Arquivar

Archive for the ‘Velho Resmungão’ Category

Sobre e 7ª Bienal do Mercosul, sobre o problema de se ver boa arte e sobre artistas com nomes indigitáveis

Outubro 31, 2009 Nuno Rosa 2 comentários

Esse texto fala de arte, isso basta para que você pare por aqui, mas caso queria prosseguir, peço que tenha um pouco de paciência.

Então, fui à 7ª Bienal de Artes do Mercosul fazem três dias. Acho que depois de ter ido em três bienais, posso falar um pouco sobre o que vi, não? Acho muito complicado julgar bienais de arte por que, primeiramente, existe uma séria dificuldade em se distinguir o que tem lá dentro é arte ou não, e falo sério. Por exemplo … havia um andaime semi-montado em um dos salões … eu não sei se aquilo era uma obra de arte, principalmente com a terrível dificuldade que se tinha em identificar os artistas, já que para achar suas fichas com nome e data da obra era preciso estar acompanhado do Sr. Watson (elementar meu caro Watson). Em segundo lugar, a atitude que algumas pessoas tem quando entram em bienais é algo como “oh! Estou entrando no cúmulo do bom gosto e do que é, de fato, arte. Então tudo aqui é inquestionável e absolutamente verdadeiro”, e sabe … eu preciso dizer o quanto isso é errado? Se o que vi na bienal é arte do tipo mais pura … acho que a arte precisa de misturas.

Não quero entrar em discussões sobre “o que á arte ?”, apesar de eu achar uma resposta muito sedutora ( … arte é construir-se para fora de si, é construir um mundo que temos como nosso, e expô-lo aos outros.), mas acabaríamos discutindo horas e mais horas para abordar o mesmo assunto que é onde eu quero chegar.

Vi na bienal algumas coisas que me deixaram intrigados, e colocaram em dúvida a qualidade da bienal que, nas três vezes em que visitei, me plantaram uma semente que hoje já tem o tamanho de uma centenária. O que me deixou bem curioso foi uma folha A4 onde estava impresso “obra em manutenção” … vocês conseguem entender o que isso significa? A partir de um momento que EU artista decidi que terminei uma obra, existem meios de alguém, além de mim, repará-la? Digo … é como se um marceneiro tentasse colar vitrais … entendem? E o que entendemos como manutenção? Geralmente, algo que precise de manutenção é por que, ou teve um belo mau uso ou já está gasto, já foi usado durante um bom tempo. O que leva a outro ponto interessante da 7ª bienal: o número de obras interativas, onde as pessoas deviam experimentar, manusear para que elas acontecessem, nos leva a pensar um pouco no designer, onde você precisa criar um produto que tenha interação, que seja novo, que divirta … então temos até agora dois pontos negativos da bienal: falta de organização + confusão com o designer.

A 7ª Bienal está acontecendo em três lugares de Porto Alegre: Cais do Porto, MARGS (Museu de Arte do Rio Grande do Sul) e no Santander Cultural. O cais, espero que vocês não visitem e se visitarem eu juro que vocês vão se arrepender. O Santander Cultural tem só vídeo-arte e nada mais, e nisso temos um ponto positivo da bienal: todas as obras apresentadas ali chegaram via internet, ou seja, houve uma interação e questionamento sobre a internet e a arte que, de um ponto de vista contemporâneo, é realmente bem interessante. No MARGS começa a salvação da tarde, ali estão algumas obras que prestam, que tem valor estético e são questionáveis, indagam o espectador. Principalmente nas salas laterais, onde estão algumas gravuras de artistas importantes brasileiros, muitos até gaúchos, só não sei se as salas em questão tem alguma conexão com a Bienal .. mas enfim … O segundo andar do MARGS tem o seu valor, o primeiro andar eu acho que foi feito pelas mesmas crianças que estavam lá quando visitei, e as obras presentes tem tanto valor para mim quanto o papel higiênico depois que eu usei.

Querem uma dica? Uma de verdade? Visitem a Casa de Cultura Mario Quintana, que não tem nada a ver com a bienal, mas em compensação está apresentando duas exposições das melhores que vi na mesma tarde. Uma de um fotógrafo, dono das fotos que vocês verão logo abaixo, e uma exposição do Xico Stockinger, dono de escultoras encantadoras, que carregam um sentimento que beira o sublime, simplesmente indescritível.

Dedicando um parágrafo a quem merece, preciso dar ênfase a quem mais me chamou atenção na mesma tarde. Um fotógrafo de nome muuuuuito estranho, confiram o nome na galeria, e dou um doce para quem souber pronunciar e como digitar o nome dele no Google, que é, com toda certeza, um dos melhores fotógrafos do qual tive o prazer de presenciar suas obras. Uma exposição de fotografias tiradas entre 1960 e 2000, em vários vilarejos da Morávia. Posso lhes garantir que a arte desse querido é algo simplesmente inquestionável, um dos poucos do ramo que sabem apontar uma lente para um lugar e imortalizar o que quer que seja. Um dos problemas da fotografia hoje em dia, é a regra contemporânea de que “todos vemos o mundo com olhos diferentes”, então os fotógrafos hoje se resumem a tirar fotos de cantos de paredes e cocos no chão, basta estar enquadrado, se for preto-e-branco então … supra-sumo. Esse amigo donos das fotos, chega a um vilarejo e capta o cotidiano de pessoas comuns … mas aonde vejo diferença disso com tantos outros que já fizeram o mesmo? Veja o resultado de seu trabalho, e tire suas conclusões. Ele faz mágica com uma câmera fotográfica, seus trabalhos se atiram sobre nossos olhos, nos demonstram como podem ser alegres as pessoas que vivem em um País desconhecido, morando em casas construídas à séculos, em vilarejos que parecem ter parado no tempo, que nos transmitem frio. Pessoas que não sabem posar para fotos, que não saberiam coreografar o que fazem nas fotos. Isso é a vida dela, elas são assim, e temos a prova disso. Basta olhar as fotos, é visível a alegria, a comodidade, a normalidade de tudo, enquanto tudo é contrário ao que nos ensinam ser “felicidade”. Suas musas e modelos são muitas vezes pessoas velhas, são momentos típicos e anormais. Eu passaria dias aqui descrevendo fotografia por fotografia, mas não tenho tempo, e ainda preciso me desculpar pela péssima qualidade das fotos, foram tiradas do meu celular, mas vocês vão conseguir entender sem maiores problemas o que está exposto na casa de cultura. Aos que querem mais informações sobre o fotógrafo basta tirar os acentos em cima das letras e jogar no Google, aos que querem que eu me cale: só mais um minuto.

Não visitem o Cais do Porto em época de Bienal, vocês estarão fazendo um mal a seus olhos, estarão infringindo dor à sua inteligência pois … sério, ir em bienais te deixa burro, pois é natural você tentar entender o que tu vê, e se tem alguma coisa que adoram colocar em bienais, são coisas que te fazem pensar “What the fuck?”.

Sobre faculdade, ensinos e coros de incompetentes

Outubro 30, 2009 NM 2 comentários

Hoje entrei (na verdade não hoje, mas uns dias atrás) em uma conversa um interessante com uns amigos meus: Ensino superior brasileiro.
Eu nunca espero que as pessoas concordem comigo quando entro em um debate de qualquer natureza, mas o que me deixa extremamente irritado nessas conversas, são idéias completamente absurdas, baseadas em nada mais que vontade pessoal de conseguir as coisas de modo fácil, e, claro, minha amada hipocrisia.

Foi o seguinte: Debatíamos a distribuição irregular de renda entre alunos do ensino superior. Nada mais normal, até entramos no assunto de cotas por um momento, mas o que me surpreendeu foi o seguinte fato: Lançarem a idéia de que o Ensino Superior Federal (ou qualquer um gratuito) deveria ser destinado somente a pessoas de baixa renda. Quem tivesse condições de pagar, que fosse para uma faculdade particular.
Talvez quando eu tivesse 14 anos e estivesse em fase rebelde de me revoltar contra a burguesia, acharia totalmente aceitável a idéia – hoje em dia eu acho totalmente mediocre.

O problema, para começar com o assunto, está na forma que alguém encara a faculdade – ele é uma instituição de ensino com vagas limitadas.
Por isso, óbviamente, a existência do vestibular, selecionar os mais preparados para ingressar no ensino superior.
Preciso ilustrar que ensino superior é um direito de todos? Pois é. Ai começam os problemas.

Costumam pintar a burguesia como culpada de ser a melhor preparada para o ensino superior brasileiro – e não é verdade, pintam como vilã pessoas que não tem nada a ver com isso. É um fato que qualquer investimento da iniciativa privada seja melhor que da iniciativa pública, mas o problema está no dinheiro que devia ser investido em ensino público e não é.
Logo, as melhores escolas são as particulares porque não dependem do governo para fazerem um ensino de qualidade e preparar os alunos para o vestibular. Se o governo não me dá um ensino de qualidade, o problema não é de quem tem dinheiro para investir nisso – pelo contrário, qualquer pessoa que queira o melhor para os seus filhos é incentivado a fazer isso.
Entramos também na questão dos cursos preparatórios, todos sabemos que eles são caros, mas você não precisaria deles se o governo desse o ensino que merece – e mesmo que não desse, qualquer pessoa pode estudar por conta própria.

Se qualquer pessoa pode optar por fazer escola pública ou privada, nada mais normal que no ensino superior seja da mesma forma – ou você quer também entrar nos méritos que quem tiver dinheiro tem a obrigação de estudar em um colégio particular?
O vestibular tende a separar os bons dos mediocres, logo, quem tiver a melhor preparação consegue uma fatia do bolo.

Ai entra a questão chamada ”mérito”, um aluno esforçado de escola particular, tem menos direito de cursar uma faculdade pública que um desleixado de ensino fundamental? Pois é, qualquer pessoa que se esforce nos estudos conseguirá atingir o objetivo da tão sonhada faculdade, independente da maldita casta que teve o azar (ou sorte) de nascer, é tudo uma questão de méritos. Todos devem ter as mesmas chances.

É uma hipocrisia sem tamanho clamar igualdade dentro das faculdades, enquanto defende que quem tiver condições tem a obrigação de pagar por aquilo, ironia da mais fina e linda. Se você pretende defender isso, também deveria dizer que qualquer pessoa com renda alta deve usufruir somente de bens particulares – hospitais, escolas, centros de lazer, etc…

O fato de ter dinheiro – ou não o ter – não qualifica nada na pessoa. Uma das pessoas mais inteligentes que eu conheci, passou a vida em ensino público , e falo certamente que ele passaria em uma federal se tivesse um ensino público decente. Não adianta você bradar que a pessoa X só entrou na faculdade F porque tem dinheiro. Isso é uma mentira sem tamanho, todos sabemos o quanto federais são disputadas, se ele não se esforçasse por conta própria para estudar – mesmo fazendo um cursinho preparatório, ir na aula e não estudar não é certeza de aprendizado – nunca passaria. Isso é mérito, isso é capacidade.

Afirmar coisas como essa é afirmar que rico é mais inteligente, qualquer pessoa pode ser inteligente, depende como ele moldou ela durante toda sua vida, é uma questão de conhecimento, é questão de ir atrás de conhecimento, é estudo.

Agora, gostaria de uma explicação bem clara do que é ”ter condições de bancar uma faculdade particular”. São pouquíssimas famílias brasileiras que tem essa condição – e me arrisco a dizer que a maior parte está em berços políticos. Imagino o seguinte, seu filho quer fazer uma faculdade com mensalidade de 3 mil por mês, você ganha 6 mil, irá gastar 50% da renda na educação superior. Tem condições? Matematicamente, sim, mas somente se você ignorar todos os outros gastos (alimentação, transporte, ter mais de um filho, vestuário , lazer, etc…). Entrar em uma faculdade e demorar 8 anos para se formar qualquer classe média consegue. Isso não é ter condições de pagar pelo ensino?

No fundo no fundo, qualquer um que afirmar um absurdo desses, de que tudo que é de graça deve ser para pobres, é um acomodado, que quer as coisas sem precisar se esforçar.
E esse é o termo principal de tudo isso: Esforço.
Sinceramente, isso devia ter vindo mesmo de um país moralmente confuso como o Brasil.

Textos referentes/Leitura sugerida:
Dos Privilégios
Burguesia, dinheiro e religião

Mentira

Outubro 23, 2009 capitaopiratao 1 comentário

Ela mesmo, o diabo que assombra o coração dos puros de alma.

Não vou falar aqui sobre a importância de se mentir ou sobre como a falta da verdade nos é, muitas vezes, extremamente natural. Isso é óbvio. Percebam, mentir nos acontece com quase tanta frequência quanto respirar. A verdade é que, aos lábios de todos, soa tão ofensiva e estranha que causa um certo arrepio toda vez que é dita. Ou pelo menos no caso de vocês é assim.

O curioso mesmo é que qualquer mentira é, de algum modo, uma verdade. A sombra criada quando a mentira é contada pode ser sentida. Está lá, na sua cabeça. Presente. É assim que nascem as histórias. É assim que elas mudam. E do mesmo modo, mudam ideais e convicções.

E pode-se dizer que essa “sombra” é inclusive real. Quer dizer, o que diabo pode ser “de verdade” se você disser que o que tá DENTRO da sua cabeça não existe? E é aí que tá meu ponto: uma mentira bem contada faz nascer uma sombra na sua cabeça. Como uma semente no seu vasto campo de imaginação. É uma possibilidade não concretizada, uma verdade fantasma. Mas que tá lá, tremendo as correntes e dizendo um “bu” ocasional, pra te mostrar que ela existe.

Mentir, portanto, é mais do que parece. Um mentiroso é um criador, um artista. Pode ser um deus, até. Por que não? Tudo depende, apenas, do quanto você é capaz de fazer a sua criação durar. Dou-lhes um exemplo:

Em 1943, na California, um homem de trinta e poucos anos contou a todos na vizinhança que era filho de emissários do outro mundo, e que tinha vindo buscar um seleto grupo de pessoas para uma peregrinação, pois se fazia necessária a fundação de uma embaixada dos vivos e de uma escola de teatro, visto que os mortos perdem sua capacidade de representar, no Além. Como o Além vive de sombras e memórias, a mentira teria, portanto, um efeito muito mais sólido por aquelas bandas, o que fazia bastante sentido.

Talvez o homem devesse ter fundado também uma escola de Direito, sei lá. O importante é que, naquele ano, vinte e oito jovens participaram de um suicídio coletivo graças ao homem. O mais incrível? Alguns dos parentes entrevistados acreditam até hoje que eles simplesmente… cruzaram pro além. Pra fundar uma embaixada.

E eu lhes pergunto: Que mal há nisso?

O que eu odeio em vegetarianos pé-no-saco

Outubro 18, 2009 Nuno Rosa 1 comentário

Depois de observar a antipatia que o NM tem por vegetarianos sem entender de onde brotava tanta aversão, eu reparei no tipo de comentários que os textos dele recebem. De gente que, evidentemente, é vegetariana e fala um bucado de besteiras. Mas a besteira que eu considero a mais legal de todas é a “crueldade com os animais”.

Eu não posso dizer que não tenho nada contra vegetarianos. Antigamente eu podia, por que as pessoas vegetarianas nas quais eu baseava minhas opiniões eram vegetarianas por motivos mais nobres, como: eu quero parar de comer carne e pronto! isso vai limpar meu corpo, quero me alimentar de uma forma mais saudável. Até aí eu entendo o motivo da pessoa se tornar vegetariana. Eu não ligo se uma pessoa é vegetaria ou não, cada pessoa se alimenta e mata o que quiser (eu mato um boi e você mata uma alface, pra mim dá no mesmo). O que tem me irritado mesmo é gente que não tem outro motivo de parar de comer carne por que isso é cruel, por que é maus tratos aos animais e os animais tem direito de viver e mimimi.

Vamos as estatísticas: vocês sabiam que, de 100 ovos que uma tartaruga desove na praia, apenas uma tartaruga vai chegar a fase adulta? e o que isso significa ó meu senhor? se não sou eu, o ser humano desprezível comedor de sangue que os mato, quem os faz? quem tem a audácia de matar uma simples e inocente criatura que acabara de sair do seu casúlo? vocês não sabem? bom, então eu recomendo um ramo da biologia muito requerido nos vestibulares: ecossistema. Certamente quem roeu o casco e chupou as entradas do bixo foi um tubarão ou alguma outra criatura marítima carnívora que tenha “bebê tartaruga” no cardápio.

- Mas então Nuno, qual a diferença? se eu parar de comer vaca, e elas forem soltas na natureza, elas não vão continuar morrendo e sendo mortas por animais carnívoros?

- Hahaha! Você está certo Timmy! libertar animais de matadouros é como setenciar sua morte de uma outra maneira. Mas você sabe muito bem Timmy, esses ativistas são espertos e criativos quando o assunto é liberar o búts e salvar a vida de quem eles alegam ter sentimentos. Eles devem imaginar um lugar onde todas as vacas podem ficar apenas pastando, livres de todos os carnívoros, onde elas não teriam mais nada a fazer, onde nenhum ser humano tiraria proveito delas. Eles imaginam um lugar onde as vacas fiquem com as tetas petrificadas de leite que não foi tirado, onde elas morrem as pencas na hora do parto (nos matadouros, se a vaca não for morta antes de dar a luz, para nos deliciarmos mais tarde com um belo pedaço de vitela, elas ganham um tratamento especial na hora do parto, já que o indíce de mortes no seu “habitat natural” é enorme). Timmy … na verdade, se eu fosse você, aproveitava o fato de estarmos num país onde a legalização das armas não é tão rígida, e compraria uma boa Uzi para se defender desses tais vegetarianos, para rechonecer algum, basta se certificar se ele tem metade do peso que uma pessoa saudável deveria ter, ou se ele tem um vibrador enfiado no meio das pernas.

Mas então meus amigos, por que ver leões matando zebras na selva não é cruel? por que nunca vi um vegetariano ir protestar na frente da jaula de um leão? para que o animal parasse de comer carne? Alguns vão dizer: por que o animal é irracional, ele não sabe que existe carne de soja e não sabe o sofrimento que causa a uma mamãe zebra quando mata o bebê zebra. E então eu digo a vocês que se o animal é irracional, vocês acham que ele tem sentimentos? o único sentimento que os animais tem é o instinto de sobrevivência, parem de me dizer que as vacas ficam discutindo Maquiavel na fila do abate.

Outros muitos me dizem que os animais não tem escolha, como nós temos. Dizem que nós podemos escolher comer alguma coisa que não seja algo morto. Mas porra, o animal pode escolher, só o que ele faz é fazer o mesmo que eu: ele faz a escolha certa.

Eu adoraria explicar a vocês como um bando de leões matam um elefante: primeiro eles cercam o animal, então eles se jogam nas costas e nos lados do animal, com suas garras, aos montes, até conseguirem derrubar o animal. Quando o elefante está no chão, o leão mais forte, que manda na porra toda, vai até a garganta do animal e morde, mas não com o intuíto de matar, e sim de matar o elefante sufocado, isso tudo enquanto os outros leões que derrubaram ele já estão mastigando seu estômago. O elefante vai morrer depois depois dois minutos, quando sua barriga já está aberta e os leões já estão todos banhados no sangue quente do animal, que não foi disperdiçado devido o sufocamento.

Interessante? muito, mostra o quanto os leões são inteligentes.

Momento “crônicas da vida” do texto:

Hoje no almoço vocês sabem o que eu comi? uma beeeeeeela picanha de 1,7Kg … vocês sabem o que isso significa? uma picanha normal pesa uns dois quilos no mínimo. 1,7Kg quer dizer que o animal foi abatido beeeem novinho na flor da idade, com toda uma vida de pastagem pela frente. E o que o destino reservou pra ele? fazer parte de uma das melhores picanhas que eu já comi, beeem macia, suculenta. Tesão.

A arte de reutilizar textos

Outubro 14, 2009 NM 1 comentário

Texto originalmente publicado em outros sitezinho por ai em….2007, acho. Então não liguem se o meu jeito de escrever parece muito diferente agora ou o caralho que for. E sim, era uma coluna sobre animes que eu fazia.
Enfim, fodam-se

Como todo mundo deve saber, ou pelo menos a parte do mundo que se interessa por animes e essas coisas, sabe que a atual moda brasileira (e me arrisco a dizer, MUNDIAL) é o animezinho chulé chamado Naruto.

Não sei direito quando essa moda começou, deve ter sido no mesmo ano em que os emos começaram a aparecer. Afinal, uma coisa ruim sempre trás outras piores e assim por diante.
Claro, se você já teve 10 anos, deve se lembrar que sempre existiu um ”anime febre” do momento, com direito a álbuns de figurinha, passar na tv aberta, e brincar com seu amigos fingindo ser os personagens do tal desenho. As vezes isso até gerava sangue porque ninguém queria ser o Shun.

Por meados de 1995 lembro que a moda era Cavaleiros do Zodíaco. Orra, quem lembra da extinta Tv Manchete? Foi a primeira a trazer animes modas para a tv. Embora só CDZ teve tanta repercusão, já outros como Yu Yu Hakusho ou Shurato, mal tiveram uns bonequinho do Paraguai para vender.
E quem não lembra de Pokémon? Acho que estourou em 2000 mais ou menos, ou um ano antes. Aquilo sim virou FEBRE NACIONAL. Onde quer que você fosse tinha alguma coisa sobre pokémon para vender, desde álbum de figurinhas a chaveiros. Tudo para roubar dinheiro da sua mãe se não você ficaria esperneando na frente da loja de brinquedos.

Eis que mais uma moda passa e chega outra: Naruto.
Pode perceber, já tá tudo lá. Passando na tv aberta (Com CORTES, onde já se viu um anime INFANTIL ter CORTES?), um monte de gente idiota fazendo cosplay de Naruto e tudo mais que vocês possam imaginar.
Ao meu ver, o criador de Naruto QUERIA algo que fizesse sucesso. Provavelmente ele já estava se entregando ao álcool e ao craque, e em uma última tentativa de sair do fundo do poço juntou TUDO que já tinha feito sucesso em uma história ‘’super inovadora” e para o público infantil*.

Pera pera, SUPER INOVADORA? Consigo imaginar a cara do criador quando ele pensou ”Uou! NINJAS! Com SUPER-PODERES! Que fazem missões e se orgulham de seus amigos em uma história com AMIZADE e ESPERANÇA!”.
Onde eu já vi isso antes?
Ah claro, para mim isso é uma mistura de Dragon Ball com Pokémon.
Sério mesmo, segue o raciocínio:
Pegue as centenas de pokémons e troque por Ninjas.
Tire o Ki e mude o nome para Chakra e o Kamehameha por Jutsu.

Feito Naruto, agora só adicionar as idéias de Shonen Padrão e tá feito a bagaça!

Dúvida que seja assim? Quer mais alguns exemplos? Certo.
Personagem principal engraçadão, come pra caralho, e por algum motivo interior bate pra caralho (heh). Personagem que começa amiguinho de todas, mas depois vira um filha da puta e se bandeia para o lado do inimigo. Uma organização que quer conquistar o mundo e sempre aparece com o mais forte do MAIS FORTE que veio antes.
Poh, é sempre assim desde Dragon Ball.

Tá, deixando minha opinião suja um pouco de lado, vamos tentar analisar o porque da atual febre.
Justamente por se clichezona. Só consigo pensar nesse motivo. A maioria das pessoas está acomodada demais para querer algo inovador com uma história motherfucker que vai ter que fazer você prestar muita atenção no anime para não perder um detalhe. É assim com Dragon Ball, não tem nenhum mistério a única coisa que importa são as lutas.
Não importa se você perdeu os últimos 10 episódios, sabe que tudo no final acaba bem e é decidido na base da porrada. Já que as lutas são a única coisa que importa para quem vê esse tipo de anime.
Muitos otakus (otáco!) não procuram animes por ter uma história inovadora ou um terror fodástico, ou até mesmo histórias nonsense como Lain. Procuram algo que lhes prendam a atenção sem ter que acompanhar muitos diálogos. Logo acabam caindo nos ”animes lutinha”.
E é nesse ponto que as pessoas que fazem anime sabem ganhar dinheiro: Fazem algo totalmente padrão para um público idiota alvo que vai se preocupar apenas com as lutas. A história, os personagens, a animação, nada disso interessa desde que possua lutas em excesso e sem sentido, seguindo o padrão ”apanha, apanha, lembra da técnica secreta do senhor myagi e usa o golpe secreto que ninguém mais sabe usar”.
Ainda colocando doses infantis de ”não perder a esperança e ter coragem e confiança nos amigos” para prender um pouco a atenção do público. Simulando um drama não existente.
E para prender cada vez mais a atenção das pessoas fazem os animes tornarem-se ”infinitos” passando da marca dos duzentos episódios. Por que? Não tem história complicada para se desenvolver, basta adicionar lutas a cada 2 episódios.
Imagine um Serial Experiments Lain com 200 episódios? Na metade do caminho você já estaria perdido na história. Ou um Death Note assim? Ou qualquer outro que tenha mais história que ação?
O público infantil quer ação não quer diálogos. Querem ver o herói se dar bem no final, ver o bem vencer e ser exatamente igual a Cavaleiros do Zodíaco ou Dragon Ball, apenas adicionando elementos modificados na história.
São esses os motivos que me fazem acreditar que um anime vira moda desse jeito. Justamente porque não tem nada mais que isso. É uma formula simples de sucesso.

E vou dizer (querendo ofender mesmo) que a maioria das pessoas que procuram esse tipo de anime, são justamente aquelas que fazem o termo ”otaku” ser motivo de chacota.
Gosta de porrada e violência? Tem animes assim muito melhores que Naruto.
Claro, existem muitos outros animes que seguem esse padrão. Mas nenhum deles é infinito e possuem uma história boa. Ou seja, ainda existem pessoas que criam histórias boas. Mas porra, Naruto é uma MERDA mesmo.