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Renascença ou decadência?

Cuidado! Esse texto fala sobre um assunto muito pouco falado aqui no blog: Arte.
Estou lendo, na verdade acabando de ler, um ótimo livro chamado “A História da Arte” de E.H. Gombrich, e acho que nunca aprendi tanto lendo um livro. Então funciona assim, na idade média o povo estava acostumado com a pintura Renascentista de Rafael, Da Vinci, Botticelli, Miguel Angêlo e etc. Lá pelo final do século XIX, Claude Monet (1840-1926) se juntou com outros “impressionistas” para fazer algo que até então não era tão comum: renegar tudo que as academias de arte ensinavam, e fazer o que os Pré-Rafaelistas (que defendiam os estudos exatos da beleza e das antigas obras de arte) nunca pensaram em fazer: ver a natureza de uma maneira verdadeira, e não idealizada.

Exemplo impressionista

Exemplo impressionista

Depois de diversas tentativas de engressarem em exposições e salons de arte, eles conseguira montar uma exposição no estúdio de um fotógrafo. Uma das notícias que saiu na imprensa foi essa:
“A rua Le Peletier é uma rua de desastres. Depois do incêndio da Ópera, está acontecendo agora mais um desastre. Acaba de ser inaugurada uma exposição na galeria Drand-Ruel que supostamente contém pinturas. Entrei e meu olhos horrorizados depararam com algo terrível. Cinco ou seis lunáticos, entre eles uma mulher, reuniam-se pra exibir suas obras. Vi pessoas sucadundo-se de riso diante dessas pinturas, mas o meu coração sangrou ao vê-las. Esses pretensos artistas intitulam-se revolucionários, “impressionistas”. Tomam um pedaço de tela, tinta e pincel, besuntam meia duzia de manchas sobre ela ao acaso, e assinam o nome nessa coisa. É uma manifestação delirante da mesma espécie que levam os internos Bedlam a apanharem pedras no caminho imaginando que são diamante.”
Não tendo aceitação no mercado e nem serem bem vistos pelos críticos, os impressionistas, como acabou ficando, batalharam por trinta anos, para provas que suas telas eram SIM obra de arte, para provar que existiam sombras coloridas e que, o que estava no passado devia ficar por lá mesmo. A pintura impressionista se caracteriza por não ter contornos bem definidos, por ter uma visão exata e não idealizada da natureza. Os artistas saíram de seus atêlies, ficaram de frente com seus “motivos”, com o que queriam pintar e, estando na frente de uma natureza que muda a cada segundo, usavam pinceladas rápidas, prestando muito mais atenção nas cores do que nos detalhes.

Segundo exemplo impressionista

Segundo exemplo impressionista

Enfim, o que quero começar com esse texto é sobre o começo de uma nova arte, uma arte que veio depois da revolução industrial francesa, que ensinava aos artistas o quanto o manual estava sendo substituido pela mecânico, e o quanto tudo até então estava supostamente incorreto. Foi com essa confusão impressionista que começou toda nova arte, tanto a moderna quanto, mais futuramente, a contemporânea, e é sobre isso que vou dedicar meus próximos dois ou três textos, que eu vou fazer com mais calma e menos pressa.

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Categorias:Defeito Colateral
  1. rodrigonunesouza
    abril 14, 2009 às 21:03

    Eu já li um livro muito bom sobre o assunto, de Marios Vargas llosa, um romance sobre a biografia de Paul Gauguin, intitulado; “O Paraíso na outra esquina”.

    Bem, o renascimento representou diante do medievalismo, uma ruptura muito maior do que o impressionismo representou ao movimento romantico. Não podemos negar, que contemporaneo ao desenvolver dessa nova escola, tinhamos o realismo russo, com característica completamente opostas e com obras te tão grandioso valor humano quanto aos do impressionismo.

    No caso, o impressionismo teve infinitas contribuições para o desenvolver da arte na posterioridade, tal como já citadas as vanguardas da pós-modernidade, o aspecto onírico do simbolismo, ou ainda a pop art, levam consigo caracteristicas miméticas do impressionismo. Tal como todas ainda levam do renascimento.

    No entanto, a importancia do renascimento para a cultura ocidental é muito mais significativa do que do impressionismo. E entre o impressionismo e o renascimento tivemos alguns séculos de boas escolas, incluindo Rembrant e os mestres holandeses e belgas.

    Essa importância se dá, sobretudo pelo resgate dos valores da antiguidade clássica, que eram perseguidos no período medieval. Sem o renascimento, provavelmente não teriamos a retomada da legitimidade do pensamento científico.

    Quanto ao impressionismo, gerou alguns genios indiscutiveis,da mesma maneira que muitos artistas sem o menor domínio de tecnicas de arte, desenhando borrões e abolindo o estilo clássico. Os grandes impressionistas, antes de criarem o novo, digeriram a velha escola, e por ter pleno domínio das técnicas de sua época, puderam gerar continuidade.

    Basicamente é isso. Abraços.

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