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Muito Longe de Casa – memórias de um menino soldado.

Nunca me pensei escrevendo uma resenha para o blog, ao certo por que acho chato alguém vir me recomendar o que eu devo ler, como se essa pessoa me conhecesse. Mas como toda regra tem sua exceção, a não ser essa, começo então uma nova coluna do blog: do que diabos gostamos. Sabemos que cada ser humano tem certas peculiariedades, tem gostos diversos e opiniões próprias (ao menos nós temos), por isso, sempre que um colunista achar algo realmente bom, seja um livro, uma musica, um filme, um tênis, um cigarro, uma tinta … enfim, o que diabos for … se acharmos que você deve saber que isso presta, você vai saber. Só espero que os colunistas preguiçosos não pensem que uma resenha equivale a um texto ( Sim! Vocês ainda tem os dias para cumprir. )
Para inaugurar essa coluna, eu trago uma ótma dica de um livro. Sabe aquele livro que tu olha na prateleira de lançamentos? Junto com a biografia de Paulo Coelho e com o último livro do crepúsculo. Pois é, um livro que, bem na verdade, tu não dá mínima.  Eu falo como se o livro fosse novo, mas na verdade é de 2007. Um livro que a capa e a contra-capa são fotografias … e, bom … nunca gostei de livros com capas assim.  Mas então meu irmão deu de presente de natal à minha mãe que, obviamente, leu até a página onze e eu, preocupado que estava indo cagar e não tinha nada para ler, peguei-o para passar alguns minutos no pensador. Surpresa foi a minha quando percebi estar lendo sentado no vaso já se passára uma hora, me dado a entender que ele era simplesmente fantástico.
O livro se chama “muito longe de casa – memórias de um menino soldado” e é escrito por ishmael beah, lançado pela editora ediouro. Nessa fotografia crua de um mundo que mal conhecemos, ishmael nos leva até a guerra civil de Serra Leoa, onde rebeldes invadiam vilarejos, que viviam à base de mandioca, batata doce e arroz de pilão, para estuprar mulheres e crianças, pilhar alimentos e recrutar garotos que não precisavam nem ao menos ter a estatura da arma que carregavam, para logo depois prender fogo em tudo que restava dos vilarejos. Ishmael, como um dos pouquíssimos sobreviventes, como um dos raros meninos-soldados vivos, descreve em detalhes tudo que viu e tudo que lhe aconteceu durante aqueles tempos. No começo, somos instruidos a acreditar que tudo não passa de um romance, mais algum entre tantos, até vermos a veracidade dos fatos, e a importância que cada fato tem para mudar toda história do livro. A leitura prende o espectador, a partir do momento que o leitor percebe ter algo que é real nas mãos, quando o leitor enxerga o quanto uma guerra cívil consegue ser oposta a racionalidade. Durante a leitura existem perdas, como em qualquer guerra verdadeira, e nos pegamos sentindo saudade dos personagens que somem, assim como ishmael sentiu na pele. É o tipo de livro que você lê algumas partes mais de uma vez, para você conseguir imaginar como seria uma cena dessas de verdade, as vezes até mesmo para ver se seria mesmo possível uma pessoa ter presenciado algo tão monstruoso.
Recomendo a leitura das trinta primeiras páginas, e duvido que você consiga parar de ler o livro depois disso. Para acabar, acho mais apropriadas as palavras da Newsweek, que diz: é necessário ler apenas vinte páginas de “muito longe de casa” para afirmar que, se fosse ficção, o jovem autor deveria ganhar um Prêmio Nobel.

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