que os outros.

Anúncios
  1. maio 18, 2009 às 05:05

    Concordo com sua opinião,e particularmente os teus textos são os que leio até o final,acho bem sincero,não que os outros nao sejam,mas enfim,te conheço ao vivo e parece que é voce falando realmente. Ah,tu entendeu! =P
    O começem com Ç ta gritando ali amigoo!

    Aliás,esse lance da fala/escrita no Brasil eu andei notando ultimamente,é muito gritante a diferença,dentro de um único país ter tanta diferença,de uma região pra outra. Por exemplo,la pros lados do norte,é comum ver muitos erros,mas MUITOS erros. Agora eu acredito mesmo naquelas fotos de placas,anuncios,tudo com erros absurdos,o lance é real mesmo!

  2. rodrigonunesouza
    maio 18, 2009 às 16:21

    Vc supõe então que o Beethoven deveria tirar acordes de suas sonatas e criar refrões mais pegajosos pra se tornar mais acessível ao público que curte Funk Carioca ?

    O verdadeiro artista não faz arte para o público, faz público pra sua arte.

    Se eu escrevo e falo desta maneira, que vc classifica como culta e erudita, é bem porque eu tenho realmente hábitos de cultivo à erudição e cultura, embora jamais houvesse me afirmado assim, pelo contrário, estás agora a inaugurar tal rótulo que não me é de desagrado por sinal.

    “Se a tua estrela não brilha, não venha apagar a minha”, Como diria Raul Seixas.

    Falei é verdade, que deverias usar termos mais técnicos, para todavia não manifestar publicamente preconceitos contra um povo que mal vc conhece ou sequer define, se é o do norte ou o do nordeste. Ademais, o outro que comenta dos erros deve atentar para o fator economia, e o fator educação nessas duas regiões do país.
    Mas se deseja iniciar um debate sobre etnocentrismo o que podemos fazer ? Do ponto de vista técnico como gosto, é claro que me acusas de etnocentrismo do ponto de vista sociolinguístico, por impor uma autoridade letrada na comunicação aumentando assim o abismo cultural que existe na nação. Ora, isso é infâmia; Basta pensar, que se um artista não é compreendido e não é sucesso comercial, é porque ele é inadequado ou ruim; Não é verdade, a história da arte é feita de realizações estéticas de vanguarda que geralmente não eram bem compreendidas ou assimiladas pela sociedade de seu tempo.

    Por outro lado, eu sempre escrevo assim cheio de parafernálias, sou do norte e o abismo de idiomas não é tão maior do que o que há na Índia por exemplo.

    Escreverei um ensaio em breve mais detalhado sobre as raízes do Brasil.
    Ademais, escreva como quiser, simples ou complexo; Mas sempre que mencionar ou meu nome, ou alguma atitude etnocentrica ou antiética, sentirei-me em dever de pronunciar publicamente a saliência que transborda o limite do bom gosto. De preferência em bom Português.

  3. Nuno Rosa
    maio 18, 2009 às 18:05

    “Vc supõe então que o Beethoven deveria tirar acordes de suas sonatas e criar refrões mais pegajosos pra se tornar mais acessível ao público que curte Funk Carioca ?”

    não! acho que você esta confundindo, o que eu disse é sobre escrever/falar de uma maneira que o público “menos culto” não consiga entender, é como negar conhecimento a alguém, e isso para mim é errado. Ou tu acha que escrever como tu escreve não é uma forma de elitização?

    “Se eu escrevo e falo desta maneira, que vc classifica como culta e erudita, é bem porque eu tenho realmente hábitos de cultivo à erudição e cultura, embora jamais houvesse me afirmado assim, pelo contrário, estás agora a inaugurar tal rótulo que não me é de desagrado por sinal.”

    olha, eu também freqüento em demasia “lugares de pessoas cultas”, e nem por isso deixei de escrever e falar de uma maneira que EU, extremamente pessoalmente falando, acho mais fácil de as pessoas e, geral entenderem. Mas então o que a gente faz? a gente capacita melhor nossas crianças? incentivamos a leitura? isso em longo prazo … por enquanto, apenas podemos soltar um pouco as rédeas … e sobre o rótulo … bom, ao certo ninguém te disse isso antes por que: 1) não conseguil ler seu texto, e decidiu não opinar ou 2) são pessoas que escrevem como tu que ja estão acostumadas com essa idéia. Ao certo nunca alguém como eu leu teus textos … simples assim.

    “Se a tua estrela não brilha, não venha apagar a minha”, Como diria Raul Seixas.

    ahuahuahauh, porra cara, isso nem preciso comentar.

    “Falei é verdade, que deverias usar termos mais técnicos, para todavia não manifestar publicamente preconceitos contra um povo que mal vc conhece ou sequer define, se é o do norte ou o do nordeste.”

    termos técnicos, como eu disse, são, para mim, quase que sua totalidade, eufemismo baratos. Não manifestar publicamente algum preconceito? desde quando tenho que me cuidar do que eu vou ou não falar? e outra … conheço muito bem a diferença entre os povos do norte do Brasil … se te pareceu o contrário, foi apenas por que eu usei o costume que o povo do rio grande do sul tem de chamar de nordestino quem mora no norte … como eu ja disse, um costume, está isento de erros ou acertos.

    “Ora, isso é infâmia; Basta pensar, que se um artista não é compreendido e não é sucesso comercial, é porque ele é inadequado ou ruim; Não é verdade, a história da arte é feita de realizações estéticas de vanguarda que geralmente não eram bem compreendidas ou assimiladas pela sociedade de seu tempo.”

    Não disse isso, o que eu disse é que existe uma caralhada de artistas de merda que consegue lugar em exposições só pq comeram o cú do curador, enquanto gente realmente boa fica de fora, por não ter um pau grande ou uma boa boa enrrolação para dar sentido (ou tirar todo ele) daquilo que fez. Os impressionistas foram talvez os mais escomungados, no entanto são tidos hoje como gênios de seu tempo (não gosto dessa palavra ‘gênio’, mas tudo bem),mas se você olhar apenas por alguns instantes a arte impressionista, vai perceber que ela tinha um sentido estético, e , apesar de poucas, existiam maneiras que a tornavam impressionista ou não. Ja arte contemporânea … depois do caso dos impressionistas, os críticos ficaram com medo de criticar algo que pode, dentro de uma década ou duas, fazer sucesso, ficando eles então se prendendo ao passado, com medo de julgar algo como bons críticos devem fazer.

    “Ademais, escreva como quiser, simples ou complexo; Mas sempre que mencionar ou meu nome, ou alguma atitude etnocentrica ou antiética, sentirei-me em dever de pronunciar publicamente a saliência que transborda o limite do bom gosto. De preferência em bom Português.”

    bem na real? você nem precisa me dizer para eu escrever do jeito que eu quiser, e sinceramente, acho que você esta pensando que eu estou pedindo para tu mudar a tua maneira de escrever … por mim cara, tu escreve do jeito que tu quiser, para quem tu quiser, se eu acho certo ou errado, isso é problema meu, e se eu postei minha opinião em um lugar público, você tem o direito de opinar o que quiser …

  4. NM
    maio 18, 2009 às 19:59

    Olha, vou me manifestar e espero que as duas bichas parem de se bicar.

    1- Cara, esse blog sempre foi com o intuito de fazer textos com humor, sérios com humor, só humor, tanto faz. Então levar tudo que alguém escreve ao pé da letra, eu estaria chamando o Bruno de racista pelo texto feito sobre o Obama, e por mais que eu seja separatista assumido, quando eu chamo alguém de ”nordestino comedor de grama” é de uma forma totalmente humoristica, pra fazer piada. Cês levam pouca coisa muito a sério, ou melhor, só o Rodrigo leva.

    2- Concordo totalmente com o Bruno sobre a maneira de escrever, cara, isso aqui é um blog de merda entre tantos outros que devem estar surgindo nesse exato momento na internet, não é nenhum estudo científico nem nada, é só um amontuado de opiniões pessoas escrito em português culto-informal. Então de que vai me adiantar uma idéia brilhante se só eu vou entender ela?

    E antes de tu, Rodrigo, vier vomitar várias coisas sobre ”cultura”, ”ensino” e essas coisas que tu falou acima, mando meu mais sincero ”foda-se”, a pessoa não é melhor ou mais inteligente que outra só porque leu Dostoievski e ouve Beethoven. Educação é um problema REALMENTE no Brasil. E você acha que a solução é escrever um ensaio científico em um blog, onde o ignorante vai ler, ficar com nojo e ir pro orkut?

    Porra, bicho, se liga, cê ta levando muita coisa a séria aqui, e fazendo muita tempestade por pouca coisa. Sinceramente, se continuar essa perseguição idiota, e começar atrapalhar o blog. Vai feder.

  5. rodrigonunesouza
    maio 19, 2009 às 00:41

    Até parece escárnio, vcs entenderam oque eu escrevi em algum dos textos só por acaso ?

    Pq estou começando a me achar esquizofrenico na situação.

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: