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Sobre faculdade, ensinos e coros de incompetentes

Outubro 30, 2009 NM 2 comentários

Hoje entrei (na verdade não hoje, mas uns dias atrás) em uma conversa um interessante com uns amigos meus: Ensino superior brasileiro.
Eu nunca espero que as pessoas concordem comigo quando entro em um debate de qualquer natureza, mas o que me deixa extremamente irritado nessas conversas, são idéias completamente absurdas, baseadas em nada mais que vontade pessoal de conseguir as coisas de modo fácil, e, claro, minha amada hipocrisia.

Foi o seguinte: Debatíamos a distribuição irregular de renda entre alunos do ensino superior. Nada mais normal, até entramos no assunto de cotas por um momento, mas o que me surpreendeu foi o seguinte fato: Lançarem a idéia de que o Ensino Superior Federal (ou qualquer um gratuito) deveria ser destinado somente a pessoas de baixa renda. Quem tivesse condições de pagar, que fosse para uma faculdade particular.
Talvez quando eu tivesse 14 anos e estivesse em fase rebelde de me revoltar contra a burguesia, acharia totalmente aceitável a idéia – hoje em dia eu acho totalmente mediocre.

O problema, para começar com o assunto, está na forma que alguém encara a faculdade – ele é uma instituição de ensino com vagas limitadas.
Por isso, óbviamente, a existência do vestibular, selecionar os mais preparados para ingressar no ensino superior.
Preciso ilustrar que ensino superior é um direito de todos? Pois é. Ai começam os problemas.

Costumam pintar a burguesia como culpada de ser a melhor preparada para o ensino superior brasileiro – e não é verdade, pintam como vilã pessoas que não tem nada a ver com isso. É um fato que qualquer investimento da iniciativa privada seja melhor que da iniciativa pública, mas o problema está no dinheiro que devia ser investido em ensino público e não é.
Logo, as melhores escolas são as particulares porque não dependem do governo para fazerem um ensino de qualidade e preparar os alunos para o vestibular. Se o governo não me dá um ensino de qualidade, o problema não é de quem tem dinheiro para investir nisso – pelo contrário, qualquer pessoa que queira o melhor para os seus filhos é incentivado a fazer isso.
Entramos também na questão dos cursos preparatórios, todos sabemos que eles são caros, mas você não precisaria deles se o governo desse o ensino que merece – e mesmo que não desse, qualquer pessoa pode estudar por conta própria.

Se qualquer pessoa pode optar por fazer escola pública ou privada, nada mais normal que no ensino superior seja da mesma forma – ou você quer também entrar nos méritos que quem tiver dinheiro tem a obrigação de estudar em um colégio particular?
O vestibular tende a separar os bons dos mediocres, logo, quem tiver a melhor preparação consegue uma fatia do bolo.

Ai entra a questão chamada ”mérito”, um aluno esforçado de escola particular, tem menos direito de cursar uma faculdade pública que um desleixado de ensino fundamental? Pois é, qualquer pessoa que se esforce nos estudos conseguirá atingir o objetivo da tão sonhada faculdade, independente da maldita casta que teve o azar (ou sorte) de nascer, é tudo uma questão de méritos. Todos devem ter as mesmas chances.

É uma hipocrisia sem tamanho clamar igualdade dentro das faculdades, enquanto defende que quem tiver condições tem a obrigação de pagar por aquilo, ironia da mais fina e linda. Se você pretende defender isso, também deveria dizer que qualquer pessoa com renda alta deve usufruir somente de bens particulares – hospitais, escolas, centros de lazer, etc…

O fato de ter dinheiro – ou não o ter – não qualifica nada na pessoa. Uma das pessoas mais inteligentes que eu conheci, passou a vida em ensino público , e falo certamente que ele passaria em uma federal se tivesse um ensino público decente. Não adianta você bradar que a pessoa X só entrou na faculdade F porque tem dinheiro. Isso é uma mentira sem tamanho, todos sabemos o quanto federais são disputadas, se ele não se esforçasse por conta própria para estudar – mesmo fazendo um cursinho preparatório, ir na aula e não estudar não é certeza de aprendizado – nunca passaria. Isso é mérito, isso é capacidade.

Afirmar coisas como essa é afirmar que rico é mais inteligente, qualquer pessoa pode ser inteligente, depende como ele moldou ela durante toda sua vida, é uma questão de conhecimento, é questão de ir atrás de conhecimento, é estudo.

Agora, gostaria de uma explicação bem clara do que é ”ter condições de bancar uma faculdade particular”. São pouquíssimas famílias brasileiras que tem essa condição – e me arrisco a dizer que a maior parte está em berços políticos. Imagino o seguinte, seu filho quer fazer uma faculdade com mensalidade de 3 mil por mês, você ganha 6 mil, irá gastar 50% da renda na educação superior. Tem condições? Matematicamente, sim, mas somente se você ignorar todos os outros gastos (alimentação, transporte, ter mais de um filho, vestuário , lazer, etc…). Entrar em uma faculdade e demorar 8 anos para se formar qualquer classe média consegue. Isso não é ter condições de pagar pelo ensino?

No fundo no fundo, qualquer um que afirmar um absurdo desses, de que tudo que é de graça deve ser para pobres, é um acomodado, que quer as coisas sem precisar se esforçar.
E esse é o termo principal de tudo isso: Esforço.
Sinceramente, isso devia ter vindo mesmo de um país moralmente confuso como o Brasil.

Textos referentes/Leitura sugerida:
Dos Privilégios
Burguesia, dinheiro e religião

A arte de reutilizar textos 2 – Battle Pope

Outubro 22, 2009 NM Deixe um comentário

Primeira resenha que fiz pra um saiteco ai, segue a diga de leitura.

Se você está procurando histórias que vão além de super-heróis clássicos, que vestem uma cueca por cima da calça, saem voando por ai com uma capa baitola e são politicamente corretos, você definitivamente não conhece Battle Pope.

Criado por Robert Kirkman e Tony More, lançado pela Image Comics, a HQ teve sua primeira edição publicada em Junho de 2005 nos Estados Unidos e Canadá. E, ironicamente, é uma homenagem ao papa João Paulo II.

Por incrível que pareça, não há relatos de qualquer censura por partes da igreja, afinal, fazer um HQ com um personagem Papa que é politicamente errado provavelmente teria uma repercussão negativa.

Mostrar o mundo sem religião foi suficiente para eles verem que até seria uma boa idéia o HQ ser lançado: um mundo sem religião é um mundo sem leis, afinal, ninguém mais seguiria as leis morais que a sociedade religiosa impõe, e mais, mostrar toda a humanidade sendo condenada ao inferno provavelmente faria mais cristãos irem a igreja domingo de manhã. Mas quer saber? Acho que as bichas do Vaticano até gostaram da homenagem.

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O personagem principal da história é João Paulo: O Papa.

Não vá pensando que ele enfrenta muçulmanos infiéis que planejam ataques terroristas, não só isso, quer dizer.

A história é a seguinte: O tempo passou, a humanidade caiu cada vez mais, luxúria, cobiça e ira crescem a cada dia. Toda a humanidade segue sem temer o julgamento divino. A igreja também não era mais um lugar santo, padres e sacerdotes não são mais religiosos, e nem mesmo (e muito menos) o Papa era um sinal de santidade.

O tempo passou e o inesperado aconteceu: Deus veio fazer seu julgamento divino, poucos foram salvos e muitos foram condenados a permanecer na terra, as legiões do inferno acharam uma brecha para a terra e o caos tomou conta de tudo.

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Papa João Paulo, que nesse momento perdeu sua divindade, não se conforma de ter sido abandonado por Deus, esperançoso que somente sua posição de Papa fosse garantir sua entrada no céu.

A humanidade parecia abandonada por Deus, o caos e o medo cresciam a cada dia. Nenhum lugar era seguro.

Mas Deus não abandonou completamente a humanidade. Gabriel , o anjo, por ordens de Deus tentava converter mais almas para ir ao paraíso até ser capturado por Lúcifer, líder das hordas demoníacas.

Sem outra opção, Deus recorre ao Papa João Paulo para resgatar o seu anjo, enviando Jesus para dar essa missão ao Papa em troca de sua entrada no paraíso.

Sem ter muitas opções, e com a recompensa parecendo tentadora, ele decide aceitar a missão e enfrentar as hordas demoníacas, seguido pelo seu fiel companheiro Jesus, que o ajuda nessa missão.

Battle Pope é um HQ que definitivamente merece ser lido, possui uma história um tanto inovadora, com grandes doses de comédia e humor negro e muita blasfêmia divina(para aqueles que gostam disso).

Que ce tá fazendo aqui ainda lendo isso?

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Balloon Boy e Michael Jackson

Outubro 15, 2009 NM 1 comentário

Link

Link 2
Deixa ver se eu entendi, um moleque de 6 anos entra em um balão, corta a corda, e sai voando.

Três teorias:
1 – Até morto o Michael Jackson tenta levar crianças pro ”neverland”
2 – Padre Balão, Moleque Balão, ahn? ahn? Entendeu onde quero chegar?
3 – Fodam-se e parem de me importunar com coisas pequenas.

A arte de reutilizar textos

Outubro 14, 2009 NM 1 comentário

Texto originalmente publicado em outros sitezinho por ai em….2007, acho. Então não liguem se o meu jeito de escrever parece muito diferente agora ou o caralho que for. E sim, era uma coluna sobre animes que eu fazia.
Enfim, fodam-se

Como todo mundo deve saber, ou pelo menos a parte do mundo que se interessa por animes e essas coisas, sabe que a atual moda brasileira (e me arrisco a dizer, MUNDIAL) é o animezinho chulé chamado Naruto.

Não sei direito quando essa moda começou, deve ter sido no mesmo ano em que os emos começaram a aparecer. Afinal, uma coisa ruim sempre trás outras piores e assim por diante.
Claro, se você já teve 10 anos, deve se lembrar que sempre existiu um ”anime febre” do momento, com direito a álbuns de figurinha, passar na tv aberta, e brincar com seu amigos fingindo ser os personagens do tal desenho. As vezes isso até gerava sangue porque ninguém queria ser o Shun.

Por meados de 1995 lembro que a moda era Cavaleiros do Zodíaco. Orra, quem lembra da extinta Tv Manchete? Foi a primeira a trazer animes modas para a tv. Embora só CDZ teve tanta repercusão, já outros como Yu Yu Hakusho ou Shurato, mal tiveram uns bonequinho do Paraguai para vender.
E quem não lembra de Pokémon? Acho que estourou em 2000 mais ou menos, ou um ano antes. Aquilo sim virou FEBRE NACIONAL. Onde quer que você fosse tinha alguma coisa sobre pokémon para vender, desde álbum de figurinhas a chaveiros. Tudo para roubar dinheiro da sua mãe se não você ficaria esperneando na frente da loja de brinquedos.

Eis que mais uma moda passa e chega outra: Naruto.
Pode perceber, já tá tudo lá. Passando na tv aberta (Com CORTES, onde já se viu um anime INFANTIL ter CORTES?), um monte de gente idiota fazendo cosplay de Naruto e tudo mais que vocês possam imaginar.
Ao meu ver, o criador de Naruto QUERIA algo que fizesse sucesso. Provavelmente ele já estava se entregando ao álcool e ao craque, e em uma última tentativa de sair do fundo do poço juntou TUDO que já tinha feito sucesso em uma história ‘’super inovadora” e para o público infantil*.

Pera pera, SUPER INOVADORA? Consigo imaginar a cara do criador quando ele pensou ”Uou! NINJAS! Com SUPER-PODERES! Que fazem missões e se orgulham de seus amigos em uma história com AMIZADE e ESPERANÇA!”.
Onde eu já vi isso antes?
Ah claro, para mim isso é uma mistura de Dragon Ball com Pokémon.
Sério mesmo, segue o raciocínio:
Pegue as centenas de pokémons e troque por Ninjas.
Tire o Ki e mude o nome para Chakra e o Kamehameha por Jutsu.

Feito Naruto, agora só adicionar as idéias de Shonen Padrão e tá feito a bagaça!

Dúvida que seja assim? Quer mais alguns exemplos? Certo.
Personagem principal engraçadão, come pra caralho, e por algum motivo interior bate pra caralho (heh). Personagem que começa amiguinho de todas, mas depois vira um filha da puta e se bandeia para o lado do inimigo. Uma organização que quer conquistar o mundo e sempre aparece com o mais forte do MAIS FORTE que veio antes.
Poh, é sempre assim desde Dragon Ball.

Tá, deixando minha opinião suja um pouco de lado, vamos tentar analisar o porque da atual febre.
Justamente por se clichezona. Só consigo pensar nesse motivo. A maioria das pessoas está acomodada demais para querer algo inovador com uma história motherfucker que vai ter que fazer você prestar muita atenção no anime para não perder um detalhe. É assim com Dragon Ball, não tem nenhum mistério a única coisa que importa são as lutas.
Não importa se você perdeu os últimos 10 episódios, sabe que tudo no final acaba bem e é decidido na base da porrada. Já que as lutas são a única coisa que importa para quem vê esse tipo de anime.
Muitos otakus (otáco!) não procuram animes por ter uma história inovadora ou um terror fodástico, ou até mesmo histórias nonsense como Lain. Procuram algo que lhes prendam a atenção sem ter que acompanhar muitos diálogos. Logo acabam caindo nos ”animes lutinha”.
E é nesse ponto que as pessoas que fazem anime sabem ganhar dinheiro: Fazem algo totalmente padrão para um público idiota alvo que vai se preocupar apenas com as lutas. A história, os personagens, a animação, nada disso interessa desde que possua lutas em excesso e sem sentido, seguindo o padrão ”apanha, apanha, lembra da técnica secreta do senhor myagi e usa o golpe secreto que ninguém mais sabe usar”.
Ainda colocando doses infantis de ”não perder a esperança e ter coragem e confiança nos amigos” para prender um pouco a atenção do público. Simulando um drama não existente.
E para prender cada vez mais a atenção das pessoas fazem os animes tornarem-se ”infinitos” passando da marca dos duzentos episódios. Por que? Não tem história complicada para se desenvolver, basta adicionar lutas a cada 2 episódios.
Imagine um Serial Experiments Lain com 200 episódios? Na metade do caminho você já estaria perdido na história. Ou um Death Note assim? Ou qualquer outro que tenha mais história que ação?
O público infantil quer ação não quer diálogos. Querem ver o herói se dar bem no final, ver o bem vencer e ser exatamente igual a Cavaleiros do Zodíaco ou Dragon Ball, apenas adicionando elementos modificados na história.
São esses os motivos que me fazem acreditar que um anime vira moda desse jeito. Justamente porque não tem nada mais que isso. É uma formula simples de sucesso.

E vou dizer (querendo ofender mesmo) que a maioria das pessoas que procuram esse tipo de anime, são justamente aquelas que fazem o termo ”otaku” ser motivo de chacota.
Gosta de porrada e violência? Tem animes assim muito melhores que Naruto.
Claro, existem muitos outros animes que seguem esse padrão. Mas nenhum deles é infinito e possuem uma história boa. Ou seja, ainda existem pessoas que criam histórias boas. Mas porra, Naruto é uma MERDA mesmo.

Postagem Rápida Número #22

Setembro 30, 2009 NM 2 comentários

Espero que saibam inglês.

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