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Archive for Setembro, 2009

Postagem Rápida Número #22

Setembro 30, 2009 NM 2 comentários

Espero que saibam inglês.

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Diálogo de moribundos, ou: um capítulo não desenhado de John Constantine

Setembro 27, 2009 Nuno Rosa Deixe um comentário

Eram quase três da manha naquela noite que nevava calmo. O farol do carro encontrava algumas árvores ladeira abaixo, enquanto o capô, destruído, parecia ter se juntado à árvore na qual batera. O cheiro dos pinheiros se misturava com o cheiro úmido e frio da neve, que estava com trinta centímetros de altura naquela região. Dentro do carro, uma mulher ao volante, com a cabeça parecendo um emaranhado de sangue e cabelo, alguns dentes espalhados pelo seu colo e no parabrisa. Se aproximava do carro, descendo uma pequena parte da ladeira, em passos calmos, resmungando sobre a neve, uma silhueta alta, com dois olhos verdes cintilantes. Acendendo um cigarro, ele sentou no capô e tragou profundamente:
- Eu disse para você que não daria certo, por que tanta teimosia?
O corpo permaneceu imóvel, morto.
- Sabe … eu tenho andado tão emotivo ultimamente – deu outra tragada no cigarro – me parece que estou carregando tantos segredos, um fardo tão pesado, cheio de histórias que ninguém deve saber. Vou aproveitar que você está para morrer e vou aliviar um pouco meu stress.
A cabeça pareceu ter um ataque nervoso, e se mexeu repentinamente, para logo depois voltar a ficar imóvel.
- Minha mãe tentou me criar sozinho sabia? Quando eu tinha completado oito anos, e ela estava no auge se achando uma mulher independente, orgulhosa de criar uma criança sem um marido, ela se apaixonou por um babaca que, logo depois de levá-la para a cama, a largou como lixo, para os ratos comerem os restos. Bom … mamãe se sentiu só e amargurada, e viu o remédio para o seu sofrimento no cano de um revólver.
Deu outra tragada no cigarro, ajeitou a gola do casaco de couro e se virou para o cadáver:
- Estamos tão sós aqui, vamos colocar uma música.
O homem quebrou o vidro do parabrisa com a coronha de uma pistola e ligou o rádio, onde os Beatles começavam a cantar “Lucy in the Sky with Diamonds”:
- Então … bom, eu fui parar em um orfanato, de onde eu fugi três meses depois. Aquele lugar era muito pior do que a prisão onde fui parar alguns anos depois, mas vamos chegar nessa parte daqui a pouco. Bom, como um garoto de rua, comi restos de lixeiras durante oito meses, e completei nove anos me aninhando em uns trapos velhos, ao redor de um tonel que queimava jornais e algumas madeiras secas que eu e outros mendigos achávamos. Bom, menos de dois meses se passaram e duas freiras vieram me juntar da rua. Me levaram para um convento, onde fui criado como um ser humano temente a Deus, onde rezava todos os dias antes de dormir e onde fui educado.
O corpo balbuciou, se sacudiu rapidamente e se encostou no banco, estirado. O rosto estava deformado, no lugar de um olho havia um buraco, que sangrava lentamente, o maxilar deslocado e sem nenhum dente na boca aberta.
- Um padre, de quem me tornei amigo, me ensinou boa parte do que sei sobre vocês. Me tornou um homem de conhecimento, um estudioso. O problema é que subestimei os poderes de sua raça, e quando me senti forte o bastante para enfrentar um de vocês, um demônio sujo me possuiu, e me fez trucidar toda a igreja, me fez rasgar a carne de cada freira com meus dentes, e me fez oferecer o sangue de meu mestre ao teu chefe. Graças a isso, fui preso no dia seguinte, mas minha estadia foi curta, mais curta do que o orfanato. Em uma tarde de verão, o vaticano mandou dois representantes na prisão, e naquela mesma tarde eu já havia sido avisado sobre o meu novo objetivo de vida. Sabe de uma coisa? Com os templários aprendi a não ter medo de vocês, e aprendi que vocês não são capazes de me matar.
O corpo se lançou para frente, pelo buraco do parabrisa, e agarrou o homem pelo braço, com uma força descomunal:
- Impressionante. Ainda tem força para mover este corpo morto? Estou terminando com algo mais forte do que eu pensava. Me sinto orgulhoso, e agora bem mais leve.
O homem agarrou o corpo pelo pescoço, viscoso de sangue, com uma boca aberta, de onde saía um cheiro pútrido. O pescoço começou a queimar, a fumaça de carne chamuscada começou a se confundir com a neblina que tinha recém começado:
- Volte e avise seu chefe que eu estou esperando ele criar coragem para vir me pegar.
O corpo sem cabeça despencou no banco, enquanto o homem tirava uma pequena garrafa de dentro do casaco.
Os Beatles terminavam de cantar entre o fogo que consumia todo o carro, até o homem ver, já na beira da estrada, o carro explodir em um cogumelo de fumaça que significava mais um trabalho bem feito.

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Setembro 24, 2009 NM 2 comentários

Manhã de segunda feira, toda aquela correia habitual de pessoas entrando e saindo do metrô, cada qual caminhando para um lado dispostos a chegar em seus trabalhos com segurança.
Seu Moacir faz o mesmo trajeto para ir trabalhar a 5 anos, nada de novo, só mais uma segunda feira como tantas outras.

No meio do caminho, indo em sua direção, um adulto em trapos, cabelo comprido e barba espessa. Passa ao seu lado, coloca a mão no ombro de seu Moacir e diz:

- Ó, Moacir, será que….
- To sem cigarro hoje, aceita umas moedas?
- Não, não, é que…
- Ta, cara, to indo, to me atrasando.
- Serás que não percebes que está ao seu lado?

Seu Moacir olha, força a memória, não lembra.

- Ex-Colega?
- Eu sou eu, seu senhor Jesus Cristo!

(Se você é alguma forma de cristão, vá direto ao final do texto, se não, continue lendo)

”Esses mendigos”, pensou Moacir, ”Cada dia mais criativos pra pedir as esmolas”.
Estendeu a mão, deu-le uma nota gorda de 10 reais e disse:

- Ta, ta, vai comer alguma coisa, tenho que ir.

Senhor Jesus olhou a nota, rasgou-a, e a atirou com toda a força que possuía ao chão, gritando.

- Dêem a César o que é de César!
- Época errada. Tamo no governo Lula, ainda.
- Não acreditas em mim?
- Ahn…..não.

Prosseguiu seu caminho, seguido de perto pelo incansável G-Zuis.
Cruzamento movimentado, seu Moacir para à esperar o sinal fechar.
G-Zuis abre novamente a boca.

- Quer uma prova?
- Vai lá, de seu melhor.

G-Zuis olhou em volta, procurando alguma coisa, um cadeirante atravessando na faixa de pedestres. Grita:

- Levanta-te, e andas!

O cadeirante no meio da travessia, para, se levanta com certa dificuldade, pulos de alegria, seu tormento chegou ao fim.

(Se você é alguma forma de Cristão, pula para o final do texto)

E chegou mesmo, o sinal abriu, verde. Um veículo em alta velocidade não conseguiu frear e o cadeirante foi arremesado uns 3 metros de distância. G-Zuis exclama:

- Jesus Cristo! Puta merda!
- Achei que você fosse o homem – replica Moacir.

Corpo estirado no chão, não se meche, parece não respirar, multidão se aglomera em volta para ver o que aconteceu.
Seu Moacir fala.

- Vai lá, prova que é G-Zuis agora, levanta o presunto.
- Não….Não é assim que funciona.
- Como não? Não és o todo poderoso? Olha quanta gente em volta para presenciar o milagre!
- Não foi a vontade de Deus que esse homem continuasses vivo.
- Pera, pera. Deixa ver se eu entendi, Deus fez ele ANDAR novamente depois de ANOS, só pra matar o filha da puta, é isso?
- Err….Exatamente!
- Vou pensar duas vezes quando você me oferecer o bilhete da megasena.

Chega a ambulância, da uma olhada por cima no homem. Checa a respiração, batimentos cardíacos, resolvem usar eletro-choque. O cadeirante esboça uma reação

(blábláblá, cristão, blábláblá, final do texto)

G-Zuis exclama.

- Ai estás! Teu milagre, Moacir.
- Ah, que conveniente!
- Esse é o poder de Deus!
- Eu acho que foi o poder do choque, mas tudo bem.
- Reconheces agora quem sou?
- Mais um louco, deixa eu te mostrar um milagre.

Moacir caminhou em direção a um cego, no outro lado da rua. Um penico com algumas moedas dentro. Parou cara a cara com ele, e bradou:

- Exergás, filho da puta!
- Senhor, sou ce….

Um murro desferido por Moacir no cego.

- Exergás!
- Que isso? Ta maluco!?
- Qual a cor da minha camisa?!
- Que?

Outra bordoada, e outra, G-Zuis horrorizado com a cena. Mais uns tapas e o cego diz.

- Branca, porra! É branca!

Que ironia, definitivamente, era branca.

- Agora tu enxergás? – replica Moacir.
- Porra, cara, maluco! – Diz o cego, enquanto junta suas coisas e sai caminhando pelo cruzamento movimentado. Estava curado da cegueira. Mais um demônio exorcizado.

G-Zuis fala:

- O que foi isso?
- Isso se chama: Encenação.
- Quer dizer que não acreditas que fiz o homem voltar a andar? Que era tudo combinado?
- É, foi só ver sua reação de espanto quando o plano foi frustrado pelo atropelamento.
- Foi obra de Deus!
- Tá, tá, ta vendo aquele quindaste ali? Move ele umas 3 quadras a frente.
- Eu gosto dele ali.
- Eu não, bloqueia minha vista do trabalho, anda, move ele. Proves que é quem diz ser.
- Não é assim que funciona, já fiz dois milagres hoje, chega.
- Ah, agora cota de milagres, que conveniente. O que me impede de te espancar até a morte?
- Que?

E G-Zuis foi cruelmente espancado por Moacir, e nenhuma força divina parou o homem. Pelo contrário, uma força terrestre o fez. Policia e cacetetes.
Moacir levado preso, G-Zuis para o hospital. Recebeu alta. Saiu e morreu atropelado por uma ambulância.

E não ressucitou após três dias.

—-Fim do Texto—

Amém.
Seu babaca.

Postagem Rápida Número #21

Setembro 23, 2009 NM 1 comentário

Como sempre que eu fico muito tempo sem postar nada, e realmente não tenho nada pra escrever, eu coloco um vídeo.
Mas um ai procês

Postagem Rápida #20 – alô alô alô, testando. 1 2, teste … som, teste sssom

Setembro 22, 2009 Nuno Rosa Deixe um comentário

Então … depois de taaanto idealizar e dizer: bah, precisamos fazer um podcasts! Eu e a turminha da mônica daqui do blog vamos fazer um teste ainda hoje a noite. Mas por que fazer um teste? por que eu preciso aprender a mexer no “mp3 skype call recorder” e ver como fica a qualidade e etc etc etc. Estamos bolando um podcasts com uma temática diferente do blog, ou seja, muita merda vem por aí euhuehueheuhe. Brincadeiras a parte, para quem acompanha o blog, fique sabendo que nós temos vozes e que vocês terão o prazer de ouví-las ou ouvilas, não sei se o novo acordo ortográfico tirou esse hífen também.

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