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Susan Boyle

É um fenomeno que descreve a situação da arte contemporânea. Embora possamos agredir carácterísticas rudimentares da cultura popular global de massa, não podemos negar o seu caráter espontâneo. De tal modo, Susan Boyle, se vê em poucos dias, uma celebridade internacional… É até então o vídeo com maior número de visitas da história da Internet. Pois, listarei links a seu respeito, para que tomemos mais informações sobre o evento.

http://oglobo.globo.com/cultura/revistadatv/mat/2009/04/16/susan-boyle-revelacao-de-britain-got-talent-descobre-que-uma-estrela-internacional-755304829.asp

http://musica.uol.com.br/ultnot/ap/2009/04/16/ult5552u38.jhtm

Certamente, o leitor deve ter notado que o caso é a personificação de um mito social conhecido dos protestantes que colonizaram a América, e por isso tem o nome, já tão lugar comum de “Sonho Americano”.
Em que consiste tal mito ? Consiste em realizar histórias de vidas vitoriosas. Consiste em surgir como uma Fênix do infinito do nada. Quando uma pessoa se expõe em publico e antes de ser ouvida já escuta escárnios vindos da platéia, no caso de Susan Boyle, ela calou meia dúzia de patricinhas consumistas que estavam na primeira fileira. No entanto, isso é um mito, que deseja ser vendido e é, como o ideal de vida. Todo e qualquer simples mortal acha que deve ter uma vida fantástica como de um grande homem da história. Muito saudável a crença embora utópica, ou pueril.

Ao certo, a realização do fenômeno Susan Boyle, que mesmo antes de ter acontecido já é um fato. A promoção é o instrumento ideal, e as circunstancias fazem o talento. A voz de Susan é impecável, como são impecáveis milhões de vozes anônimas no planeta. Como existem os artistas mais brilhantes que não foram transformados em produtos de massa e foram esquecidos pela poeira do tempo.

Há então a introdução de um outro mito social de nossa era contemporânea, a do anônimo célebre. Uso o termo anônimo celebre parafraseando o brilhante livro de Inácio Loyola Brandão, sobre esses mesmos temas comuns.

O mito, é aquela pessoa que tem os talentos necessários para lograr, mas por culpa sua ou de fatalidade do destino a pessoa se torna um fracasso infeliz. Para si, e para quem de si toma partido, fica a impressão de vítima do determinismo, a realidade factual é trágica e viver é muito triste, o tempo destrói tudo. Para os em seu redor, claramente o que é a culpa é o comportamento preguiçoso do talentoso, que tinha tudo pra dar certo mas por culpa sua, não deu. A vítima portanto se torna na segunda visão o vilão da não traçada história de vida prometida.

Ambos mitos constituem a característica primordial da humanidade, que é justamente a de galgar rumo ao impossível, se atentarmos ao nosso presente, poderemos verificar que nosso cotidiano é a utopia da história da antiguidade clássica.

Somos projetos do passado que foram realizados. Não projetos concretos, mas somas de sonhos dos que viveram e morreram pela existência. A humanidade se constrói com sangue, carne e sonhos. São os mitos a personificação do humor da humanidade, e assim verificamos como nossa alma se identifica com as trajetória do sucesso e do carisma social.

No mais sincero ceticismo, não pretendo de maneira alguma levantar suspeitas contra o talento e os méritos da cantora, posto indiscutíveis nessa abordagem social e antropológica nessa abordagem que situo. Mas, devemos notar que a edição em torno da apresentação é absolutamente sugestiva. Parece ao certo, que já era sabido o que aconteceria. Sim, pois não sabem como são os programas de auditório ? Aplaudem quando aparece acessa uma sinalização “aplausos”; Pois sim, não seria sugestão da produção um comportamento de agressividade com a cantora.

Só há o espanto, em relação, pois houve uma expectativa muito grande, em função inclusive do que geralmente se vê, de sair uma catástrofe. Então se monta nos primeiros minutos do quadro, uma ilusão de que seria uma catástrofe.

Quando a Susan rebola, certamente, se não foi escrito por um roteirista, é porque a inteligência de um homem não chegaria a tanto, e isso é uma vantagem do formato reality show, ele é vivo e melhor que qualquer roteirista e isso faz com que o público se apaixone. Mas aquela rebolada, faz com que o espectador tenha uma visão tosca do que virá; Passada a primeira audição ela parece aquela sabedoria popular dos tolos envergonhando os “sábios”.

Pois é essa mudança de posicionamento social, de o anonimato se tornar célebre, de a realidade ser melhor do que a falsidade coorporativa, é o que faz com que a opinião pública se sustente diante da comunicação de massa.

Alegam os que não sabem o que falam que a mídia é quem coordena o comportamento da população, e quisera ter a mídia esse mérito. Seria um poder tão danoso para a própria mídia que viraria escrava de sua decisões.

Egoísmo não consiste em viver como nos parece melhor, mas em exigir que os outros vivam como nos parece melhor. É egoísmo exigir liberdade ao povo iraniano ? Não sei até em que ponto. Há no interior do Irã alguma cantora capaz de ser adorada por toda a nação internacional islâmica e não foi descoberta ? é a mesma certeza de que existe petróleo em baixo da terra, sem que tenhamos cavado.

No caso, a mensagem de acreditar nos sonhos, não é difundida só pela rede globo, é uma idéia dos veículos de comunicação de massa. E é uma estratégia que busca coordenar um comportamento, e como prova de como isso é tarefa árdua, praticamente fracassa.

O jornalismo, parece voltado para dois lados generalizando o tema. O jornalismo engajado, que luta contra a má administração pública ou privada, através de informar a opinião pública sobre os fatos; e o jornalismo sensacionalista, que vive de vender notícia e criar polemicas.

Por isso, podemos dizer, que ali há um caráter sobretudo sensacionalista, por isso tenhamos uma cantora sensacional. A produção é toda voltada não a enfatização da cobertura de um concurso, mas sim a uma novela editada com evento real. Movimentação de câmeras, a cobertura dos repórteres em tom humorado, os bastidores, enfim, o formato entretenimento popular, já mundialmente conhecido, diferente de um documentário artístico, por exemplo rude.

Por fim, a sociedade é quem molda a mídia, a política e as artes. A humanidade continuará sendo feita pelo sangue e pelos sonhos dos homens; Por isso, nutrirá as esperanças para que realizemos no futuro utopias tão reais como temos nosso presente realizado.

Susan Boyle é uma utopia medieval, a cantora do interior da Escócia que encanta todas as nações do mundo. Que em uma semana cantou pra mais de 15 milhões, e é capaz de amanhã já ter batido os 25… Susan Boyle é uma utopia, o Obama é utopia, até nosso blog é modestamente uma utopiazinha a parte.

Obrigado aos que leram este anônimo preguiçoso que vos escreve.

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Categorias:Crônicas da vida
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