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Pornografia, erotismo, nú artistíco e tudo isso dentro da arte.

Um dos grandes problemas de falar sobre erotismo é que existe uma linha muito fina que dividi pornografia e arte. O nú e o erótico sempre fizeram parte do mundo das artes, até a chegada da idade medieval, quando a igreja controlava com punhos firmes e rédeas curtas os artistas da época, e o renascimento da arte marcou a volta do conteúdo “proibido” para as telas.
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Aaron Hawks

O corpo humano é cheio de curvas, marcas únicas, detalhes pessoais, cor, tons, enfim … o corpo humano é uma boa fonte de beleza para um artista. Explorar o corpo nunca foi proíbido, as antigas casas de banho na grécia proporcionavam sexo livres, os exércitos, em tempos de guerra, organizavam grandes orgias para aliviar a tensão (o tesão) das batalhas, também temos o shunga, que eram os materiais eróticos japoneses do final do primeiro milênio, os mantras e manuscritos indianos sobre prazer sexual e muitos outros, já que sabemos que, se tratando de sexo, o ser humano vai além de todos os limites. O mundo ia muito bem, obrigado, até a ascenção da igreja católica e a listagem da luxúria como um pecado capital, já que se entregar aos prazeres carnais afastava o cristão do caminho espiritual, restando aos tarados as crônicas que os andarilhos contavam em tavernas, sobre grandes orgias e mulheres insaciáveis. O fim da pornografia ocidental se deu com o surgimento da Santa Inquisição, em 1231, que varreu do mapa qualquer santo vestígio de uma perna mal coberta ou de um seio à mostra. Durante os séculos que se seguiram, sentir prazer era proibido, pecaminoso. Sexo se tornou um bem cada vez menos praticado, e não resistir a essas tentações era tão grave quanto cuspir em uma cruz. Só a partir do século 15 é que alguém ousou pintar um nú novamente, como o clássico “O nascimento de Vênus” de Botticcelli. O problema é que essa tolerância renascenista não durou muito tempo, e a igreja apertou as rédeas da censura novamente, sendo, somente no século 18, que o assunto voltou a ser debatido, com o surgimento de alguns clubes libertinos e autores subversivos, que discutiam a moralidade falsa da igreja. Sem nem comentarmos sobre os clubes secretos que promoviam leituras de textos eróticos, e que acabavam em orgias, vamos passar para outro tema do texto: o que separa tudo isso?

Martin Kovalik

Mas o que distingue pornografia, erotismo e nú artístico? Qual a chave que difére esses assuntos, que parecem estar tão próximos um do outro? Uma grande maioria gosta de dizer que é o fomento que a obra dá ao espectador, e o meio no qual a obra se difunde. Qual a diferença entre uma playboy e as fotos de Jörg Riethausen se as duas apresentam o mesmo material? A playboy tem um objetivo pornográfico, enquanto as fotos de Jörg tem um objetivo erógeno, e é aqui que a linha que difere um do outro se afina. Se colocássemos uma foto da playboy em um museu, ela seria arte? Se fizéssemos uma revista com fótos eróticas, teriamos um material pornográfico? Perguntas que somente o sistema das artes pode responder, mas eu sei o que diriam, e eles diriam: “sim! Se uma foto da playboy for parar em um museu, ela vai ser arte, mas já que nenhum curador de museu vai pôr uma foto da revista nas suas galerias, podemos dizer que playboy é material pornográfico, que auxilia meninos na hora do (tosse forte) enquanto Jörg, Aaron Hawks, Martin Kovalik e os outros artistas merecem estar onde estão”, e eles diriam isso com um sorriso no rosto, por que eles sabem que são eles que mandam no mundo das artes acima de todos.

A partir da minha opinião pessoal, eu os classifico assim:

Pornografia: vendido em bancas de jornais, onde o grande público tem acesso mais fácil e rápido. Tem um objetivo prático e não nos faz pensar em nada que não seja meramente … meramente pornográfico. O tesão e o desejo está intimamente ligado à pornografia.

– Erotismo: encontrado em galerias e portfólios pessoais de artistas admiradores da beleza e da sensualidade humana. Sensual é algo que chama atenção pela sua beleza, e não pelo nú em sí. A sensualidade é algo moldável e muito variada, e tem um objetivo mais estético, onde aspectos subjetivos estão mais presentes.

– Nú artistico: o nú artístico é livre de qualquer desejo ou sensualidade. O nú artístico é um nú onde o corpo é nada mais que um exemplo, um objeto qualquer, sem predispostos nem esforços. Esse material carrega uma beleza puramente estética.

E para os tarados de plantão, alguns sites com materiais bem interessantes:

http://fototest.czweb.org/ (Martin Kovalik)

http://www.mrhawks.com/index2.php?v=v1 (Martin Hawks)

http://www.riethausen.de/index.html (Jörg Riethausen)

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  1. abril 23, 2009 às 08:27

    Caro Nuno Rosa,

    obrigado pelo seu texto; considerei-o bastante acertado e conciso.

    Faço fotografia de nú artístico (que pode encontrar no meu site) e, de certo modo, o seu texto ajudou-me a clarificar o que me seduz na fotografia de nú.

    Jorge Pedra

  2. março 11, 2012 às 16:20

    Gostei da sua reportagem.
    Muito bonitas as imagens.

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