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É tudo sobre Status

Impossível não se entreter com isso. Tem a ver com todo o trabalho gasto pra aumentar o estilo, como um aperto de mão firme, um certo detalhe no olhar ou um sorriso esperto. Tem a ver com ter seu nome elevado a tal ponto que ele fica maior que você próprio. Tem a ver com “você sabe quem sou eu?”. Tem a ver com “não se fala assim com fulano de tal”. Um monte de escrotice que um caipira resmungão feito eu nunca vai entender nem aceitar.

A merda de ter uma graduação acadêmica de muito prestígio é que se você for pelo menos um pouco babaca, você vai acabar se escondendo atrás dela. Não importa se tem um monte de doutor pra todo lado falando um monte de merda sem saber fazer porra nenhuma na prática. Você tem um canudo, você tem status. E é isso que o Brasil tenta jogar pra cima de você, de qualquer jeito, não? Quer dizer, o importante é ter a porcaria do curso superior. O fato de você ser formado em educação física e apesar disso trabalhar tirando xerox pro resto da vida no ministério da defesa não quer dizer nada.

E é claro que você não tem motivo nenhum pra ser infeliz. Emprego estável, um bom dinheiro, talvez uma casa bonita, bla bla bla. Tudo bem, você precisou estudar sete anos pra passar num concurso só pra descobrir que você vai fazer trabalho de retardado pro resto da sua vida e que toda a preparação pela qual você teve que passar a vida inteira poderia ser substituída por um curso de três dias. “Como redigir memorandos padronizados” ou qualquer porcaria assim. E tá certo, apesar de você ter um puta casarão e dinheiro suficiente pra aproveitar a vida, o seu tempo pra isso se limita a um mês por ano. Soa ruim, eu sei, filho, mas na verdade não é. Você é a nata da sociedade. Claro que é. O diploma é seu cetro real e sua vaga no serviço público mostra que você é um dos cavaleiros da távola redonda – ilusão que, talvez, seja o motivo pra que você prefira tomar a merda da Skol nas suas noites de “diversão”, às sextas.

O ponto, na verdade, nada tem a ver com diversão, satisfação ou qualquer desses valores de bleeding-heart esquerdista que acha que coisas estúpidas como a anarquia existem. O que importa é fazer um nome. Criar o seu legado. Escrever sua lenda. Veja Abraham Lincoln, Olavo Bilac, William Shakespeare ou até Chuck Norris. Seus nomes, por si só, já causam impacto. Antes mesmo de seus feitos. São como a lenda de Hércules se espalhando por toda a grécia. O Status é a imortalidade de Aquiles, a majestade de Zeus.

Fazer parte da alta classe é destino. Os deuses e as musas nos guiaram até a excelência acadêmica. Nossas palavras trazem o tom e o sabor do vinho do próprio Dionísio. Não vês? Tu estás no topo por ser este o vosso lugar. Essa é vossa vocação. E é somente chegando aí que podes cumprir vosso Destino, demonstrar vossa capacidade. Estar em outro lugar não é prova de opção, mas de incompetência. Há aqueles que talvez pudessem viver como reis, como deuses, como nós, mas preferem levar sua vida como reles palhaços. Não acredite em suas palavras frouxas e nos seus gestos trêmulos: se ele duvida de sua capacidade de ascender aos céus, seu lugar é realmente ali. Com os porcos. Os verdadeiros reis não temem a queda e não se contentam em comer, andar e se sentar com meros plebeus.

É clara e evidente a Presença daqueles que a merecem. Se vê em seu olhar penetrante, capaz de atingir em cheio a alma da gentalha; na firmeza de seus gestos, com perfeição suficiente para demonstrar força, mas não descontrole; e na força de suas palavras, tão grandiosas quanto o urro primal do próprio Deus. Se duvidas de nossa excelência, basta maravilhar-se observando nossos diplomas, nossos atestados de majestade, nossos pergaminhos divinos. Nossas Tábuas da Lei.

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Eu sempre tento acreditar que não existe muita gente que cai nessa ladainha de “excelência acadêmica” até hoje. Quer dizer, grande merda você ter um canudo se você só o usa pra enfiar no próprio cu e rir sozinho.

É claro que ridicularizar a fala de tais pessoas grandiosas é extremamente baixo e sujo, mas quem disse que eu me importo? Eu poderia ter perdido meu tempo e passado a coluna de hoje inteira contestando do jeito “honrado e justo” o monte de velho babaca que acha que pendurar seus diplomas como quadros de Da Vinci na parede vai fazer com que eles pareçam mais do que são. Falar com todos os floreios que um monte de punheteiro acha que é necessário.

Agora, pra ser bem sincero, eu preferia ter resumido isso tudo a uma única frase:

VÃO TOMAR NOS OLHO DO SEUS CU BANDO DE FIAS DA PUTA.

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  1. junho 25, 2010 às 00:49

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