Arquivar

Arquivo de Autor

Macumba científica

Novembro 13, 2009 raphaelzaratustro 4 comentários

Hoje é sexta-feira treze, como todos sabem são as 24 horas que rola mais macumba, feitiçaria, bruxaria, trabalhos e oferendas para os demônios agirem em favor dos interesses da esquerda.

Então é o maior fuzuê no reino espiritual: os diabos atacando os escolhidos de Deus, e os anjos ralando no máximo para frustrá-los. Mas nem tudo conseguem, diga-se pela visita do presidente de Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, obviamente fruto das empresas espirituais do mau.

Ah, mas você não acredita em macumba? Você diz “essa porra toda é uma grande bobagem”? Pois demonstrarei cientificamente como se dá a eficácia da macumba, que você vai engolir a língua.

É tudo muito elementar; funciona assim:

Priemeiro lugar, tem que ter uma peça de roupa da vítima, ou um pedaço de unha, uma lasquinha de pele, um fio de cabelo como um pentelho ou cílios, pingo de saliva etc. e já vou dizer o motivo.

Os despachos feitos somente com fotos trataremos em outro momento pois é de procedimento espiritual e de natureza distintos.

Segundo lugar, entra a invocação da entidade, então a apresentação das ofertas, porque ninguém é otário pra trabalhar de graça. Muito menos um espírito velhaco dos infernos, como são os encostos de político safado, sempre presentes nas “cúpulas” do “poder” político. O caso de um da casta dos tiranos que manifestou no Collor recentemente, foi patente.

Portanto, voltando ao assunto central, da demonstração científico-macumbeira. Feito o passo um e o dois, dirão os ocultistas pré-modernistas que “vem agora um terceiro item sine qua non chamado FÉ. Ora, sem a fé nada acontece”… e mais besteiróis deste patamar, afinal o entendimento de macumbaria muito evoluiu nesses cinco séculos de luzes, e culminou neste conhecimento até hoje inédito que vos falarei já.

Pele, cabelo, saliva etc etc o que exatamente têm em comum?

Eureka! Contém o DNA da pessoa. O DNA, por sua vez, em suas nanoestruturas, lá no universo do quântico, é intimamente conectado – para não dizer coexistente – ao seu dono. Assim é que os tenebrosos ligam o ritual à vítima, pois necessitam daquele ponto quântico pra se transportar.

Ninguém está isento das influências sinistras. Até mesmo o nosso nobre presidente Lula já manifestou em público, como quando, na Granja do Torto, babando e bufando, entregou: “Tem um demônio em mim, qualquer hora eu toco o foda-se e fecho a merda desse congresso!”. Mas o sindicalista tem a cabeça forte e até hoje vem resistindo à tentação desse kapeta opressor com muita honradez.

Amigos e irmãos, que tenha servido esta divulgação científica como o mais importante dos avisos. Se eu quisesse seu mal me ocultaria, mas não me furtarei jamais de levantar a bandeira da verdade, porque luto pela nossa libertação; e aos poucos vocês compreenderão o nosso mais sincero fim.

Cuidado, então, irmãos. Que a macumba está solta. Hoje mais do que nunca. Na história desse país, uma nova marca. Principalmente agora que vocês sabem como a coisa toda funciona na realidade.

Um abraçãããããããããão…

O bom pastor boiola

Contam-se das histórias de um pastor gay, em metáforas de justiça.

Escutava-se a agüada voz do sacerdote…

Se eu não quiser viver o que eu prego, problema de quem? Minha parte faço bem, vivo o que vivo, prego o que prego.

Uma tarde aqui em casa me liga um fiel:

-Pastor eu preciso que o Senhor me solucione uma causa impossível: Minha mulher está me chifrando!

Então curioso perguntei:

- Com quantos?

O pobre cristão me responde:

- Com duas, pastor, oh Senhor!, com duas!

Logo me pus a pensar em como ajudar o desafortunado rapaz…

Então recorri diretamente às escrituras.

- Meu filho, só se cura o mal com o bem. Ponha em prática o conselho do Senhor. O amado irmão sabe exatamente onde que essas três pecadoras se andam ensaboando?

- Sim senhor, é na casa do irmão Alvenar.

- Então o irmão Alvenar também está no meio? Perguntei todo tenso.

- Não pastor. Ele sai pra igreja todo domingo.

- Ótimo, disse eu, melhor assim, pensando o quanto era bom que não era meu dia de pregar, aliviado.

Aí ouço o fiel desesperado do outro lado da linha:

- Pastor, oh Pai Eterno!, o que devo fazer para restituir o meu casamento?, pelo amor de Deus! Estou sem luz, assim não vivo!

Dei a receita suprema:

- Para colher é preciso que se plante. Você vai orar, meu filho, o remédio é orar… Abençoado, peça a Deus para te livrar dessas outras duas endemoninhadas. Ore meu filho, ore muito!

Pois bem, desliguei o telefonema com o fiel reconfortado, fui ao meu altar e clamei:

- Fazei, Senhor!, que me passe essa horrorosa provação! Apagai da minha mente essas imagens, esse cheiro, esses gostos da pura iniqüidade! Sai Satanás! Libertai-me do dia que me visitou aqui o Alvenar, quando além de corno ele foi viado!

Hoje, liberto pelo perdão a cada dia, vejo amplo. Sou o que sou, faço o que faço, gosto do que gosto. Depois de Adão, quem não pecou?

Prego o que prego. Só de almas já ganhei mais de cento e cinqüenta mil para o Senhor.

Mas é assim, né, todo domingo o Alvenar chega aqui em casa para nossa sagrada reunião, de uma missão secular.

E toda manhã as infinitas misericórdias do Senhor se renovam.

Opa!, com licença, o telefone está tocando:

- Alôu? A paz a ti irmão amado! Sim, sim? Glória, aleluia! Ele é Pai, meu amado, Ele é Pai! As outras duas se foram pelo poder da sua fé!

Perguntei “quanto tempo para obter o resultado das orações?”

- Só deu resultado mesmo pastor, a partir do dia que o Senhor me deu uma revelação: me mandou comprar Viagra. O meu pênis ficou tão duro que a mulher até dispensou a empregada, pediu demissão do emprego, só para se dedicar ao serviço doméstico, fazer minha comida… Agora, até me acompanha nos negócios, viaja comigo! Minha família está novamente unida, estamos todos muito felizes, graças ao Senhor! Sou todo grato! Obrigado por caminhar conosco pastor. Lhe devo minha vida, oh Homem de Deus!

Assim, ponho o telefone no gancho, mal inicio a oração de gratidão ao Senhor por me usar tão grandemente me derramando tamanha torrente de unção, quando… “dééééééééééééeé”, é a campainha. Hoje o dia está muito bem preenchido.

Vocês vão ter de me dar licença, vou correr até a porta, que hoje é domingo!

- Bye bye bofes! Úi, hora da delícia! Ái!

O bem-vindo encosto de biba retornou para a casa do benfazejo pastor boiola…

O pastor boiola que é inocente.

Vai um robô aí?

Robô é o seu computador pessoal ambulante. Seu representante profissional, ele é, digamos, sua personalidade desdobrada.

Robô não pede salário, mas ganha dinheiro para você. Trabalha sem parar e sem dormir. Ele age até pelos seus interesses mais perigosos, aqueles de altíssimo risco e lucratividade, afinal, comigo, tudo é backupeado, então “risco” do dicionário.

Com seu robô é assim, você pensa, ele faz. Ele quem se sacrifica. Ele que sem reclamar, nem em pensamento, faz todos os seus trabalhos mais chatos, mas desgastantes. Ele e você são um, é a sua nova mão, mas, digamos, com seis dedos!

O mais legal do robô já vou falar, e não é que ele não morre, porque morre, mas é só trocar por outro, e logo, isto não é problema. O mais legal é que tem acesso à internet, então, onde ele estiver, lá estará também você, se quiser.

Aí você se delicia vendo através de seus olhos, e através deles, conferindo-lhes emoções a seus admirados interlocutores, conforme, daqui, quem vai sentindo tudo é você. E ele vai aprendendo como você é, e daí passa a ser excelente em desempenhar o seu papel na sociedade. Tão excelente que dá conta de todos os recados, e ainda lhe supera.

Então, subitamente, você passa só a pensar, o que já basta para programá-lo, e claro que de  fato, paralelamente, sua conta bancária vai só crescendo… Porque você é bom no que faz. E o mercado está aceitando muito bem robô.

E você pensa na vida… E lá está seu fiel robô, presente num lindo cenário turístico. Todos lhe admiram tanto e a capacidade é tanta que na prateleira não faltam condecorações e os vídeos também estão ali para provar o quanto são valiosos seus méritos pessoais.

Mas à agenda basta somente um sete. Então as batatas fritas não parecem mais tão saborosas, e por outro lado, quase não faz mais beber nem chorar, e só dorme, você mesmo, só sonha, enquanto a preguiça passou a crescer em força. E “quem programa a quem?” pode ser o seu trágico drama existêncial.

Ou então, quem sabe você é desenvolto e vê negócio na coisa, não passa a comercializar robôs, mas você que não é otário, simplesmente os usa a todos.

E assim, antes e depois, pensa e, é só risada. Este pode ser o seu pensamento, metaforicamente falando?

Será que você, então, só enxerga o nano, e vê que ali jaz o limite?

Quebrante-se! Dizendo: “Vê se te sacode rapá!”.

Que o futuro chegou, nem acorde, o que você está fazendo disto, o que está diante de seu rosto? Que coisas lhe cercarão? Ou, como será a sua “vizinhança”?

Quero dizer, como você existe, e quer poder, digamos, exercer poder, atuar profissionalmente não precisa necessariamente ser agricultor. Você pode ser o que quiser, e é isso que tem que ficar de tudo!

A questão é como você QUER o planeta selvagem Terra? Porque, o mundo é uma sugestão.

“Quando sonhamos sozinhos, é só um sonho. Quando sonhamos juntos, é uma realidade” John Lennon.

Somos os jurados do futuro. A vida é um festival de música. A que composições de planeta premiaremos? E quais, simplesmente, escolheremos esquecer?

7 de setembro, 2008

Balelas de opinião

Outubro 27, 2009 raphaelzaratustro 1 comentário

Estou farto de balelas de opinião.
De abobrinhas espiritualistas, de churumelas pacifistas.
De chavões anti-capitalistas e mensagens de amor e palavras de salvação.
Estou de saco cheio da sua consideração!

Não aguento mais ouvir-lhes, gente reprodutiva.
Não no sexo como causa de expressão minha,
mas na inconsciência da contradição. Em miséria na obsessiva repetitiva.
Em difusos pensamentos amentalizados, pois só gravados.

Não me venham com suas tolices e falsas dialéticas desfiguradas.
Pouco me lixo de seus contentamentos só abstratos
que não se acanham de si: seres tão parvos.

Esqueçam-me, que lhes procuro não perceber.
Ou então, toquem-se na sacação do que lhes digo,
se é que lhes resta algo a ser compreendido.

Raphael Maia Dias Teixeira, domingo de Páscoa, 2003.