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Um haikai bobinho

Novembro 7, 2009 Nuno Rosa 1 comentário

Pra não dizer que não falei das flores postei nada neste domingo: um haikai bobinho.

Momento de percepção e solidão

Hoje troquei meu sofá,
Por uma cama de casal;
Sinto agora algo que antes não sentia;
Há espaço sobrando,
Preciso de ti.

by Nuno Rosa (esta obra não está protegida por nenhum tipo de direito autoral … sim! você pode até dizer que foi você quem fez isso)

Sobre e 7ª Bienal do Mercosul, sobre o problema de se ver boa arte e sobre artistas com nomes indigitáveis

Outubro 31, 2009 Nuno Rosa 2 comentários

Esse texto fala de arte, isso basta para que você pare por aqui, mas caso queria prosseguir, peço que tenha um pouco de paciência.

Então, fui à 7ª Bienal de Artes do Mercosul fazem três dias. Acho que depois de ter ido em três bienais, posso falar um pouco sobre o que vi, não? Acho muito complicado julgar bienais de arte por que, primeiramente, existe uma séria dificuldade em se distinguir o que tem lá dentro é arte ou não, e falo sério. Por exemplo … havia um andaime semi-montado em um dos salões … eu não sei se aquilo era uma obra de arte, principalmente com a terrível dificuldade que se tinha em identificar os artistas, já que para achar suas fichas com nome e data da obra era preciso estar acompanhado do Sr. Watson (elementar meu caro Watson). Em segundo lugar, a atitude que algumas pessoas tem quando entram em bienais é algo como “oh! Estou entrando no cúmulo do bom gosto e do que é, de fato, arte. Então tudo aqui é inquestionável e absolutamente verdadeiro”, e sabe … eu preciso dizer o quanto isso é errado? Se o que vi na bienal é arte do tipo mais pura … acho que a arte precisa de misturas.

Não quero entrar em discussões sobre “o que á arte ?”, apesar de eu achar uma resposta muito sedutora ( … arte é construir-se para fora de si, é construir um mundo que temos como nosso, e expô-lo aos outros.), mas acabaríamos discutindo horas e mais horas para abordar o mesmo assunto que é onde eu quero chegar.

Vi na bienal algumas coisas que me deixaram intrigados, e colocaram em dúvida a qualidade da bienal que, nas três vezes em que visitei, me plantaram uma semente que hoje já tem o tamanho de uma centenária. O que me deixou bem curioso foi uma folha A4 onde estava impresso “obra em manutenção” … vocês conseguem entender o que isso significa? A partir de um momento que EU artista decidi que terminei uma obra, existem meios de alguém, além de mim, repará-la? Digo … é como se um marceneiro tentasse colar vitrais … entendem? E o que entendemos como manutenção? Geralmente, algo que precise de manutenção é por que, ou teve um belo mau uso ou já está gasto, já foi usado durante um bom tempo. O que leva a outro ponto interessante da 7ª bienal: o número de obras interativas, onde as pessoas deviam experimentar, manusear para que elas acontecessem, nos leva a pensar um pouco no designer, onde você precisa criar um produto que tenha interação, que seja novo, que divirta … então temos até agora dois pontos negativos da bienal: falta de organização + confusão com o designer.

A 7ª Bienal está acontecendo em três lugares de Porto Alegre: Cais do Porto, MARGS (Museu de Arte do Rio Grande do Sul) e no Santander Cultural. O cais, espero que vocês não visitem e se visitarem eu juro que vocês vão se arrepender. O Santander Cultural tem só vídeo-arte e nada mais, e nisso temos um ponto positivo da bienal: todas as obras apresentadas ali chegaram via internet, ou seja, houve uma interação e questionamento sobre a internet e a arte que, de um ponto de vista contemporâneo, é realmente bem interessante. No MARGS começa a salvação da tarde, ali estão algumas obras que prestam, que tem valor estético e são questionáveis, indagam o espectador. Principalmente nas salas laterais, onde estão algumas gravuras de artistas importantes brasileiros, muitos até gaúchos, só não sei se as salas em questão tem alguma conexão com a Bienal .. mas enfim … O segundo andar do MARGS tem o seu valor, o primeiro andar eu acho que foi feito pelas mesmas crianças que estavam lá quando visitei, e as obras presentes tem tanto valor para mim quanto o papel higiênico depois que eu usei.

Querem uma dica? Uma de verdade? Visitem a Casa de Cultura Mario Quintana, que não tem nada a ver com a bienal, mas em compensação está apresentando duas exposições das melhores que vi na mesma tarde. Uma de um fotógrafo, dono das fotos que vocês verão logo abaixo, e uma exposição do Xico Stockinger, dono de escultoras encantadoras, que carregam um sentimento que beira o sublime, simplesmente indescritível.

Dedicando um parágrafo a quem merece, preciso dar ênfase a quem mais me chamou atenção na mesma tarde. Um fotógrafo de nome muuuuuito estranho, confiram o nome na galeria, e dou um doce para quem souber pronunciar e como digitar o nome dele no Google, que é, com toda certeza, um dos melhores fotógrafos do qual tive o prazer de presenciar suas obras. Uma exposição de fotografias tiradas entre 1960 e 2000, em vários vilarejos da Morávia. Posso lhes garantir que a arte desse querido é algo simplesmente inquestionável, um dos poucos do ramo que sabem apontar uma lente para um lugar e imortalizar o que quer que seja. Um dos problemas da fotografia hoje em dia, é a regra contemporânea de que “todos vemos o mundo com olhos diferentes”, então os fotógrafos hoje se resumem a tirar fotos de cantos de paredes e cocos no chão, basta estar enquadrado, se for preto-e-branco então … supra-sumo. Esse amigo donos das fotos, chega a um vilarejo e capta o cotidiano de pessoas comuns … mas aonde vejo diferença disso com tantos outros que já fizeram o mesmo? Veja o resultado de seu trabalho, e tire suas conclusões. Ele faz mágica com uma câmera fotográfica, seus trabalhos se atiram sobre nossos olhos, nos demonstram como podem ser alegres as pessoas que vivem em um País desconhecido, morando em casas construídas à séculos, em vilarejos que parecem ter parado no tempo, que nos transmitem frio. Pessoas que não sabem posar para fotos, que não saberiam coreografar o que fazem nas fotos. Isso é a vida dela, elas são assim, e temos a prova disso. Basta olhar as fotos, é visível a alegria, a comodidade, a normalidade de tudo, enquanto tudo é contrário ao que nos ensinam ser “felicidade”. Suas musas e modelos são muitas vezes pessoas velhas, são momentos típicos e anormais. Eu passaria dias aqui descrevendo fotografia por fotografia, mas não tenho tempo, e ainda preciso me desculpar pela péssima qualidade das fotos, foram tiradas do meu celular, mas vocês vão conseguir entender sem maiores problemas o que está exposto na casa de cultura. Aos que querem mais informações sobre o fotógrafo basta tirar os acentos em cima das letras e jogar no Google, aos que querem que eu me cale: só mais um minuto.

Não visitem o Cais do Porto em época de Bienal, vocês estarão fazendo um mal a seus olhos, estarão infringindo dor à sua inteligência pois … sério, ir em bienais te deixa burro, pois é natural você tentar entender o que tu vê, e se tem alguma coisa que adoram colocar em bienais, são coisas que te fazem pensar “What the fuck?”.

O que eu odeio em vegetarianos pé-no-saco

Outubro 18, 2009 Nuno Rosa 1 comentário

Depois de observar a antipatia que o NM tem por vegetarianos sem entender de onde brotava tanta aversão, eu reparei no tipo de comentários que os textos dele recebem. De gente que, evidentemente, é vegetariana e fala um bucado de besteiras. Mas a besteira que eu considero a mais legal de todas é a “crueldade com os animais”.

Eu não posso dizer que não tenho nada contra vegetarianos. Antigamente eu podia, por que as pessoas vegetarianas nas quais eu baseava minhas opiniões eram vegetarianas por motivos mais nobres, como: eu quero parar de comer carne e pronto! isso vai limpar meu corpo, quero me alimentar de uma forma mais saudável. Até aí eu entendo o motivo da pessoa se tornar vegetariana. Eu não ligo se uma pessoa é vegetaria ou não, cada pessoa se alimenta e mata o que quiser (eu mato um boi e você mata uma alface, pra mim dá no mesmo). O que tem me irritado mesmo é gente que não tem outro motivo de parar de comer carne por que isso é cruel, por que é maus tratos aos animais e os animais tem direito de viver e mimimi.

Vamos as estatísticas: vocês sabiam que, de 100 ovos que uma tartaruga desove na praia, apenas uma tartaruga vai chegar a fase adulta? e o que isso significa ó meu senhor? se não sou eu, o ser humano desprezível comedor de sangue que os mato, quem os faz? quem tem a audácia de matar uma simples e inocente criatura que acabara de sair do seu casúlo? vocês não sabem? bom, então eu recomendo um ramo da biologia muito requerido nos vestibulares: ecossistema. Certamente quem roeu o casco e chupou as entradas do bixo foi um tubarão ou alguma outra criatura marítima carnívora que tenha “bebê tartaruga” no cardápio.

- Mas então Nuno, qual a diferença? se eu parar de comer vaca, e elas forem soltas na natureza, elas não vão continuar morrendo e sendo mortas por animais carnívoros?

- Hahaha! Você está certo Timmy! libertar animais de matadouros é como setenciar sua morte de uma outra maneira. Mas você sabe muito bem Timmy, esses ativistas são espertos e criativos quando o assunto é liberar o búts e salvar a vida de quem eles alegam ter sentimentos. Eles devem imaginar um lugar onde todas as vacas podem ficar apenas pastando, livres de todos os carnívoros, onde elas não teriam mais nada a fazer, onde nenhum ser humano tiraria proveito delas. Eles imaginam um lugar onde as vacas fiquem com as tetas petrificadas de leite que não foi tirado, onde elas morrem as pencas na hora do parto (nos matadouros, se a vaca não for morta antes de dar a luz, para nos deliciarmos mais tarde com um belo pedaço de vitela, elas ganham um tratamento especial na hora do parto, já que o indíce de mortes no seu “habitat natural” é enorme). Timmy … na verdade, se eu fosse você, aproveitava o fato de estarmos num país onde a legalização das armas não é tão rígida, e compraria uma boa Uzi para se defender desses tais vegetarianos, para rechonecer algum, basta se certificar se ele tem metade do peso que uma pessoa saudável deveria ter, ou se ele tem um vibrador enfiado no meio das pernas.

Mas então meus amigos, por que ver leões matando zebras na selva não é cruel? por que nunca vi um vegetariano ir protestar na frente da jaula de um leão? para que o animal parasse de comer carne? Alguns vão dizer: por que o animal é irracional, ele não sabe que existe carne de soja e não sabe o sofrimento que causa a uma mamãe zebra quando mata o bebê zebra. E então eu digo a vocês que se o animal é irracional, vocês acham que ele tem sentimentos? o único sentimento que os animais tem é o instinto de sobrevivência, parem de me dizer que as vacas ficam discutindo Maquiavel na fila do abate.

Outros muitos me dizem que os animais não tem escolha, como nós temos. Dizem que nós podemos escolher comer alguma coisa que não seja algo morto. Mas porra, o animal pode escolher, só o que ele faz é fazer o mesmo que eu: ele faz a escolha certa.

Eu adoraria explicar a vocês como um bando de leões matam um elefante: primeiro eles cercam o animal, então eles se jogam nas costas e nos lados do animal, com suas garras, aos montes, até conseguirem derrubar o animal. Quando o elefante está no chão, o leão mais forte, que manda na porra toda, vai até a garganta do animal e morde, mas não com o intuíto de matar, e sim de matar o elefante sufocado, isso tudo enquanto os outros leões que derrubaram ele já estão mastigando seu estômago. O elefante vai morrer depois depois dois minutos, quando sua barriga já está aberta e os leões já estão todos banhados no sangue quente do animal, que não foi disperdiçado devido o sufocamento.

Interessante? muito, mostra o quanto os leões são inteligentes.

Momento “crônicas da vida” do texto:

Hoje no almoço vocês sabem o que eu comi? uma beeeeeeela picanha de 1,7Kg … vocês sabem o que isso significa? uma picanha normal pesa uns dois quilos no mínimo. 1,7Kg quer dizer que o animal foi abatido beeeem novinho na flor da idade, com toda uma vida de pastagem pela frente. E o que o destino reservou pra ele? fazer parte de uma das melhores picanhas que eu já comi, beeem macia, suculenta. Tesão.

O país mais uma vez me envergonha

Outubro 5, 2009 Nuno Rosa 1 comentário

Não que eu realmente espere algo melhor desse meu saudoso país, mas sempre há uma fagulha de esperança …

Então … parece que não se fala em outra coisa, pelo menos desde sexta-feira até a pouco quando eu liguei a televisão: nosso saudoso país vai sediar não só uma copa do mundo em 2014, como uma olimpíada em 2016.

O povo vai ao delírio, o Brasil vai se encher de turistas, os ladrões vão trabalhar feito doidos, a corrupção vai ter três anos para se alimentar como nunca teve por que o povo não vai ter quase mais nada para fazer a não ser se preocupar para os preparativos, preparar as ruas, acabar com as obras do metrô e encher as ruas de polícias militares, que iram sumir logo após o encerramento dos eventos.

Nosso falso senso de grande nação vai atingir patamares nunca antes alcançados, quebraremos recordes nas olimpíadas … quebraremos recordes, quebraremos as contas do governo, quebraremos as verbas da educação (pro diabo, pensamos em educação depois, agora estamos em ritmo de festa) e principalmente, quebraremos a cara, por que depois que isso passar, vai sobrar apenas alguns prédios erguidos, um punhado de gente desempregada que sustentou esperanças de que sua renda poderia continuar, que deu o suor para construir algo para pessoas das quais ele nunca vai fazer parte. O que ele vai receber em troca, alem de alguns trocados, que todos nós sabermos que não vai ser grande coisa, é um belo papel de palhaço, papel esse que o pobre coitado idiota faz desde o dia em que nasceu.

O que nos aguarda? Milhares de centenas de oportunidades de emprego, setor de turismo vai lá em cima … é a primeira vez que a América do Sul ai sediar uma olimpíada … mas será que não sediaram até hoje por que é óbvio que o país, antes de sangrar para apoiar o esporte, deveria apoiar uma evolução no campo da saúde e educação? Ah não! Temos exemplos vivos que esses setores vão bem, olhem as pessoas com um bom plano de saúde, e as escolas particulares? Quanta mais caras, mais ensinam.

Não gosto de americanos, apesar de ter uma simpatia pela idéia da casa branca ter virado um quilombo (huahauah, é brincadeira …), mas vocês viram qual era a porcentagem das pessoas que não apoiavam uma olimpíada em Chicago? Quase 90% (acho que foi 87), e vocês sabem por que? o povo por lá sofre até hoje a crise econômica. Não há emprego e eles não tem mais dinheiro para tomar café no Mac Donald’s, para que eles iriam querer então sediar uma olimpíada? para gastar MAIS dinheiro que pode ser usado para resolver uma situação mais imediata? Os americanos podem não saber o que é geografia (para eles não é uma matéria obrigatória na escola) mas eles tem um senso BEM maior que o nosso quando a questão é: nós estamos tão bem assim para gastar tanto dinheiro?

Estou exagerando não estou? estou ao certo falando besteiras não é verdade? Então fazemos assim: conversamos dentro de sete anos.

Parabéns ao Brasil por mais essa vergonhosa conquista. Parabéns ao país que quer se mostrar grande, lindo e para isso varre a sujeira para debaixo do tapete. Parabéns ao povo que não pode querer mais nada além de muitas festas e motivos de não trabalhar (isso é mentira? pelo que eu sabia a prefeitura do Rio decretou ponto facultativo no dia em que iam eleger a cidade que sediaria os jogos). Parabéns ao país que mais cresce para baixo em questão de saber priorizar o que precisa ser feito de imediato. Parabéns a todos que fizeram disso possível, e parabéns principalmente AO POVO IMBECÍL,COMO EU, BURRO E FILHO-DA-PUTA QUE AINDA ESPERA QUE ALGO REALMENTE BOM ACONTEÇA COM UMA PAÍS FUDIDO COMO ESSE.

HUAOHUAOHUAOHUAO

Outubro 4, 2009 Nuno Rosa 1 comentário

Sei que não é muito bacana ficar postando só imagens ou vídeos. Também não sei se é tão ruim assim … mas enfim, meu texto vem mais tarde. Precisava compartilhar com vocês essa foto … quem não souber o que é tem que levar um tiro no joelho.

Quem são?

Vocês não acham incrível como uma montagem tão simples e tão fácil de ser feita pode ser tão fantástica? E o ângulo da foto, tirada de dentro do carro … hauoehoauhe, simplesmente perfeita.