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A alma humana e o dinheiro.

A humanidade vive um dilema auto-antagônico em relação a si mesmo. É o homem o seu lobo, esterco e defeito, e é ao mesmo tempo esse homem a razão e o espírito. É a idéia e os sentidos, é o bem e o mal. Mas como pode o homem ser o que não é, e como algo que não é pode ser o que não há? O espírito humano, ou a dita “anima”, nada mais é que um conceito humano de autodefinição. Um conceito infundado.
Partindo do principio que anima é o que dá movimento as coisas brutas, as coisas brutas tem anima. Então a matéria vida volta a se tornar tão fina. Não se difere mais o que se tem vida do que não se tem, de modo que a alma é uma convenção humana, tal como todas outras verdades.
Não temos alma, não temos espírito, não temos arbítrio, muito menos arbítrio livre; não temos liberdade. Nenhuma teoria maior do mundo, que dependa de uma gravidade explicativa à níveis universais, seria capaz, de resistir a verdadeira grandeza do mundo real sobre o das idéias.
Num panorama mais claro, o homem que é vilão de si mesmo, teoriza sobre si mesmo, que não é ele um componente de um todo, e que nesse todo está inserido, e por ele sendo modificado. O que o torna em parte muito mais um modificado que um modificador.
Crê em sua profunda imaginação, que a vida tenha lá alguma importância em meio a tanto vácuo e tão pouca poeira espalhada nesse vácuo. Crê ainda, de tão centralizador de conceitos em pequenas partes, que é capaz de deduzir, de sua importância gratuita ao resto dos elementos materiais e imateriais do restante do cosmos, que partindo dessa importância, cada tipo de vida classificada como humana é mais especial ainda.
Dada essa especialidade da essência humana vinda da especialidade da essência viva, vinda de especialidade da essência matéria, ao meio a um buraco de nada, o homem se vê como uma coisa muito importante no universo. Vê que essa vida é passageira e que no fim do aprazível percurso, quando morre, deixa o mundo da matéria e parte pro mundo das idéias, e fica lá num infinito psicológico, justo com suas coerências e decisões, e tomadas de atitudes durante a dita vida.
Raciocínio este que de tão infundado, afunda-se em si mesmo, mas ao mesmo ridículo tempo, consegue convencer uma unanimidade, e ser uma verdade auto-proclamada do universo humano. Todo homem acha que é uma parte, acha que tem uma alma, que tem algum motivo maior. Que existe o mistério.
Cria-se um mistério, de um conceito, e diz, eis aqui um mistério sem resposta. Um ponto intocável e indiscutível. Oras, se é indiscutível inicialmente logo indica que de nada serve, pois as decisões são dialogadas quando precisam de soluções coletivas, a alternativa de hipóteses descartando as medíocres e valorizando as fortes, tal como fazem a matéria viva, tal como faz a matéria. Se não existe matéria forte ou fraca, estamos discutindo o vácuo.
O homem enfim é um ser vivo dependente de um fator criado por ele mesmo. O dinheiro. O dinheiro determina suas principais atitudes individuais, e o dinheiro, sem cérebro, governa o cérebro humano. O dinheiro cria então os desejos em um homem que de desejos passa a ter necessidades, as vezes umas vontades, e necessidades e desejos. E o dinheiro. O dinheiro que compra o homem, que vende o vento, que alisa a testa morta, e que cospe conceitos no universo. O dinheiro que constrói igrejas, prostíbulos, cadeias, infernos e céus. O dinheiro que vende almas, o dinheiro que compra o espírito, o dinheiro que é o predador do reino animal. O homem não tem alma, e o homem não tem dinheiro, a alma do dinheiro é que tem o homem. Dinheiro tem alma, homem não.

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