Os ratos estão andando no telhado. Não é exatamente no telhado, mas entre o forro e o telhado, e fazem barulhos de cães, arranham o chão deles, que é meu teto. Se comunicam em ruídos. Ratos que me parecem gordos pela pegada. Por que não posso eu se eu quero, adotá-los em meu convívio. Higienizá-los e deixá-los vagando ratinhos pela casa ? Simples, Pois se não dou conta de mim pouco poderia fazer por esses pobres ratos. Tão pobres, que se eu aqui tivesse com as vísceras de fora nenhum deles recusaria o banquete com cheiro nauseabundo. Os ratos ficam lá no telhado. Devo então, matá-los. não gosto de matar mamíferos e não comê-los, e não me agrada comer os ratos.
Todavia, os malditos ratos roubam de meu pensamento a amplidão que desejo. Nada além dos ratos passa de assunto na minha mente, por mais que tente mudar de de canal, ou de sítio. Estou sitiado em mim, e nos barulhos do silencio. Os ratos estão agitados, andando muito, arranhando, e grunindo sons agudos. Haverá estudos científicos que identifiquem a linguagem ? Poderia eu comunicar-me com esses ratos, que me parecem hostis, e asquerosos. Algum faz barulho exatamente sobre minha cabeça, parece gordo e robusto pelo roncar da madeira do telhado. Arrasta-se agora mesmo sobre algo que parece ser lixo. Bem, de que adianta criar esses bichos no telhado ? E como matá-los ? O que fazer com eles… Se ainda fossem baratas, mas ratos são como cães. Ao menos esses que me acompanham nessas últimas madrugadas, e a quem dedico essas linhas sem pensamento. Os ratos são excluídos por uma lei inexorável de convívio pela sobrevivência a ser um inimigo. Tudo bem, malditos ratos. Só é maldito aquele que eu puder maldizer, mas é difícil maldizer esses ratos sem culpa e sem gesto.
A hora passa, o dia vai se cumprindo, e o que parece é que há aqui um caso de grave desleixo. Deveria mesmo era exterminar de uma vez por todas essas pragas que invadem o telhado, mas por que não exterminá-los então ? Bem, difícil explicar, mas se quiser pegar uma escada e subir para o lugar mais empoeirado e mau cheiroso que já conheci isso explicaria o porque que não quero ir a um lugar que espero encontrar uma cidade de ratos. Parece que estão em superpopulação e mesmo que se devoram. Escuto brigas, de relacionamento de ratos polígamos, de heranças mal dividias, brigas de ratos que querem se acomodar no lugar menos frio. Sabem que escrevo, estão discutindo. Fungam com o nariz, e seu respirar é forte. Bafo de rato. Que nojo, amanhã, vou procurar escrever no jardim, já que as flores estão lindas ultimamente, como ficou bem mais agradável as últimas linhas, mas o que eu sinto é que os ratos estão por demais agitados. Vivem por cima da própria urina? Será que durante o dia apenas dormem ou fogem para o mato ? Ficam ai em cima da casa. Existe uma reserva de mata atlântica por cima do morro da Fazenda Santo Antônio, mas os ratos invadiram o telhado da casa.
Não adianta que eu peça que se calem que não se calam, apesar de que agora já estão novamente calados, até quando conseguirei esquecer que existem novamente e encontrar a paz de meu foco em algo verdadeiro. Há algo mais verdadeiro do que esses ratos ? Ratos que querem viver, que buscam escapar da morte e prolongar a existência de seus genes. Ratos que possuem uma organização natural de convívio com os de sua espécie. Ratos que são um tema poético embora angustiante. Pior do que falar de ratos é falar de coisas incômodas.
Me é incômodo falar de aranhas caranguejeiras, e ainda de falar de exames médicos. Posso sentir repulsa absoluta por qualquer uma dessas duas hipóteses. O medo da morte parece menor do que a repulsa.
Ouvi um ronco da barriga do rato, como isso é incrível. Os grilos cantam e o meu teclado faz barulhos do rítmo do texto que digito. O ventilador do lap top deixa de funcionar. Os ratos se matam no telhado, e vivem no telhado. Para morrer basta que se esteja vivo. A vida é o nascer da morte.
Ratos
Publicado por rodrigonunesouza em Julho 5, 2009
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Foto da autópsia de Michael Jackson
Publicado por Nuno Rosa em Julho 4, 2009
Fonte: G1
O legista Jorge Smiths, responsável pela autópsia de Michael Jackson, foi demitido após divulgar na internet uma foto do estado do corpo do astro durante a autopsia, a foto foi divulgada em um site de notícias alemão, que o ofereceu uma quantia em dinheiro de 1,12 bilhões de reais pela exclusividade da foto.
http://img443.imageshack.us/img443/6061/michaeljackson.gif
o.k. vocês até chegaram a acreditar um pouquinho né? por que é de se confundir com as semelhanças ….
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Rato na cama
Publicado por NM em Julho 1, 2009
A um tempo atrás eu estava vagando sem rumo em comunidades aleatórias do orkut, e me deparei com várias que são contra o uso de animais como cobaias em experiências científicas.
Como essa, só para ilustrar (a que eu achei que me fez pensar em tudo eu não re-achei, então foda-se), ou esse tópico de outra comunidade.
A que eu queria mostrar não achei mais, mas era a de um estudante da ufrgs que moveu um processo ou algo do tipo, para impedir a dissecação de animais em aulas praticas de cirurgia (medicina e veterinária)
Eu já acho que a babaquice toda começa com a foto da primeira comunidade que tenta fazer um apelo emocional a um animal bonitinho que nem por um momento parece estar sendo usado como cobaia para testes, mas tudo bem, vamos por partes.
Eu realmente não entendo como um ser humano pode se importar mais com um animal do que com a própria sobrevivência da espécie, claro, eles vão dizer com suas vozes esganiçadas ”Mas os animais não fizeram nada para merecer isso!”, isso é correto só na cabeça das pessoas que falam isso, eu vejo de uma maneira muito diferente.
Quantas doenças você conhece que são transmitidas por animais? Raiva é transmitida por morcegos e cachorros, ebola por macacos, leptospirose por ratos, até mesmo gatos domésticos nos transmitem doenças.
Mas e dai? Testar cura de doenças nos animais que nos transmitem ela me parece muito justo. Ele não quis transmitir ela? Claro que não. Um assassino que mata sem querer por ficar apavorado ou sei lá, tem menos culpa pelo ato cometido? Não. Então estamos quites.
Bom, o campeão em ser cobaia provavelmente é o rato de laboratório, criado em laboratório , para ser….teste de laboratório.
Não é como se resolvessem do nada pegar um animal de rua e aplicar nele testes de vacinas ou o caralho que for, pelo simples prazer de torturar o animal. Bo-ho-ro, como o ser humano é mal. Mas o que diabos você faz quando vê um rato em casa? Eu ouvi um ”mata”? Pois então, ser a contra as experiências é ser contra que matem qualquer ser vivo que pise no seu maldito tapete, é o que acontece? Não, mas claro que sempre vai vir alguém com aquele discurso moralista de ”Eu não faço isso!”. Bom, então dorme com um rato de esgoto do lado da tua cabeceira, mané! Cobaias só podem ser usadas se forem criadas totalmente em laboratório para evitar outros problemas externos, ou seja, se cria o rato para matar ele. Não é como se tivessem fazendo algum mal ao equilíbrio ecológico.
Mas cai em minha mente, se sua mãe contrair ebola, você vai deixar de aplicar nela uma vacina que foi testada primeiramente em animais? Aqui na minha terra isso se chama hipocrisia.
Quer dizer, devemos deixar de lado toda a possível evolução da medicina, em prol de animais bonitinhos que uns resolvem cuidar? Não é como se fosse o seu gato que será usado em experiência.
Eu sou a favor da ciência, somente ela poderá nos levar a lugares que nunca imaginamos, mas do que adianta se ela não bolar maneiras de nos deixarem VIVOS? A primeira preocupação da ciência é com o bem-estar humano. Existem leis contra mal-tratos de animais? Existem, claro, mas perpetuar uma praga de lavouras como o rato, ou um genocida, como o macaco que transmite ebola, somente por achar ele bonitinho e não querer que ele sofra, não me parece fazer sentido nenhum. Coisa de patricinha que mora em apartamento. Espera ela contrair aids e descobrir que cura está em andamento em teste de ratos que o discurso todo muda.
Dizer que um presidiário deve ser usado para os testes em vez de um animal me parece uma idiotice sem tamanho. Não que eu não seja a favor de penas de morte e coisas do tipo, mas quantas pessoas você acha que seriam necessários testes para descobrir a cura de uma doença? Ratos se criam rápido, se reproduzem rápido, e os resultados para análise são imediatos. Sem contar que o dever da cadeia não é somente punir o criminoso, mas também reabilitar ele ao convívio em sociedade.
Dizer isso é como dizer que um maldito rato vale mais que sua mãe, na cama e de langerie. É um absurdo sem tamanho comparar a vida de um maldito camundongo com o de um pai de família que roubou e matou para sustentar o seus filhos.
E aliás, seus putos hipócritas de satã, existe um severo código de ética que deve ser seguido pelos pesquisadores, para que se garantam o melhor tratamento possível aos animais, evitando que sintam dor e que sejam maltratados.
A única maneira de toda essa história não me parecer mais hipocrisia do que já é, somente se a pessoa voltar a vida dela contra tudo que seja de origem animal, aliás, se ela for vegetariana ai sim estará mais fudida no meu alvo de críticas.
E nessas horas eu realmente gostaria de ter seringas de ebola.
Enviado em Velho Resmungão | Tagged: laborátorio, mais ratos, morte, muito mais ratos, ratos, testes., Tumá no cu | 1 Comentário »
Liberdade, Parte 02 de 03
Publicado por Nuno Rosa em Junho 29, 2009
Sartre diz que “todo ser humano está condenado a ser livre” e que qualquer subjeção à essa afirmação são apenas desculpas dadas por pessoas que temem a deus ou algum outro tipo de julgamento imposto à elas por algum grupo de pessoas ou cultura. O grande X da questão é: qual a linha que difere uma imposição de uma ordem? Felizmente para nós, essa linha está bem sublinhada. Imposição é quando você diz a alguém: olha fulano, tu vai tomar no cú se tu fizer isso, pensa um pouco a respeito e depois tu faz o que tu acha certo. E lei é quando você diz a alguém: olha aqui meu querido, ou tu faz o que eu to mandando ou tu só tem a te fuder, por que eu sou a lei por essas bandas e eu vou te caçar e te fazer apodrecer num lugar que nem nos teus piores pesadelos tu ja pensou em estar.
Na verdade, para ser bem sincero com vocês, eu acho que eu nem devia falar sobre Sartre, por que ele parte de um príncipio totalmente oposto ao meu, e fica muito difícil pensar em alguma outra coisa do que: mas sério, o que esse cara tinha na cabeça quando pensou nisso? Mas vamos continuando.
Não sei se Sartre pensou muito a respeito da divisão hierárquica da sociedade. Na verdade eu nem ao menos sei se, na sua época, isso existia da mesma maneira como existe nos dias de hoje. O que me leva a uma pequena observação no texto antes de continuarmos: muitas vezes, as pessoas se debulham lendo obras de mestres da filosofia e da sociologia, sem se lembrarem que são todas obras que falavam e faziam parte de uma cultura totalmente diferente da nossa, ficando difícil aceitá-las como pura verdade em qualquer outro lugar ou época que não seja da vivida pelo autor. Mas voltando ao assunto anterior … não sei se na época em que ele vivia, ou a região em que vivia, existiam escravos (a resposta certamente é sim) ou pessoas que trabalhavam por pouco dinheiro, ou morimbundos e miseráveis pelas ruas, mas pensar que essas pessoas dividem a mesma liberdade que seus patrões é um pouco estranha não? Não tiro a lógica do pensamento dele, acredito que todos nós decidimos fazer o que bem entendermos, mas livre, a palavra liberdade não nos remete a uma pessoa livre de algemas ? Que faz o que bem entende sem precisar temer alguma outra coisa além da conseqüência do SEU próprio ato? Uma pessoa livre não é aquela sem donos? Que responde por si só? Que toma todas suas decisões? Ao meu ver, liberdade plena e verdadeira é essa, e acho difícil existir algo que possamos chamar de liberdade que seja muito diferente dessa primeira impressão.
Mas por que um homem tido como um dos grandes filósofos da história teria dito tal bobagem? Como eu ja disse, não acho de todo mal sua suposição. Concordo quando ele diz que o ser humano tem o direito de optar por um dos diversos caminhos a sua disposição, mas esse é apenas o princípio da liberdade, é apenas o esboço de algo muito mais complexo. Como eu ja disse, você poderia muito bem ficar na ponta mais fraca da corda, você pode escolher por perder, mas quem quer isso? Quando se entra em um jogo, é para ganhar. Quando alguém lhe diz : passa a carteira, perdeu playboy perdeu! Você tem a opção de mostrar o dedo do meio e cuspir na cara dele, ou colocar o dedo no cano da arma esperando que ela vá ficar parecida com uma banana descascada, mas por que você não faz isso. Evidentemente é por que tu não é LOUCO DE PEDRA. Mas além disso, é por que você não esta recebendo um caminho bifurcado, estão lhe dizendo que, ou você dá o que tem, ou tu não vai usar mais o que tu tem por que só teu espírito vai para o céu, então o que você faz? Entrega a mochila, a carteira, a dignidade, os documentos que terão de ser todos feitos novamente (tente não lembrar disso na hora de um assalto, ou você se sentira motivado a ver a arma em forma de banana descascada). Resumindo, são poucas, muito poucas, as pessoas que ignoram o medo de suas decisões, que não tem medo de morrer por sua honra ou liberdade e, para minha infelicidade, são essas pessoas que tomam veneno para não se desculparem pelo que disseram, são essas pessoas que constróem, com seu sacrifício, uma sociedade mais justa, que erguém os alicérces de uma nova época, que revolucionam, que servem de exemplos e que estão nos livros de história. Essas pessoas são realmente livres.
O que resta a nós, pessoas que temem o último suspiro? A falta de nossa liberdade nos torna pessoas medrosas? É a coragem que ergue a bandeira da liberdade? Uma pessoa livre é, necessariamente, uma pessoa desprovida de medo? Sinceramente, acho que tomar certas decisoes, principalmente aquelas que põe em risco uma vida inteira, requer bolas muito grandes, não consigo entender ao certo se uma pessoa livre já pode ser considerada corajosa, mas eu digo categóricamente: não sou medroso, mas jamais me sacrificaria por motivo qualquer, afinal de conta, sempre haverão os que morreram no teu lugar, e isso faz de mim uma pessoa sem coragem? Não sei, me respondam vocês.
Na minha opinião, o ser humano é cada vez um ser menos livre. Nos agarramos a valores rabiscados e reformulados, remendados. Nos prendemos ao dinheiro como o único capaz de salvar à todos (e o pior é que é verdade), nos livramos da nossa natureza realmente livre, nos desprendemos cada vez mais das pessoas, para nos afetuarmos por máquinas cada vez mais sentimentais e frias. Não somos livres em nenhum aspecto. Escolhemos nossas decições com base no que os outros vão pensar, em o que vai me acontecer diante de tal situação. Tememos a morte em último lugar, antes dela, disparados, ainda se encontram o benefício financeiro e as leis da civilização. Não somos livres nem nos nossos pensamentos, bombardeados a todo custo por uma geração de informação e propaganda que nos usa como verdadeiras marionetes que fabricam dinheiro e gastam com o máximo de coisas desnecessárias que puder. Estamos presos e enraizados com a idéia de que, para sermos alguém, a liberdade de escolha, a liberdade de opinião, é nada mais do que o caminho errado a se seguir. Pensar e agir diferente é errado. Nas escolas, nos querem ensinar a viver em sociedade? Vocês querem saber o que eles formam? Pessoas com asas cortadas, que estipulam metas, que pensam ser uma pessoa rica andando de terno, que olham para baixo com desdén, que passam por cima de tudo sem pensar nas consequências, palavra essa tão básica para toda a ciência e filosofia, palavra que remete ao ditado: tudo que vai, volta. Tudo que entra, sai. Tudo que sobe, desce.
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Postagem Rápida Número #15
Publicado por NM em Junho 28, 2009
E de uma maneira totalmente bisonha, todo mundo virou fã do Michael Jackson, todo mundo gostava das músicas dele desde criancinha, todo mundo que dizia não gostar das músicas e achar ele um pedófilo sem cura virou fã do negro-branco, diz se importar com a morte dele e está de luto.
Sério, porra, deixem o presunto descansar, escurecer e apodrecer.
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