O bom pastor boiola

Contam-se das histórias de um pastor gay, em metáforas de justiça.

Escutava-se a agüada voz do sacerdote…

Se eu não quiser viver o que eu prego, problema de quem? Minha parte faço bem, vivo o que vivo, prego o que prego.

Uma tarde aqui em casa me liga um fiel:

-Pastor eu preciso que o Senhor me solucione uma causa impossível: Minha mulher está me chifrando!

Então curioso perguntei:

- Com quantos?

O pobre cristão me responde:

- Com duas, pastor, oh Senhor!, com duas!

Logo me pus a pensar em como ajudar o desafortunado rapaz…

Então recorri diretamente às escrituras.

- Meu filho, só se cura o mal com o bem. Ponha em prática o conselho do Senhor. O amado irmão sabe exatamente onde que essas três pecadoras se andam ensaboando?

- Sim senhor, é na casa do irmão Alvenar.

- Então o irmão Alvenar também está no meio? Perguntei todo tenso.

- Não pastor. Ele sai pra igreja todo domingo.

- Ótimo, disse eu, melhor assim, pensando o quanto era bom que não era meu dia de pregar, aliviado.

Aí ouço o fiel desesperado do outro lado da linha:

- Pastor, oh Pai Eterno!, o que devo fazer para restituir o meu casamento?, pelo amor de Deus! Estou sem luz, assim não vivo!

Dei a receita suprema:

- Para colher é preciso que se plante. Você vai orar, meu filho, o remédio é orar… Abençoado, peça a Deus para te livrar dessas outras duas endemoninhadas. Ore meu filho, ore muito!

Pois bem, desliguei o telefonema com o fiel reconfortado, fui ao meu altar e clamei:

- Fazei, Senhor!, que me passe essa horrorosa provação! Apagai da minha mente essas imagens, esse cheiro, esses gostos da pura iniqüidade! Sai Satanás! Libertai-me do dia que me visitou aqui o Alvenar, quando além de corno ele foi viado!

Hoje, liberto pelo perdão a cada dia, vejo amplo. Sou o que sou, faço o que faço, gosto do que gosto. Depois de Adão, quem não pecou?

Prego o que prego. Só de almas já ganhei mais de cento e cinqüenta mil para o Senhor.

Mas é assim, né, todo domingo o Alvenar chega aqui em casa para nossa sagrada reunião, de uma missão secular.

E toda manhã as infinitas misericórdias do Senhor se renovam.

Opa!, com licença, o telefone está tocando:

- Alôu? A paz a ti irmão amado! Sim, sim? Glória, aleluia! Ele é Pai, meu amado, Ele é Pai! As outras duas se foram pelo poder da sua fé!

Perguntei “quanto tempo para obter o resultado das orações?”

- Só deu resultado mesmo pastor, a partir do dia que o Senhor me deu uma revelação: me mandou comprar Viagra. O meu pênis ficou tão duro que a mulher até dispensou a empregada, pediu demissão do emprego, só para se dedicar ao serviço doméstico, fazer minha comida… Agora, até me acompanha nos negócios, viaja comigo! Minha família está novamente unida, estamos todos muito felizes, graças ao Senhor! Sou todo grato! Obrigado por caminhar conosco pastor. Lhe devo minha vida, oh Homem de Deus!

Assim, ponho o telefone no gancho, mal inicio a oração de gratidão ao Senhor por me usar tão grandemente me derramando tamanha torrente de unção, quando… “dééééééééééééeé”, é a campainha. Hoje o dia está muito bem preenchido.

Vocês vão ter de me dar licença, vou correr até a porta, que hoje é domingo!

- Bye bye bofes! Úi, hora da delícia! Ái!

O bem-vindo encosto de biba retornou para a casa do benfazejo pastor boiola…

O pastor boiola que é inocente.

Um haikai bobinho

Novembro 7, 2009 Nuno Rosa 1 comentário

Pra não dizer que não falei das flores postei nada neste domingo: um haikai bobinho.

Momento de percepção e solidão

Hoje troquei meu sofá,
Por uma cama de casal;
Sinto agora algo que antes não sentia;
Há espaço sobrando,
Preciso de ti.

by Nuno Rosa (esta obra não está protegida por nenhum tipo de direito autoral … sim! você pode até dizer que foi você quem fez isso)

Vai um robô aí?

Robô é o seu computador pessoal ambulante. Seu representante profissional, ele é, digamos, sua personalidade desdobrada.

Robô não pede salário, mas ganha dinheiro para você. Trabalha sem parar e sem dormir. Ele age até pelos seus interesses mais perigosos, aqueles de altíssimo risco e lucratividade, afinal, comigo, tudo é backupeado, então “risco” do dicionário.

Com seu robô é assim, você pensa, ele faz. Ele quem se sacrifica. Ele que sem reclamar, nem em pensamento, faz todos os seus trabalhos mais chatos, mas desgastantes. Ele e você são um, é a sua nova mão, mas, digamos, com seis dedos!

O mais legal do robô já vou falar, e não é que ele não morre, porque morre, mas é só trocar por outro, e logo, isto não é problema. O mais legal é que tem acesso à internet, então, onde ele estiver, lá estará também você, se quiser.

Aí você se delicia vendo através de seus olhos, e através deles, conferindo-lhes emoções a seus admirados interlocutores, conforme, daqui, quem vai sentindo tudo é você. E ele vai aprendendo como você é, e daí passa a ser excelente em desempenhar o seu papel na sociedade. Tão excelente que dá conta de todos os recados, e ainda lhe supera.

Então, subitamente, você passa só a pensar, o que já basta para programá-lo, e claro que de  fato, paralelamente, sua conta bancária vai só crescendo… Porque você é bom no que faz. E o mercado está aceitando muito bem robô.

E você pensa na vida… E lá está seu fiel robô, presente num lindo cenário turístico. Todos lhe admiram tanto e a capacidade é tanta que na prateleira não faltam condecorações e os vídeos também estão ali para provar o quanto são valiosos seus méritos pessoais.

Mas à agenda basta somente um sete. Então as batatas fritas não parecem mais tão saborosas, e por outro lado, quase não faz mais beber nem chorar, e só dorme, você mesmo, só sonha, enquanto a preguiça passou a crescer em força. E “quem programa a quem?” pode ser o seu trágico drama existêncial.

Ou então, quem sabe você é desenvolto e vê negócio na coisa, não passa a comercializar robôs, mas você que não é otário, simplesmente os usa a todos.

E assim, antes e depois, pensa e, é só risada. Este pode ser o seu pensamento, metaforicamente falando?

Será que você, então, só enxerga o nano, e vê que ali jaz o limite?

Quebrante-se! Dizendo: “Vê se te sacode rapá!”.

Que o futuro chegou, nem acorde, o que você está fazendo disto, o que está diante de seu rosto? Que coisas lhe cercarão? Ou, como será a sua “vizinhança”?

Quero dizer, como você existe, e quer poder, digamos, exercer poder, atuar profissionalmente não precisa necessariamente ser agricultor. Você pode ser o que quiser, e é isso que tem que ficar de tudo!

A questão é como você QUER o planeta selvagem Terra? Porque, o mundo é uma sugestão.

“Quando sonhamos sozinhos, é só um sonho. Quando sonhamos juntos, é uma realidade” John Lennon.

Somos os jurados do futuro. A vida é um festival de música. A que composições de planeta premiaremos? E quais, simplesmente, escolheremos esquecer?

7 de setembro, 2008

Michael Jackson é Deus.

Novembro 4, 2009 rodrigonunesouza 1 comentário

Michael Jackson é eterno.
Michael Jackson é perfeito.
Michael Jackson é bom e justo.
Michael Jackson é idolatrado por fieis,
Michael Jackson é filho de “carpinteiro daquele tempo”
Michael Jackson não nasceu de uma gozada,
Os anjos não tem sexo e a moléstia não existe.

Não existem provas, evidências, nem nada, só calunias, só pessoas usando o nome de Michael Jackson para se promoverem.

Michael, eu sei que estás me ouvindo agora, finja que você não vê que pessoas que dizem gostar de você pronunciam as coisas mais horríveis possíveis, manifestam o ódio, que é tão diferente da dança e do canto que nos ensinou.
Que sua música penado Michael, resplandeça para toda eternidade, onde reinarás !
Rei do Pop, Astro maior, Ídolo dos ídolos, DEUS MAIOR.

Michael Jackson.

Eu estive jogando The Sims nos útimos 7 meses, não sabia que ele tinha morrido e só agora posto minha homenagem em homenagem aos que o homenageiam.

Michael, eu ainda acredito que você, assim como o Elvis, não morreu.

Quero ainda me manifestar contra os que fazem humor em um momento tão dificil como este. Michael Jackson era sobretudo um símbolo da paz mundial.
Michael Participava ativamente de movimentos politicos, e fazia o que muitos politicos não fazem; acreditar no potencial de Michael Jackson, e o que fizeram os jornalistas e os que se dizem fãs ?
Não entenderam o conteúdo da mensagem sagrada que foi sua vida sacrificada a celebração de sua personalidade, a fama, ao sucesso; A infancia de trabalho, as violencias e as punições, os traumas, os acidentes… uma vida que é uma lição de entrega e de amor a humanidade, e que nunca merecerá ser desrespeitada, por isso ofendo com todo o meu repudio aquele que se pronunciar usando o nome de Michal para uma coisa que não seja o amor..
Michal Jackson é o amor.

Michal é a paz entre Judeus e Palestinos, Michael é a libertação dos povos que não sabemos o nome, Michael é o cara que fizeram um boneco que seu filho vai querer no natal.
Michael é o best seller que revela uma versão da sua adolescencia, e outro que narra como foi sua masturbação, e o tablóide que mais vende é o que prova indicios de homossexualismo em sua vida.
Bem, se Michael é Homossexual ou não isso não faz diferença, assim como não faz diferença… mas supor isso é o mesmo que supor que Deus é homossexual.

Você consegue imaginar que DEUS é Gay?

Um cientista de renome internacional tem suas palestras e conferencias gravadas no youtube, pat condell é o seu nome, e ele manifesta argumentos que Michael Jackson ao contrário do que muitos pensam não existia.
Apresentando indicios, de uma teoria de conspiração, de que o ídolo era um fenomeno de marketing criado pela mídia, e que já tinha sido interpretado por diversos atores, por isso tantas metamorfoses e plasticas. A principal evidencia, é um documento do seu empresário com um acordo que indica que a fisica quantica provava que michael jackson não existia.

Absuro, pra quem ama Michael Jackson, sabemos que não precisamos de provas de nada pois nossos corações estão cheios do amor que representou sua vinda a terra.

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Sobre e 7ª Bienal do Mercosul, sobre o problema de se ver boa arte e sobre artistas com nomes indigitáveis

Outubro 31, 2009 Nuno Rosa 2 comentários

Esse texto fala de arte, isso basta para que você pare por aqui, mas caso queria prosseguir, peço que tenha um pouco de paciência.

Então, fui à 7ª Bienal de Artes do Mercosul fazem três dias. Acho que depois de ter ido em três bienais, posso falar um pouco sobre o que vi, não? Acho muito complicado julgar bienais de arte por que, primeiramente, existe uma séria dificuldade em se distinguir o que tem lá dentro é arte ou não, e falo sério. Por exemplo … havia um andaime semi-montado em um dos salões … eu não sei se aquilo era uma obra de arte, principalmente com a terrível dificuldade que se tinha em identificar os artistas, já que para achar suas fichas com nome e data da obra era preciso estar acompanhado do Sr. Watson (elementar meu caro Watson). Em segundo lugar, a atitude que algumas pessoas tem quando entram em bienais é algo como “oh! Estou entrando no cúmulo do bom gosto e do que é, de fato, arte. Então tudo aqui é inquestionável e absolutamente verdadeiro”, e sabe … eu preciso dizer o quanto isso é errado? Se o que vi na bienal é arte do tipo mais pura … acho que a arte precisa de misturas.

Não quero entrar em discussões sobre “o que á arte ?”, apesar de eu achar uma resposta muito sedutora ( … arte é construir-se para fora de si, é construir um mundo que temos como nosso, e expô-lo aos outros.), mas acabaríamos discutindo horas e mais horas para abordar o mesmo assunto que é onde eu quero chegar.

Vi na bienal algumas coisas que me deixaram intrigados, e colocaram em dúvida a qualidade da bienal que, nas três vezes em que visitei, me plantaram uma semente que hoje já tem o tamanho de uma centenária. O que me deixou bem curioso foi uma folha A4 onde estava impresso “obra em manutenção” … vocês conseguem entender o que isso significa? A partir de um momento que EU artista decidi que terminei uma obra, existem meios de alguém, além de mim, repará-la? Digo … é como se um marceneiro tentasse colar vitrais … entendem? E o que entendemos como manutenção? Geralmente, algo que precise de manutenção é por que, ou teve um belo mau uso ou já está gasto, já foi usado durante um bom tempo. O que leva a outro ponto interessante da 7ª bienal: o número de obras interativas, onde as pessoas deviam experimentar, manusear para que elas acontecessem, nos leva a pensar um pouco no designer, onde você precisa criar um produto que tenha interação, que seja novo, que divirta … então temos até agora dois pontos negativos da bienal: falta de organização + confusão com o designer.

A 7ª Bienal está acontecendo em três lugares de Porto Alegre: Cais do Porto, MARGS (Museu de Arte do Rio Grande do Sul) e no Santander Cultural. O cais, espero que vocês não visitem e se visitarem eu juro que vocês vão se arrepender. O Santander Cultural tem só vídeo-arte e nada mais, e nisso temos um ponto positivo da bienal: todas as obras apresentadas ali chegaram via internet, ou seja, houve uma interação e questionamento sobre a internet e a arte que, de um ponto de vista contemporâneo, é realmente bem interessante. No MARGS começa a salvação da tarde, ali estão algumas obras que prestam, que tem valor estético e são questionáveis, indagam o espectador. Principalmente nas salas laterais, onde estão algumas gravuras de artistas importantes brasileiros, muitos até gaúchos, só não sei se as salas em questão tem alguma conexão com a Bienal .. mas enfim … O segundo andar do MARGS tem o seu valor, o primeiro andar eu acho que foi feito pelas mesmas crianças que estavam lá quando visitei, e as obras presentes tem tanto valor para mim quanto o papel higiênico depois que eu usei.

Querem uma dica? Uma de verdade? Visitem a Casa de Cultura Mario Quintana, que não tem nada a ver com a bienal, mas em compensação está apresentando duas exposições das melhores que vi na mesma tarde. Uma de um fotógrafo, dono das fotos que vocês verão logo abaixo, e uma exposição do Xico Stockinger, dono de escultoras encantadoras, que carregam um sentimento que beira o sublime, simplesmente indescritível.

Dedicando um parágrafo a quem merece, preciso dar ênfase a quem mais me chamou atenção na mesma tarde. Um fotógrafo de nome muuuuuito estranho, confiram o nome na galeria, e dou um doce para quem souber pronunciar e como digitar o nome dele no Google, que é, com toda certeza, um dos melhores fotógrafos do qual tive o prazer de presenciar suas obras. Uma exposição de fotografias tiradas entre 1960 e 2000, em vários vilarejos da Morávia. Posso lhes garantir que a arte desse querido é algo simplesmente inquestionável, um dos poucos do ramo que sabem apontar uma lente para um lugar e imortalizar o que quer que seja. Um dos problemas da fotografia hoje em dia, é a regra contemporânea de que “todos vemos o mundo com olhos diferentes”, então os fotógrafos hoje se resumem a tirar fotos de cantos de paredes e cocos no chão, basta estar enquadrado, se for preto-e-branco então … supra-sumo. Esse amigo donos das fotos, chega a um vilarejo e capta o cotidiano de pessoas comuns … mas aonde vejo diferença disso com tantos outros que já fizeram o mesmo? Veja o resultado de seu trabalho, e tire suas conclusões. Ele faz mágica com uma câmera fotográfica, seus trabalhos se atiram sobre nossos olhos, nos demonstram como podem ser alegres as pessoas que vivem em um País desconhecido, morando em casas construídas à séculos, em vilarejos que parecem ter parado no tempo, que nos transmitem frio. Pessoas que não sabem posar para fotos, que não saberiam coreografar o que fazem nas fotos. Isso é a vida dela, elas são assim, e temos a prova disso. Basta olhar as fotos, é visível a alegria, a comodidade, a normalidade de tudo, enquanto tudo é contrário ao que nos ensinam ser “felicidade”. Suas musas e modelos são muitas vezes pessoas velhas, são momentos típicos e anormais. Eu passaria dias aqui descrevendo fotografia por fotografia, mas não tenho tempo, e ainda preciso me desculpar pela péssima qualidade das fotos, foram tiradas do meu celular, mas vocês vão conseguir entender sem maiores problemas o que está exposto na casa de cultura. Aos que querem mais informações sobre o fotógrafo basta tirar os acentos em cima das letras e jogar no Google, aos que querem que eu me cale: só mais um minuto.

Não visitem o Cais do Porto em época de Bienal, vocês estarão fazendo um mal a seus olhos, estarão infringindo dor à sua inteligência pois … sério, ir em bienais te deixa burro, pois é natural você tentar entender o que tu vê, e se tem alguma coisa que adoram colocar em bienais, são coisas que te fazem pensar “What the fuck?”.