Miraculum Est
O ex-seminarista nunca mais tocou em seu próprio pinto senão para urinar, e agora divulga essa graça.
Eu como cético ainda acho que isso é fake, será que pode ser edição isso ? Está muito real, inclusive a tristeza nos olhos da virgem.
Cada coisa intrigante.
Sobre faculdade, ensinos e coros de incompetentes
Hoje entrei (na verdade não hoje, mas uns dias atrás) em uma conversa um interessante com uns amigos meus: Ensino superior brasileiro.
Eu nunca espero que as pessoas concordem comigo quando entro em um debate de qualquer natureza, mas o que me deixa extremamente irritado nessas conversas, são idéias completamente absurdas, baseadas em nada mais que vontade pessoal de conseguir as coisas de modo fácil, e, claro, minha amada hipocrisia.
Foi o seguinte: Debatíamos a distribuição irregular de renda entre alunos do ensino superior. Nada mais normal, até entramos no assunto de cotas por um momento, mas o que me surpreendeu foi o seguinte fato: Lançarem a idéia de que o Ensino Superior Federal (ou qualquer um gratuito) deveria ser destinado somente a pessoas de baixa renda. Quem tivesse condições de pagar, que fosse para uma faculdade particular.
Talvez quando eu tivesse 14 anos e estivesse em fase rebelde de me revoltar contra a burguesia, acharia totalmente aceitável a idéia – hoje em dia eu acho totalmente mediocre.
O problema, para começar com o assunto, está na forma que alguém encara a faculdade – ele é uma instituição de ensino com vagas limitadas.
Por isso, óbviamente, a existência do vestibular, selecionar os mais preparados para ingressar no ensino superior.
Preciso ilustrar que ensino superior é um direito de todos? Pois é. Ai começam os problemas.
Costumam pintar a burguesia como culpada de ser a melhor preparada para o ensino superior brasileiro – e não é verdade, pintam como vilã pessoas que não tem nada a ver com isso. É um fato que qualquer investimento da iniciativa privada seja melhor que da iniciativa pública, mas o problema está no dinheiro que devia ser investido em ensino público e não é.
Logo, as melhores escolas são as particulares porque não dependem do governo para fazerem um ensino de qualidade e preparar os alunos para o vestibular. Se o governo não me dá um ensino de qualidade, o problema não é de quem tem dinheiro para investir nisso – pelo contrário, qualquer pessoa que queira o melhor para os seus filhos é incentivado a fazer isso.
Entramos também na questão dos cursos preparatórios, todos sabemos que eles são caros, mas você não precisaria deles se o governo desse o ensino que merece – e mesmo que não desse, qualquer pessoa pode estudar por conta própria.
Se qualquer pessoa pode optar por fazer escola pública ou privada, nada mais normal que no ensino superior seja da mesma forma – ou você quer também entrar nos méritos que quem tiver dinheiro tem a obrigação de estudar em um colégio particular?
O vestibular tende a separar os bons dos mediocres, logo, quem tiver a melhor preparação consegue uma fatia do bolo.
Ai entra a questão chamada ”mérito”, um aluno esforçado de escola particular, tem menos direito de cursar uma faculdade pública que um desleixado de ensino fundamental? Pois é, qualquer pessoa que se esforce nos estudos conseguirá atingir o objetivo da tão sonhada faculdade, independente da maldita casta que teve o azar (ou sorte) de nascer, é tudo uma questão de méritos. Todos devem ter as mesmas chances.
É uma hipocrisia sem tamanho clamar igualdade dentro das faculdades, enquanto defende que quem tiver condições tem a obrigação de pagar por aquilo, ironia da mais fina e linda. Se você pretende defender isso, também deveria dizer que qualquer pessoa com renda alta deve usufruir somente de bens particulares – hospitais, escolas, centros de lazer, etc…
O fato de ter dinheiro – ou não o ter – não qualifica nada na pessoa. Uma das pessoas mais inteligentes que eu conheci, passou a vida em ensino público , e falo certamente que ele passaria em uma federal se tivesse um ensino público decente. Não adianta você bradar que a pessoa X só entrou na faculdade F porque tem dinheiro. Isso é uma mentira sem tamanho, todos sabemos o quanto federais são disputadas, se ele não se esforçasse por conta própria para estudar – mesmo fazendo um cursinho preparatório, ir na aula e não estudar não é certeza de aprendizado – nunca passaria. Isso é mérito, isso é capacidade.
Afirmar coisas como essa é afirmar que rico é mais inteligente, qualquer pessoa pode ser inteligente, depende como ele moldou ela durante toda sua vida, é uma questão de conhecimento, é questão de ir atrás de conhecimento, é estudo.
Agora, gostaria de uma explicação bem clara do que é ”ter condições de bancar uma faculdade particular”. São pouquíssimas famílias brasileiras que tem essa condição – e me arrisco a dizer que a maior parte está em berços políticos. Imagino o seguinte, seu filho quer fazer uma faculdade com mensalidade de 3 mil por mês, você ganha 6 mil, irá gastar 50% da renda na educação superior. Tem condições? Matematicamente, sim, mas somente se você ignorar todos os outros gastos (alimentação, transporte, ter mais de um filho, vestuário , lazer, etc…). Entrar em uma faculdade e demorar 8 anos para se formar qualquer classe média consegue. Isso não é ter condições de pagar pelo ensino?
No fundo no fundo, qualquer um que afirmar um absurdo desses, de que tudo que é de graça deve ser para pobres, é um acomodado, que quer as coisas sem precisar se esforçar.
E esse é o termo principal de tudo isso: Esforço.
Sinceramente, isso devia ter vindo mesmo de um país moralmente confuso como o Brasil.
Textos referentes/Leitura sugerida:
Dos Privilégios
Burguesia, dinheiro e religião
Balelas de opinião
Estou farto de balelas de opinião.
De abobrinhas espiritualistas, de churumelas pacifistas.
De chavões anti-capitalistas e mensagens de amor e palavras de salvação.
Estou de saco cheio da sua consideração!
Não aguento mais ouvir-lhes, gente reprodutiva.
Não no sexo como causa de expressão minha,
mas na inconsciência da contradição. Em miséria na obsessiva repetitiva.
Em difusos pensamentos amentalizados, pois só gravados.
Não me venham com suas tolices e falsas dialéticas desfiguradas.
Pouco me lixo de seus contentamentos só abstratos
que não se acanham de si: seres tão parvos.
Esqueçam-me, que lhes procuro não perceber.
Ou então, toquem-se na sacação do que lhes digo,
se é que lhes resta algo a ser compreendido.
Raphael Maia Dias Teixeira, domingo de Páscoa, 2003.
Mentira
Ela mesmo, o diabo que assombra o coração dos puros de alma.
Não vou falar aqui sobre a importância de se mentir ou sobre como a falta da verdade nos é, muitas vezes, extremamente natural. Isso é óbvio. Percebam, mentir nos acontece com quase tanta frequência quanto respirar. A verdade é que, aos lábios de todos, soa tão ofensiva e estranha que causa um certo arrepio toda vez que é dita. Ou pelo menos no caso de vocês é assim.
O curioso mesmo é que qualquer mentira é, de algum modo, uma verdade. A sombra criada quando a mentira é contada pode ser sentida. Está lá, na sua cabeça. Presente. É assim que nascem as histórias. É assim que elas mudam. E do mesmo modo, mudam ideais e convicções.
E pode-se dizer que essa “sombra” é inclusive real. Quer dizer, o que diabo pode ser “de verdade” se você disser que o que tá DENTRO da sua cabeça não existe? E é aí que tá meu ponto: uma mentira bem contada faz nascer uma sombra na sua cabeça. Como uma semente no seu vasto campo de imaginação. É uma possibilidade não concretizada, uma verdade fantasma. Mas que tá lá, tremendo as correntes e dizendo um “bu” ocasional, pra te mostrar que ela existe.
Mentir, portanto, é mais do que parece. Um mentiroso é um criador, um artista. Pode ser um deus, até. Por que não? Tudo depende, apenas, do quanto você é capaz de fazer a sua criação durar. Dou-lhes um exemplo:
Em 1943, na California, um homem de trinta e poucos anos contou a todos na vizinhança que era filho de emissários do outro mundo, e que tinha vindo buscar um seleto grupo de pessoas para uma peregrinação, pois se fazia necessária a fundação de uma embaixada dos vivos e de uma escola de teatro, visto que os mortos perdem sua capacidade de representar, no Além. Como o Além vive de sombras e memórias, a mentira teria, portanto, um efeito muito mais sólido por aquelas bandas, o que fazia bastante sentido.
Talvez o homem devesse ter fundado também uma escola de Direito, sei lá. O importante é que, naquele ano, vinte e oito jovens participaram de um suicídio coletivo graças ao homem. O mais incrível? Alguns dos parentes entrevistados acreditam até hoje que eles simplesmente… cruzaram pro além. Pra fundar uma embaixada.
E eu lhes pergunto: Que mal há nisso?
A arte de reutilizar textos 2 – Battle Pope
Primeira resenha que fiz pra um saiteco ai, segue a diga de leitura.
Se você está procurando histórias que vão além de super-heróis clássicos, que vestem uma cueca por cima da calça, saem voando por ai com uma capa baitola e são politicamente corretos, você definitivamente não conhece Battle Pope.
Criado por Robert Kirkman e Tony More, lançado pela Image Comics, a HQ teve sua primeira edição publicada em Junho de 2005 nos Estados Unidos e Canadá. E, ironicamente, é uma homenagem ao papa João Paulo II.
Por incrível que pareça, não há relatos de qualquer censura por partes da igreja, afinal, fazer um HQ com um personagem Papa que é politicamente errado provavelmente teria uma repercussão negativa.
Mostrar o mundo sem religião foi suficiente para eles verem que até seria uma boa idéia o HQ ser lançado: um mundo sem religião é um mundo sem leis, afinal, ninguém mais seguiria as leis morais que a sociedade religiosa impõe, e mais, mostrar toda a humanidade sendo condenada ao inferno provavelmente faria mais cristãos irem a igreja domingo de manhã. Mas quer saber? Acho que as bichas do Vaticano até gostaram da homenagem.

O personagem principal da história é João Paulo: O Papa.
Não vá pensando que ele enfrenta muçulmanos infiéis que planejam ataques terroristas, não só isso, quer dizer.
A história é a seguinte: O tempo passou, a humanidade caiu cada vez mais, luxúria, cobiça e ira crescem a cada dia. Toda a humanidade segue sem temer o julgamento divino. A igreja também não era mais um lugar santo, padres e sacerdotes não são mais religiosos, e nem mesmo (e muito menos) o Papa era um sinal de santidade.
O tempo passou e o inesperado aconteceu: Deus veio fazer seu julgamento divino, poucos foram salvos e muitos foram condenados a permanecer na terra, as legiões do inferno acharam uma brecha para a terra e o caos tomou conta de tudo.

Papa João Paulo, que nesse momento perdeu sua divindade, não se conforma de ter sido abandonado por Deus, esperançoso que somente sua posição de Papa fosse garantir sua entrada no céu.
A humanidade parecia abandonada por Deus, o caos e o medo cresciam a cada dia. Nenhum lugar era seguro.
Mas Deus não abandonou completamente a humanidade. Gabriel , o anjo, por ordens de Deus tentava converter mais almas para ir ao paraíso até ser capturado por Lúcifer, líder das hordas demoníacas.
Sem outra opção, Deus recorre ao Papa João Paulo para resgatar o seu anjo, enviando Jesus para dar essa missão ao Papa em troca de sua entrada no paraíso.
Sem ter muitas opções, e com a recompensa parecendo tentadora, ele decide aceitar a missão e enfrentar as hordas demoníacas, seguido pelo seu fiel companheiro Jesus, que o ajuda nessa missão.
Battle Pope é um HQ que definitivamente merece ser lido, possui uma história um tanto inovadora, com grandes doses de comédia e humor negro e muita blasfêmia divina(para aqueles que gostam disso).
Que ce tá fazendo aqui ainda lendo isso?



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