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Archive for Outubro, 2009

Sobre e 7ª Bienal do Mercosul, sobre o problema de se ver boa arte e sobre artistas com nomes indigitáveis

Outubro 31, 2009 Nuno Rosa 2 comentários

Esse texto fala de arte, isso basta para que você pare por aqui, mas caso queria prosseguir, peço que tenha um pouco de paciência.

Então, fui à 7ª Bienal de Artes do Mercosul fazem três dias. Acho que depois de ter ido em três bienais, posso falar um pouco sobre o que vi, não? Acho muito complicado julgar bienais de arte por que, primeiramente, existe uma séria dificuldade em se distinguir o que tem lá dentro é arte ou não, e falo sério. Por exemplo … havia um andaime semi-montado em um dos salões … eu não sei se aquilo era uma obra de arte, principalmente com a terrível dificuldade que se tinha em identificar os artistas, já que para achar suas fichas com nome e data da obra era preciso estar acompanhado do Sr. Watson (elementar meu caro Watson). Em segundo lugar, a atitude que algumas pessoas tem quando entram em bienais é algo como “oh! Estou entrando no cúmulo do bom gosto e do que é, de fato, arte. Então tudo aqui é inquestionável e absolutamente verdadeiro”, e sabe … eu preciso dizer o quanto isso é errado? Se o que vi na bienal é arte do tipo mais pura … acho que a arte precisa de misturas.

Não quero entrar em discussões sobre “o que á arte ?”, apesar de eu achar uma resposta muito sedutora ( … arte é construir-se para fora de si, é construir um mundo que temos como nosso, e expô-lo aos outros.), mas acabaríamos discutindo horas e mais horas para abordar o mesmo assunto que é onde eu quero chegar.

Vi na bienal algumas coisas que me deixaram intrigados, e colocaram em dúvida a qualidade da bienal que, nas três vezes em que visitei, me plantaram uma semente que hoje já tem o tamanho de uma centenária. O que me deixou bem curioso foi uma folha A4 onde estava impresso “obra em manutenção” … vocês conseguem entender o que isso significa? A partir de um momento que EU artista decidi que terminei uma obra, existem meios de alguém, além de mim, repará-la? Digo … é como se um marceneiro tentasse colar vitrais … entendem? E o que entendemos como manutenção? Geralmente, algo que precise de manutenção é por que, ou teve um belo mau uso ou já está gasto, já foi usado durante um bom tempo. O que leva a outro ponto interessante da 7ª bienal: o número de obras interativas, onde as pessoas deviam experimentar, manusear para que elas acontecessem, nos leva a pensar um pouco no designer, onde você precisa criar um produto que tenha interação, que seja novo, que divirta … então temos até agora dois pontos negativos da bienal: falta de organização + confusão com o designer.

A 7ª Bienal está acontecendo em três lugares de Porto Alegre: Cais do Porto, MARGS (Museu de Arte do Rio Grande do Sul) e no Santander Cultural. O cais, espero que vocês não visitem e se visitarem eu juro que vocês vão se arrepender. O Santander Cultural tem só vídeo-arte e nada mais, e nisso temos um ponto positivo da bienal: todas as obras apresentadas ali chegaram via internet, ou seja, houve uma interação e questionamento sobre a internet e a arte que, de um ponto de vista contemporâneo, é realmente bem interessante. No MARGS começa a salvação da tarde, ali estão algumas obras que prestam, que tem valor estético e são questionáveis, indagam o espectador. Principalmente nas salas laterais, onde estão algumas gravuras de artistas importantes brasileiros, muitos até gaúchos, só não sei se as salas em questão tem alguma conexão com a Bienal .. mas enfim … O segundo andar do MARGS tem o seu valor, o primeiro andar eu acho que foi feito pelas mesmas crianças que estavam lá quando visitei, e as obras presentes tem tanto valor para mim quanto o papel higiênico depois que eu usei.

Querem uma dica? Uma de verdade? Visitem a Casa de Cultura Mario Quintana, que não tem nada a ver com a bienal, mas em compensação está apresentando duas exposições das melhores que vi na mesma tarde. Uma de um fotógrafo, dono das fotos que vocês verão logo abaixo, e uma exposição do Xico Stockinger, dono de escultoras encantadoras, que carregam um sentimento que beira o sublime, simplesmente indescritível.

Dedicando um parágrafo a quem merece, preciso dar ênfase a quem mais me chamou atenção na mesma tarde. Um fotógrafo de nome muuuuuito estranho, confiram o nome na galeria, e dou um doce para quem souber pronunciar e como digitar o nome dele no Google, que é, com toda certeza, um dos melhores fotógrafos do qual tive o prazer de presenciar suas obras. Uma exposição de fotografias tiradas entre 1960 e 2000, em vários vilarejos da Morávia. Posso lhes garantir que a arte desse querido é algo simplesmente inquestionável, um dos poucos do ramo que sabem apontar uma lente para um lugar e imortalizar o que quer que seja. Um dos problemas da fotografia hoje em dia, é a regra contemporânea de que “todos vemos o mundo com olhos diferentes”, então os fotógrafos hoje se resumem a tirar fotos de cantos de paredes e cocos no chão, basta estar enquadrado, se for preto-e-branco então … supra-sumo. Esse amigo donos das fotos, chega a um vilarejo e capta o cotidiano de pessoas comuns … mas aonde vejo diferença disso com tantos outros que já fizeram o mesmo? Veja o resultado de seu trabalho, e tire suas conclusões. Ele faz mágica com uma câmera fotográfica, seus trabalhos se atiram sobre nossos olhos, nos demonstram como podem ser alegres as pessoas que vivem em um País desconhecido, morando em casas construídas à séculos, em vilarejos que parecem ter parado no tempo, que nos transmitem frio. Pessoas que não sabem posar para fotos, que não saberiam coreografar o que fazem nas fotos. Isso é a vida dela, elas são assim, e temos a prova disso. Basta olhar as fotos, é visível a alegria, a comodidade, a normalidade de tudo, enquanto tudo é contrário ao que nos ensinam ser “felicidade”. Suas musas e modelos são muitas vezes pessoas velhas, são momentos típicos e anormais. Eu passaria dias aqui descrevendo fotografia por fotografia, mas não tenho tempo, e ainda preciso me desculpar pela péssima qualidade das fotos, foram tiradas do meu celular, mas vocês vão conseguir entender sem maiores problemas o que está exposto na casa de cultura. Aos que querem mais informações sobre o fotógrafo basta tirar os acentos em cima das letras e jogar no Google, aos que querem que eu me cale: só mais um minuto.

Não visitem o Cais do Porto em época de Bienal, vocês estarão fazendo um mal a seus olhos, estarão infringindo dor à sua inteligência pois … sério, ir em bienais te deixa burro, pois é natural você tentar entender o que tu vê, e se tem alguma coisa que adoram colocar em bienais, são coisas que te fazem pensar “What the fuck?”.

Miraculum Est

Cientistas do mundo inteiro estão intrigados com o experimento realizado por um ex-seminarista que questionava sua fé. O seminarista duvidava que a masturbação fosse pecado, e quando ejaculou dentro de uma camisinha recebeu a verdade revelada de nossa senhora segurando o menino jesus.

O ex-seminarista nunca mais tocou em seu próprio pinto senão para urinar, e agora divulga essa graça.

Eu como cético ainda acho que isso é fake, será que pode ser edição isso ? Está muito real, inclusive a tristeza nos olhos da virgem.

Cada coisa intrigante.

Sobre faculdade, ensinos e coros de incompetentes

Outubro 30, 2009 NM 3 comentários

Hoje entrei (na verdade não hoje, mas uns dias atrás) em uma conversa um interessante com uns amigos meus: Ensino superior brasileiro.
Eu nunca espero que as pessoas concordem comigo quando entro em um debate de qualquer natureza, mas o que me deixa extremamente irritado nessas conversas, são idéias completamente absurdas, baseadas em nada mais que vontade pessoal de conseguir as coisas de modo fácil, e, claro, minha amada hipocrisia.

Foi o seguinte: Debatíamos a distribuição irregular de renda entre alunos do ensino superior. Nada mais normal, até entramos no assunto de cotas por um momento, mas o que me surpreendeu foi o seguinte fato: Lançarem a idéia de que o Ensino Superior Federal (ou qualquer um gratuito) deveria ser destinado somente a pessoas de baixa renda. Quem tivesse condições de pagar, que fosse para uma faculdade particular.
Talvez quando eu tivesse 14 anos e estivesse em fase rebelde de me revoltar contra a burguesia, acharia totalmente aceitável a idéia – hoje em dia eu acho totalmente mediocre.

O problema, para começar com o assunto, está na forma que alguém encara a faculdade – ele é uma instituição de ensino com vagas limitadas.
Por isso, óbviamente, a existência do vestibular, selecionar os mais preparados para ingressar no ensino superior.
Preciso ilustrar que ensino superior é um direito de todos? Pois é. Ai começam os problemas.

Costumam pintar a burguesia como culpada de ser a melhor preparada para o ensino superior brasileiro – e não é verdade, pintam como vilã pessoas que não tem nada a ver com isso. É um fato que qualquer investimento da iniciativa privada seja melhor que da iniciativa pública, mas o problema está no dinheiro que devia ser investido em ensino público e não é.
Logo, as melhores escolas são as particulares porque não dependem do governo para fazerem um ensino de qualidade e preparar os alunos para o vestibular. Se o governo não me dá um ensino de qualidade, o problema não é de quem tem dinheiro para investir nisso – pelo contrário, qualquer pessoa que queira o melhor para os seus filhos é incentivado a fazer isso.
Entramos também na questão dos cursos preparatórios, todos sabemos que eles são caros, mas você não precisaria deles se o governo desse o ensino que merece – e mesmo que não desse, qualquer pessoa pode estudar por conta própria.

Se qualquer pessoa pode optar por fazer escola pública ou privada, nada mais normal que no ensino superior seja da mesma forma – ou você quer também entrar nos méritos que quem tiver dinheiro tem a obrigação de estudar em um colégio particular?
O vestibular tende a separar os bons dos mediocres, logo, quem tiver a melhor preparação consegue uma fatia do bolo.

Ai entra a questão chamada ”mérito”, um aluno esforçado de escola particular, tem menos direito de cursar uma faculdade pública que um desleixado de ensino fundamental? Pois é, qualquer pessoa que se esforce nos estudos conseguirá atingir o objetivo da tão sonhada faculdade, independente da maldita casta que teve o azar (ou sorte) de nascer, é tudo uma questão de méritos. Todos devem ter as mesmas chances.

É uma hipocrisia sem tamanho clamar igualdade dentro das faculdades, enquanto defende que quem tiver condições tem a obrigação de pagar por aquilo, ironia da mais fina e linda. Se você pretende defender isso, também deveria dizer que qualquer pessoa com renda alta deve usufruir somente de bens particulares – hospitais, escolas, centros de lazer, etc…

O fato de ter dinheiro – ou não o ter – não qualifica nada na pessoa. Uma das pessoas mais inteligentes que eu conheci, passou a vida em ensino público , e falo certamente que ele passaria em uma federal se tivesse um ensino público decente. Não adianta você bradar que a pessoa X só entrou na faculdade F porque tem dinheiro. Isso é uma mentira sem tamanho, todos sabemos o quanto federais são disputadas, se ele não se esforçasse por conta própria para estudar – mesmo fazendo um cursinho preparatório, ir na aula e não estudar não é certeza de aprendizado – nunca passaria. Isso é mérito, isso é capacidade.

Afirmar coisas como essa é afirmar que rico é mais inteligente, qualquer pessoa pode ser inteligente, depende como ele moldou ela durante toda sua vida, é uma questão de conhecimento, é questão de ir atrás de conhecimento, é estudo.

Agora, gostaria de uma explicação bem clara do que é ”ter condições de bancar uma faculdade particular”. São pouquíssimas famílias brasileiras que tem essa condição – e me arrisco a dizer que a maior parte está em berços políticos. Imagino o seguinte, seu filho quer fazer uma faculdade com mensalidade de 3 mil por mês, você ganha 6 mil, irá gastar 50% da renda na educação superior. Tem condições? Matematicamente, sim, mas somente se você ignorar todos os outros gastos (alimentação, transporte, ter mais de um filho, vestuário , lazer, etc…). Entrar em uma faculdade e demorar 8 anos para se formar qualquer classe média consegue. Isso não é ter condições de pagar pelo ensino?

No fundo no fundo, qualquer um que afirmar um absurdo desses, de que tudo que é de graça deve ser para pobres, é um acomodado, que quer as coisas sem precisar se esforçar.
E esse é o termo principal de tudo isso: Esforço.
Sinceramente, isso devia ter vindo mesmo de um país moralmente confuso como o Brasil.

Textos referentes/Leitura sugerida:
Dos Privilégios
Burguesia, dinheiro e religião

Balelas de opinião

Outubro 27, 2009 raphaelzaratustro 1 comentário

Estou farto de balelas de opinião.
De abobrinhas espiritualistas, de churumelas pacifistas.
De chavões anti-capitalistas e mensagens de amor e palavras de salvação.
Estou de saco cheio da sua consideração!

Não aguento mais ouvir-lhes, gente reprodutiva.
Não no sexo como causa de expressão minha,
mas na inconsciência da contradição. Em miséria na obsessiva repetitiva.
Em difusos pensamentos amentalizados, pois só gravados.

Não me venham com suas tolices e falsas dialéticas desfiguradas.
Pouco me lixo de seus contentamentos só abstratos
que não se acanham de si: seres tão parvos.

Esqueçam-me, que lhes procuro não perceber.
Ou então, toquem-se na sacação do que lhes digo,
se é que lhes resta algo a ser compreendido.

Raphael Maia Dias Teixeira, domingo de Páscoa, 2003.

Mentira

Outubro 23, 2009 capitaopiratao 1 comentário

Ela mesmo, o diabo que assombra o coração dos puros de alma.

Não vou falar aqui sobre a importância de se mentir ou sobre como a falta da verdade nos é, muitas vezes, extremamente natural. Isso é óbvio. Percebam, mentir nos acontece com quase tanta frequência quanto respirar. A verdade é que, aos lábios de todos, soa tão ofensiva e estranha que causa um certo arrepio toda vez que é dita. Ou pelo menos no caso de vocês é assim.

O curioso mesmo é que qualquer mentira é, de algum modo, uma verdade. A sombra criada quando a mentira é contada pode ser sentida. Está lá, na sua cabeça. Presente. É assim que nascem as histórias. É assim que elas mudam. E do mesmo modo, mudam ideais e convicções.

E pode-se dizer que essa “sombra” é inclusive real. Quer dizer, o que diabo pode ser “de verdade” se você disser que o que tá DENTRO da sua cabeça não existe? E é aí que tá meu ponto: uma mentira bem contada faz nascer uma sombra na sua cabeça. Como uma semente no seu vasto campo de imaginação. É uma possibilidade não concretizada, uma verdade fantasma. Mas que tá lá, tremendo as correntes e dizendo um “bu” ocasional, pra te mostrar que ela existe.

Mentir, portanto, é mais do que parece. Um mentiroso é um criador, um artista. Pode ser um deus, até. Por que não? Tudo depende, apenas, do quanto você é capaz de fazer a sua criação durar. Dou-lhes um exemplo:

Em 1943, na California, um homem de trinta e poucos anos contou a todos na vizinhança que era filho de emissários do outro mundo, e que tinha vindo buscar um seleto grupo de pessoas para uma peregrinação, pois se fazia necessária a fundação de uma embaixada dos vivos e de uma escola de teatro, visto que os mortos perdem sua capacidade de representar, no Além. Como o Além vive de sombras e memórias, a mentira teria, portanto, um efeito muito mais sólido por aquelas bandas, o que fazia bastante sentido.

Talvez o homem devesse ter fundado também uma escola de Direito, sei lá. O importante é que, naquele ano, vinte e oito jovens participaram de um suicídio coletivo graças ao homem. O mais incrível? Alguns dos parentes entrevistados acreditam até hoje que eles simplesmente… cruzaram pro além. Pra fundar uma embaixada.

E eu lhes pergunto: Que mal há nisso?